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8 months ago

Revista Curinga Edição 13

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Alternativa Opinião Pra

Alternativa Opinião Pra ver a banda passar A imperatriz das marchas que transbordam as ruas marianenses tem nome republicano. A Sociedade Musical União XV de Novembro, já senhora, conta com 113 anos de histórias, pecursos, e notas musicais. A potência sonora da banda faz com que os moradores carinhosamente a apelidem de “A Furiosa”. E de som e fúria, os sentidos se fazem presentes na comemoração que data a Proclamação da República do Brasil. A sociedade musical nasceu em Mariana no ano de 1901. Às luzes das mudanças políticas causadas pela Proclamação da República, o novo Estado empenhava-se na prosperidade do positivismo e diversos instrumentos de comunicação e cultura surgiram para transmitir as palavras dos novos tempos. A banda, que surgiu com o intuito de fazer propagandas republicanas, foi duramente criticada pelos monarquistas que ainda lutavam pelo retrocesso. Poucos músicos, liderados pelo Dr. Gomes Freire de Andrade, ecoaram suas primeiras notas, de ideologias sustenidas. Hoje, o toque já não luta mais por partidos, mas pela união da cidade e pela preservação do patrimônio sonoro ouvido das tantas sacadas barrocas. Desde seus primórdios, a banda possui a responsabilidade de ser a voz de Mariana. A cidade, que ouve seus tons, também os produz. A linhagem dos que performam a memória é de longa data: no dia 27 de abril de 1968, a cidade elegia um novo presidente da banda. Amadeu da Silva tinha a ambição de tornar a sociedade musical um marco na história das tradições locais. Hoje ele ganhou o prestígio que o se antecede com um pronome de tratamento. Seu Amadeu se despede dos anos melódicos com orgulho e consciência do dever cumprido. “Hoje eu entrego o cargo de presidente da banda mas vou continuar ao lado do meu grupo até morrer. Me sinto bem com tudo isso, que só me dá força pra poder continuar”, completava no ensaio das programações de seu último sábado na presidência. Nas raízes da banda, repetem-se os sobrenomes. Vítor e Mateus, ambos com seis anos, co-exercem a função de maestro. As crianças ajudam a controlar, reger e refinar os sons com uma baqueta, herdada do avô, que como um velho mago se despede da magia. De acordo com a mãe dos aprendizes, Renata da Silva, “a música segue a vida dos meus filhos desde a gestação. O pai entrou na banda com 12 anos, por influência do avô dos garotos, que é o maestro aqui”. Além do aprendizado musical, a mãe se alegra com os resultados obtidos pelo esforço e dedicação dos pequenos. “Eles tem aula de música, que dá uma disciplina incrível, e também a concentração melhorou muito já que aprenderam a ensaiar, acompanhar os toques e ler partituras”, completa. Ecoam os sons das percussões e dos sopros. Remanesceram do fim de semana e atingiram as casas fechadas, que retribuíram com janelas e sorrisos escancarados. Pela crença na voz e na capacidade de se fazer ouvida, a Sociedade Musical XV de Novembro ainda cumpre o que promete: cantar coisas de amor para todos nós, os à toas na vida. Texto: Iago Rezende Foto: Lara Pechir Arte: Mylena Pereira

Homem diamante Escravizado aos 12 anos, este congolês chegou ao Brasil clandestinamente e se lapida percorrendo o país Identidade De sorriso marcante e olhos que ora têm um brilho intenso, ora são pesados e tristes. Andrews Kyossi, 25 anos, nasceu na tribo Glyoumu-Digianze,Congo, África, mas hoje sua casa é uma rede em uma área de camping de uma pousada no Brasil. Escravizado aos 12 anos de idade, carrega as marcas de um povo que é afetado por conflitos históricos. A lembrança do dia em que invadiram sua aldeia nunca saiu da mente. Lá ele vivia com mais 17 famílias, nômades de etnia zulu, com cerca de 30 a 45 membros cada uma. O lugar era preservado sem contato com pessoas de fora. Utilizavam pinturas corporais e alimentavam-se das caças e do que a terra produzia. Acostumados desde cedo com o perigo de invasões, eram preparados para se defender de rebeldes, milícias e mercenários. Sua função na tribo era a de encontrar lugares seguros, caçar animais, descobrir rotas de fugas e proteger o espaço. Aprendeu desde pequeno o trabalho de rastreador, mas não foi possível competir com as armas pesadas dos adversários. Invasões como essa são comuns em aldeias no centro-oeste da África, uma vez que o continente africano tem mais de 250 diferentes etnias. Por ter um solo rico em recursos minerais, as disputas por matériaprimas são intensas devido a competitividade por poder. Naquele dia, quem passou por ali foram mercenários a serviço de árabes. Esses homens são pagos para conferir lucros a seus patrões não importando quais as circunstâncias de sua profissão. Eles colocam na maioria das vezes a ambição acima do valor de centenas de vidas. CURINGA | EDIÇÃO 13 17

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