002 - O FATO MANDACARU - FEV 2018 - NÚMERO 2

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Pág. 6 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA! O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 002 | Maringá, fevereiro de 2018 Folia de Reis “Caminhando com Santo Reis” para não deixar a folia morrer em Maringá. (Ligiane Ciola) As 3 Epifanias, todas indicam manifestações da vida de Jesus: 1ª. Epifania: Diante dos Magos do Oriente (manifestação aos pagãos); 2ª. Epifania: Batismo do Senhor (manifestação aos judeus); 3ª. Epifania: Bodas de Caná (manifestação aos seus discípulos). A Folia de Reis é uma festa popular de caráter religioso e de tradição cultural que compõe o Folclore Brasileiro. A tradição diz que nos 12 dias sucessivos ao nascimento de Jesus, os grupos de Santo Reis devem percorrer cidades ou bairros fazendo paradas em casas de quem se dispõe a recebê-los. São 12 dias que relembram o trajeto feito pelos 3 Reis Magos: Belchior, Gaspar e Baltazar, que do Oriente foram até Belém e no dia da Festa da Epifania encontraram Jesus. “Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entre garam-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra...” Narra o Evangelho de Mateus (2,11) sobre o momento em que os Três Reis Magos, do Oriente, encontraram o Menino Jesus. É dessa passagem bíblica que nasce a festa trazida ao Brasil pelos colonizadores portugueses no século XVIII. Em Portugal, a manifestação tinha finalidade de divertir o povo, no Brasil, passou a ter caráter religioso. “Seu Geraldo” - O Presidente: Em Maringá a Folia de Reis só não morreu ainda, porque existem pessoas como Geraldo Gonçalves Filho, Presidente do Grupo Caminhando com Santo Reis que apoiado pela família Viana resiste à indiferença da maioria da população, que muitas vezes não sabe nem mesmo do que se trata. Geraldo tem 65 anos e há mais de 50 é devoto e folião. “Para mim a Folia de Reis é religião, é um rito espiritual, é devoção por Jesus. Apesar de ser muito cansativo, eu nunca pensei em parar. A gratidão das pessoas que nos recebem é o nosso prêmio e estímulo”. Os Três Vianas Vovô Viana: “Somos um grupo que reúne cantadores e instrumentistas para celebrar Jesus”, explica Gabriel Arcanjo Viana, embaixador do Grupo Caminhando com Santo Reis. Aos 81 anos, Viana conta que há 50 se tornou devoto e nunca mais abandonou a vida de folião. “Meus pais eram 'reizeiros', não eram foliões, mas recebiam a folia em casa, foi ali que nasceu minha paixão. A história que marcou minha vida com a folia de Reis foi quando formei meu primeiro grupo em São Jorge do Ivaí. Eram todos parentes menos o presidente, que mesmo assim era meu compadre. Depois formei um grupo em Rolândia e lá durou 8 anos e aí, fui cada vez mais tomando gosto pela coisa. Quando cheguei em Maringá, no ano de 1970, o Geraldo Gonçalves me chamou para formar um grupo, foi assim que nasceu o 'Unidos pela Fé', e hoje estamos com o quarto grupo, o Caminhando com Santo Reis”. Gabriel explica que as mudanças são só por questão de organização mas que a paixão é sempre a mesma. “Quando comecei o fervor era maior, o pessoal tinha prazer de receber a Folia de Reis, mais gente participava da festa e hoje, apesar de tudo as pessoas ainda nos recebem com muito carinho”. Papai, Dos Reis Viana: José dos Reis Viana traz até no nome as figuras dos Magos; ele é filho de Gabriel e também começou na folia bem cedo, tanto que nem lembra direito quando, só sabe que era antes dos 7. Aos 50 anos, tem a missão de vestir-se com a máscara de bastião, figura conhecida também como palhaço entre os foliões. José dos Reis não sabe o que é desânimo, ele diz que ser folião de Santo Reis “é viver feliz o ano inteiro”. “Nós fazemos reuniões do grupo e dessas reuniões todo mundo pode participar, é só chegar e entrar, a casa tá sempre aberta”. As reuniões de organização do grupo acontecem na casa do vovô Viana e quase sempre viram ensaios do grupo, com cantos e orações. “Quem quiser participar e virar um folião pode ligar para a gente*, teremos muito prazer de receber novas pessoas, a folia precisa disso.” Viana, o Filho: “Estamos lutando para não deixar a Folia morrer”. Jonathan Lúcio Viana, tem só 26 anos, é filho do José dos Reis e neto do Gabriel; há 20 agarrou-se nas pernas do avô e entrou na vida de folião. Hoje ele tem consciência que sua adesão quando menino, se transformou em uma missão de grande responsabilidade: Não deixar a Folia de Reis morrer. “Nós não temos muitos foliões, e os que cantam também são poucos, então é difícil a gente conseguir cantores, músicos, mas a gente tá sempre lutando para trazer as pessoas. Nós queríamos convidar o povo para conhecer a tradição de Santo Reis, queríamos explicar a folia pois nós temos certeza que, quem conhece vê sua própria vida melhorar na fé”. A folia de Reis foi tão forte na vida do Jonathan que o conduziu ao despertar de um dom, o da música. A coisa foi tão séria que ele acabou ingressando na Faculdade de Música da UEM e se tudo correr bem, daqui um ano ele será premiado com a formatura.■ Contato: Grupo Caminhando Com Santo Reis (44) 3265-81 54

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