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Revista Digital Copiosa Redenção Fevereiro

Em comunhão com a Igreja no Brasil e o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, nos propomos a refletir sobre a realidade da violência no contexto da drogadição.

Espiritualidade A

Espiritualidade A proposta deste artigo é refletirmos um pouco sobre um daqueles dons a serem exercidos na vida de cristão e que só tem significado porque é uma prática iluminada pela fé: estamos falando da virtude do Perdão. Para falar a verdade, sem fé, o perdão se torna algo quase que incompreensível e sem significado. Afinal de contas, que sentido existe em absolver alguém de uma dívida contra mim gratuitamente? Qual é o valor concreto de suportar as injúrias que recebemos de outros sem retribuir na mesma medida e ainda cultivar o amor e o respeito devidos? A resposta existe, mas só ante à luz da Palavra de Deus e em um coração que aceita a fé: “Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou”(Colossenses 3,13). Esta lição nós vamos buscar aprender com S. João Crisóstomo (348-407), que pela eloquência de suas palavras ficou conhecido como “boca de ouro”. São João Crisóstomo é muito conhecido pela igreja oriental, e apesar de nós no Brasil o conhecermos pouco, é um dos doutores da Igreja. Assim, teremos a possibilidade de conhecer um pouco mais quem ele é e por meio dele o que é o perdão. Dentro dos seus escritos do tempo em que viveu anos em silêncio no deserto e posteriormente como sacerdote na cidade de Antioquia, duas passagens foram separadas para que pudéssemos refletir um pouco sobre a sua Doutrina do Perdão. A primeira lição é sobre aquela de fazer mal a si mesmo pela Cólera que conservamos em nós na falta do Perdão: Cristo pede-nos duas coisas: que condenemos os nossos pecados e perdoemos os dos outros, e que façamos a primeira coisa por causa da segunda, que será então mais fácil, pois aquele que pensa nos seus pecados será menos severo para com o seu companheiro de miséria. E perdoar não apenas por palavras mas «do fundo do coração», para que não se vire contra nós o ferro com que cremos trespassar os outros. Que mal te pode fazer o teu inimigo, que se possa comparar com aquele que fazes a ti próprio? [...] Se te deixas levar pela indignação e pela cólera, serás ferido, não pela injúria que ele te fez, mas pelo ressentimento com que ficas. A segunda nos apresenta a grandiosidade de se viver com humildade e doçura as ofensas que recebemos dos outros: Não digas: «Ele ultrajou-me, ele caluniou-me, ele causou-me inúmeros males.» Quanto mais disseres que ele te fez mal, mais demonstras que ele te fez bem, pois deu-te oportunidade de te purificares dos teus pecados. Deste modo, quando mais ele te ofende, mais hipóteses te dá de obteres de Deus o perdão dos teus pecados. Porque, se quisermos, ninguém poderá prejudicar-nos; até os nossos inimigos nos prestam um grande serviço. [...] Reflete portanto nas vantagens que obténs de uma injúria suportada com humildade e doçura. Com São João Crisóstomo e com a Sagrada Escritura podemos pensar no perdão como um dom de três dimensões necessárias e com uma ordem bem precisa. Como o perdão é um dom de Deus para nós é preciso por primeiro receber das mãos de Deus um perdão que é destinado a nós, perdão esse que vai além das minhas ofensas e me redime para a vida eterna. Passado esse acolhimento do perdão de Deus vem uma fase difícil, pois muita gente não consegue dar este passo: perdoar a si mesmo. A auto misericórdia pode ser mais difícil que aceitar a misericórdia de Deus. E por fim, vem a prática social do perdão, dar ao outro aquela porção de amor gratuito recebido de Deus. Perdoar é um ato de alguém que já passou por esta experiência curadora e libertadora e agora consegue perdoar o outro. Isso liberta o outro e liberta a pessoa que perdoa. São João Crisóstomo tem uma célebre frase que diz o que é o perdão: “Glória seja dada a Deus em tudo!”. O perdão é, portanto, um ato de glória a Deus. Pe. Fernando Bauwelz, CR Mestrando em Teologia na PUC/RS servosmissao@gmail.com 6 Revista COPIOSA REDENÇÃO Fevereiro 2018

Atualidades da Igreja USO DE DROGAS NO CARNAVAL: INFORMAÇÃO É A MELHOR PREVENÇÃO Brasil, país do Carnaval. Esse é um dos adjetivos atribuídos à nossa grande Nação, povoada por seus mais de 208 milhões de habitantes, segundo a última atualização do IBGE, publicada em outubro de 2017. O nosso País é reconhecido mundialmente pela sua diversidade de ritmos e cores, musicalidade e diversidade cultural de seu povo, colocados em evidência a cada ano neste curto período que antecede a Quarta-feira de Cinzas. Contudo, infelizmente, essa combinação de sons, cores e tons possui um aditivo que não raras vezes, ao invés de produzir diversão nos quatro dias mais esperados do ano, conduz na verdade a resultados desastrosos: este aditivo é o uso e o abuso de substâncias lícitas ou não, que alteram de modo significativo as funções do nosso organismo. Ou, simplesmente dizendo, o carnaval brasileiro, além da sua natural alegria e irreverência, infelizmente está associado ao uso abusivo das mais diversas drogas. O uso de drogas está diretamente relacionado ao crescimento de outros dados não menos assombrosos: o aumento da violência em todos os âmbitos (a cada quatro minutos uma mulher era agredida no Rio de Janeiro nos quatro dias de folia nacional no ano passado, e na maioria das denúncias seus agressores estavam sob efeito de drogas ou álcool), das tragédias em nossas rodovias, quase sempre com consequências fatais (por exemplo, em 2017, o número de mortes nas estradas durante o carnaval cresceu 23,9% com relação aos casos registrados no mesmo período no ano passado, embora o número de acidentes tenha caído 5,3%), do número de pessoas infectadas pelo HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis e também de gestações não planejadas e indesejadas, que, por sua vez, culminam com o aborto e até a morte de mulheres que o realizam em clínicas clandestinas ou tentam “resolver este problema” por meio de soluções por assim dizer, “caseiras”. Tudo isso porque, com o uso de álcool ou outros entorpecentes, aumenta-se a vulnerabilidade, e se pensa muito menos as consequências dos próprios atos. Vejamos a seguir, um elenco das drogas mais difundidas e utilizadas no país atualmente. Algumas delas, embora ilícitas, são muito acessíveis, sobretudo no carnaval, devido não somente ao custo, mas também à sua forma de utilização: MACONHA: extraída da planta Cannabis sativa, normalmente é utilizada em cigarros (como o conhecido “baseado”), bongs e cachimbos. Seus efeitos podem variar de acordo com cada organismo, a quantidade assumida e o estado emocional. Podem gerar euforia, mas também angústia e medo. Fisicamente, pode causar tremores e sudorese, além da famosa vermelhidão dos olhos. LSD: dietilamida do ácido lisérgico. Popularmente, também é conhecida como “doce” ou ácido. É produzida em laboratórios, portando sintética, e é muito potente, mesmo em pequenas quantidades. É utilizada por ingestão e vendida sob a forma de um pequeno pedaço de papel, que é colocado embaixo da língua. Também é usado através de conta-gotas, bebidas ou selos de cartas. Não possui odor, cor ou sabor, o que facilita a sua difusão em clubes, danceterias e trios-elétricos. Entre seus efeitos, destacam-se as alucinações, pupilas dilatadas, aumento dos batimentos cardíacos e da temperatura do corpo, sudorese, tremores, perda do sono e perda de apetite. COCAÍNA: pequenos cristais brancos de cloridrato de cocaína, uma substância natural, extraída das folhas da coca, uma planta exclusiva da América do Sul. Embora, aspirar é a forma de uso mais comum, pode também ser diluída em água. Seu efeito mais conhecido é a grande sensação de euforia, porém doses muito altas podem gerar alucinações graves e mania de perseguição. Passado o seu efeito, o usuário pode sentir uma profunda depressão. Fevereiro 2018 Revista COPIOSA REDENÇÃO 7