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6 months ago

Revista Curinga Edição 13

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Por outra ótica, os

Por outra ótica, os esquerdistas podiam ser considerados como os que se colocavam contra as ações vigentes impostas pela Assembleia do Estado, contra os privilégios da nobreza e clero e a luta por igualdade perante a lei. Já os direitistas representavam os interesses dos grupos dominantes e a conservação dos interesses da elite, de acordo com o cientista político Antônio Carlos Mazzeo. Para ele, a tradição democrática no Brasil é pequena, baseada em situações de golpe. Além de possuir uma trajetória ruim, visto que as questões sociais são vislumbradas como caso de polícia. Mas os reflexos do engajamento político do povo brasileiro nessas eleições é a percepção da polarização política com relação à opinião pública. Apesar de uma cultura autocrática, as mobilizações acontecem e incomodam. Polarização a la brasileira Desde a redemocratização política no Brasil, os confrontos pelo poder se dão pelos mesmos grupos. Agremiações como o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), por exemplo, movimentam-se de acordo com interesses próprios, ora mais próximos a um grupo político, ora mais próximos a outro. As alianças políticas no país prevalecem diante de uma simples divisão entre lados. Desse modo, partidos de menor expressão têm o poder de ascender politicamente, como é o caso do Partido Social Democrático (PSD), do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Nas eleições de 2014, por exemplo, as três principais coligações da disputa presidencial envolveram 23 partidos. A fragmentação partidária se deve, de acordo com o cientista político Antônio Marcelo, pela falta de um projeto político. Segundo ele, as principais agremiações surgiram de maneira involuntária, sem grandes orientações ideológicas. O modelo embrionário dos termos Direita e Esquerda, da Revolução Francesa, possuiria nuances ideológicas inexistentes atualmente. “Pode-se dizer que a definição atual de Direita ou Esquerda para um partido político ou governo vincula-se, fundamentalmente, aos gastos sociais e atos de proteção econômica”, pontua. Segundo o cientista político, “tem-se por convenção entender que um grupo defensor de ações de distribuições de renda, políticas afirmativas, protecionismo econômico, entre outras coisas, são atos de Esquerda e, o enxugamento da máquina estatal, redução de empresas públicas no mercado, liberação das importações etc., são ações notoriamente de Direita”. Diante disso, o Partido dos Trabalhadores (PT) seria de Esquerda e o Partido Social da Democracia Brasileira (PSDB) de Direita. Frágeis em suas definições, os termos se manifestam sem fundamentos ideológicos e objetivos. Essas definições possuem barreiras instáveis e confusas diante da pluralidade de partidos existentes no país. Prova disso é a participação de 28 grupos políticos na próxima legislatura. Para Mazzeo, “existe uma cultura direitista e esquerdista ainda enraizada, porém a política econômica do PT nos governos de Lula e Dilma não é diferente do governo FHC”. O que há, na verdade, são ações sociais mais inclusivas e positivas. Reeleita com 51,64% dos votos válidos no segundo turno, Dilma Rousseff venceu Aécio Neves (48,36% dos votos válidos) na mais acirrada disputa eleitoral já vista pelos brasileiros. A pouca diferença entre os números de votos dos candidatos demonstram que as ideias representantes de uma Direita ou Esquerda estão cada vez mais diluídas nos processos eleitorais. Nos programas e debates televisivos, essas posturas permitiram ao eleitor notar a legitimidade ou não das propostas políticas para o país. A partir das discussões propostas pela mídia, notou-se ideais de governo e posições políticas contrastantes por parte dos partidos, representados por cada candidato, ora por ideais progressistas, como Eduardo Jorge (PV) e Luciana Genro (PSOL), ora por ideais conservadores, como Levy Fidelix (PRTB) e Pastor Everaldo (PSC). De acordo com Antonio Marcelo, “esses grupos surgem pelo somatório de elementos circunstancialmente ideológicos com algumas demandas reprimidas e crises em outro partido político”. Outro fator importante foi a posição dos meios de comunicação. Mazzeo afirma que “muitos não se preocuparam em identificar lados e isso ajudou na polarização”. E ainda

identifica o uso da máquina de governo pelo PT para se promover, enquanto o PSDB explorou as mídias como difusoras de seus ideais. Reforma já? No meio da “batalha” política que tomou conta do país em 2014, a postura dos eleitores chamou a atenção. Inflados pelas redes sociais, militantes e populares utilizaram a política como um palanque para destilar provocações e declarações que beiravam o ódio. O embate entre eleitores de Aécio e Dilma passou por momentos conturbados. Ataques (na maioria das vezes, pouco verdadeiros) foram disseminados aos quatro cantos. Calúnias e fotomontagens permearam as eleições. Denominações de cunho negativo como “petralha” ou “esquerda caviar” para dirigir-se a eleitores do PT e “tucanalha” ou “coxinha” para dirigir-se a eleitores do PSDB tornaram-se mais do que comuns. O descontentamento do eleitor tornou-se quase inerente ao sistema de governo eleito (ou não), modificando o sentido político do embate. Propostas e projetos ficam em segundo plano e o eleitor (amigo, parente etc), que vota no candidato oposto, automaticamente vira – apenas – um inimigo, adversário ou semelhante. O cenário das ultimas eleições foi marcado pela rivalidade e acusação. Após o pleito, a presidenta Dilma retomou a proposta de um plebiscito para escolha do conteúdo de uma Reforma Política. Mais do que a simples polarização entre coxinha e caviar, a instalação de um novo sistema eleitoral poderia provocar mudanças no tabuleiro político brasileiro. O futuro do país está em jogo. Resta saber a quem caberá o xeque-mate. CURINGA | EDIÇÃO 13 35

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