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Revista Curinga Edição 13

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Novo olhar A primeira

Novo olhar A primeira impressão que Andrews teve foi que aquela “cidade grande” estava pegando fogo, devido a iluminação noturna. Ao contar como foi a saída do navio, encena os movimentos que precisou fazer com o braço para nadar, como se revivesse aquele momento. O congolês chegou ao porto com 35 kg a menos. Foi socorrido por um senhor, com um crucifixo no pescoço, que estava caminhando por ali. Esse homem os acolheu e foi explicando sobre o país para os rapazes. “Vocês precisam falar como eles, andar como eles, pensar como eles”, dizia o quase mentor. Nas primeiras saídas tudo os assustava, pois era um novo mundo sendo jogado de uma vez sobre os recém chegados. Para se comunicar, Andrews começou a aprender o português, mas já sabia inglês, francês e falava mais seis etnias africanas. Nesse período eles começaram a usar roupas, tiveram contato com dinheiro e continuaram a ter choques culturais, por exemplo, ao ver uma televisão (e quebrá-la para salvar as pessoas que estavam dentro dela), ver um aparelho telefônico (e achar que as pessoas falavam sozinhas). Depois da fase de adaptação, o rapaz foi a São Paulo com o objetivo de encontrar o Centro de Acolhida aos Refugiados (Cátiras). Ao chegar, solicitou o pedido de refúgio, porém foi negado em todas as tentativas. Desistiu da legalidade no país e seguiu seu caminho sozinho, já que os amigos ficaram por cidades que se identificaram. Nesse percurso pelo Brasil, o congolês mostrou suas habilidades ao percorrer mais de 100 cidades e 15 estados do Brasil. Para sobreviver, oferecia seus serviços em troca de comida, dinheiro e/ou lugar para dormir. Com a disposição em aprender, desempenhou ofícios como o de cabeleireiro, recepcionista, auxiliar de construção, garçom, chefe de cozinha, auxiliar de limpeza, entre tantos outros que foram necessários. Por onde passa, conta os seus contos e desperta a curiosidade e sensibilidade das pessoas. Nessas andanças, guarda para a vida o conceito aprendido sobre a lapidação. O diamante, por exemplo, não tem brilho intenso até passar por esse processo que utiliza o atrito e a pressão. Andrews saiu da aldeia como uma pedra bruta. Desde então, vem sendo lapidado pelas situações mais adversas que revelam o valor e intensidade de seu olhar. Apesar disso, no Brasil ele não existe. Sem documentos que comprovem quem ele é, a única coisa que se tem são os depoimentos dele e de quem o conheceu por suas idas e vindas. Texto e Foto: Roberta Nunes Arte: Hélen Cristina

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