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Revista Curinga Edição 13

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Durante o combate, as

Durante o combate, as marcas foram irreversíveis. Alguns integrantes da tribo morreram. Mulheres foram abusadas sexualmente e a aldeia foi saqueada. O objetivo dos agressores era levar escravos de guerra à Serra Leoa. Nesse dia, Andrews ficou ferido com dois tiros, um no pé e outro na perna. Mesmo assim foi carregado pelos mercenários e, ainda, percorreu vários países como Quênia, Etiópia, Namíbia e Somália, lugares onde o grupo buscava mais presos e arsenais de armas. Com os olhos cabisbaixos e úmidos, ele descreve os momentos em que esteve preso. “Eu já não dormia mais. Já era tanto terror em minha frente que quase tive um surto. Não havia muito o que fazer, apenas viver como eles queriam”. Ao anoitecer eles se dividiam em oitos compartimentos, local chamado por ele como “jaula”. O trabalho começava às 6h, quando os escravos de guerra eram acordados com água fria e xingamentos. Na rotina diária essas pessoas tinham que cavar cerca de 16 horas por dia, utilizando um instrumento parecido com uma picareta, até encontrar pedras preciosas. Andrews torcia para não descobrir nada, pois cada achado era seguido de agressões. “Íamos dormir com nosso corpo ardendo de cansaço e acordávamos querendo a morte todos os dias. Foram tempos que nunca vou esquecer”, diz. Após três anos presos, as aproximadamente 300 indivíduos de diferentes etnias se uniram para planejar uma fuga. Houve o confronto e pessoas dos dois lados foram mortas naquele dia.

Travessia Nos seus desafios diários, ele declara que “ter paz muitas vezes era guerrear pela própria paz”. Após um mês de caminhada na tentativa de fugir, Andrews seguia pelas montanhas, próximo a Katanga, quando os mercenários o encontraram e atiraram em sua cabeça. Um senhor, que tinha um crucifixo no pescoço, socorreu o jovem e o levou para sua casa. Durante três meses, recebeu assistência e começou a ser cristianizado. Após se recuperar, foi levado até as proximidades da aldeia por esse bondoso homem. Ao chegar ao seu lar novamente, aquele que saiu adolescente já estava com 19 anos. Por conhecer novas maneiras de viver, não era mais o mesmo. “Eu já estava vendo pessoas de novo entrando na nossa aldeia pra fazer maldade e em uma dessas eu podia ver meu pai morrer, ou eu mesmo morrer”, comenta o jovem sobre o receio desse ciclo. A falta de perspectiva era grande, pois em sua casa era considerado uma aberração. A tribo tinha a prática do infanticídio, onde as crianças que nasciam com alguma deficiência eram mortas. Ele era infértil e seu pai não o matou, pois quando descobriram o menino já estava crescido. Com o sentimento de ser a ”ovelha negra”da família, pelos traumas da escravidão e por saber que existia muito mais fora dali, ficou apenas dois anos em casa. Era como se Andrews não coubesse mais naquele lugar e por isso decidiu ir embora a procura de coisas novas. Angustiado e sem saber o que iria acontecer, percorreu uma longa caminhada até chegar a Cambombo, na Angola. Na jornada encontrou doze congolenses que também queriam ter novas experiências. Decidiram tentar entrar ilegalmente em um navio que estava atracado. Levaram com eles apenas uma pele de animal recheada de mantimentos e as armas artesanais. Sem saber o destino, conseguiram entrar. Durante esse tempo, Andrews viu seus colegas morrendo num espaço apertado no compartimento da âncora, onde se esconderam por 65 dias. Quando achou que morreria de fome, se lembrou da orientação do senhor do Gabão que, religioso, disse para ele pedir para Jesus ajudá-lo. Sem saber em qual língua falaria com esse Jesus, pediu no idioma nativo para que ele não o deixasse morrer ali. Se a intervenção foi divina ou não, o fio de esperança funcionou. Passaram-se alguns dias até que foi possível ouvir o barulho da âncora atracando no porto de Santos, interior de São Paulo. CURINGA | EDIÇÃO 13 19

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