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edição de 5 de fevereiro de 2018

STORYTELLER

STORYTELLER OlenaKlymenok/iStock A morte de meu cão Acho que o melhor lugar para enterrar um cão é no coração de seu dono LuLa Vieira Meu cachorro está morrendo. Eu devia ter uns dez, 11 anos, quando li um artigo na revista Seleções, que nunca esqueci. Era escrito por um colunista de um pequeno jornal do interior dos Estados Unidos, que respondia a um leitor que lhe perguntara sobre qual seria o melhor lugar para enterrar seu cão. Ele escreveu: “Pensei muito antes de responder, pois também tenho um cachorro. Ou melhor: eu sou de um cachorro que gosto muito e sei que pela ordem natural das coisas ele há de morrer antes de mim. Já andei pensando para onde devia levá-lo quando ele se fosse. Moro numa casa de quintal grande, com muitas árvores que fica numa região de bosques. Há nas proximidades um riacho pequeno, de águas limpas. Eu adoro esse lugar, sei que ele também. Já pensei que, quando chegar a hora, devo enterrá-lo sob uma árvore que por um motivo qualquer ele adotou como sua. É para lá que primeiro ele se vai quando saímos para passear e é nela que, por seu costume ancestral, deixa sua marca para que todos de sua espécie saibam que lhe pertence. É na sua sombra que ele senta e fica farejando o ar, embriagado com as variedades de cheiros e as infinitas mensagens que o mundo lhe manda. Sei que sua capacidade de sentir tudo que o cerca através dos odores é muitas vezes maior que a minha. Sou capaz de perceber sua alegria em receber o mundo através do focinho. As velhas raízes dessa árvore poderão ser um túmulo digno dele, sem dúvida. Mas eu falei do riacho. A raça de meu cão é de caçadores e o mergulho para ele é uma diversão impagável. Imagino que há gerações outros cães de sua espécie se acostumaram a buscar a ave abatida que tenha eventualmente caído na água. Nem ele, nem nenhum de seus pais e avós, pelo que sei, teve de buscar um pato ou um marreco dentro de um rio ou lago. Mas sua alegria ao entrar espanando líquido, mesmo nas temperaturas mais frias, me faz pensar que, mesmo sem saber por que, ele se sente feliz. Pensei em escavar um túmulo na beira deste curso de água, justamente onde há um laguinho. Lá, ele vai poder ouvir o ruído da água, como parece que faz ao sentar para descansar. Mas eu tenho também tido algumas ideias diferentes sobre o melhor lugar para enterrar meu cachorro. Eu sei quanto ele gosta da minha companhia e da companhia de meus filhos. Nas noites de inverno, vai para perto de nós, escolhe o lugar mais confortável diante da lareira, olha para cada um e coloca o focinho entre as patas. Em poucos minutos está dormindo. Eu me sinto mais tranquilo, mais pertencente àquele ambiente, um pouco mais feliz por ter uma família e um lugar onde reuni-la. Por isso, pensei em enterrar meu cão o mais próximo de casa, talvez no próprio quintal, para que ele possa ouvir as vozes das crianças e os barulhos naturais da casa onde viveu. E também para que eu possa colocar uma pequena placa com seu nome, numa lembrança dos dias que temos vivido juntos. Há também o campo de basquete, onde ele faz questão de ficar latindo como se fosse para incentivar os jogadores ou a piscina, onde ele está proibido de entrar e talvez por isso fique rodeando velozmente quando alguém está nadando. Perto destes lugares existem jardins bons para receber o corpo de meu cachorro quando ele morrer. No entanto, eu sei que existe um lugar ainda melhor para enterrá-lo. Um lugar onde seja possível chamá-lo para passear quando eu quiser, a qualquer hora, sob qualquer tempo. Um lugar onde ele possa fazer tudo o que quer e gosta, sem nenhum tipo de limitações. Um lugar onde a idade, o frio, o calor, os perigos não mais existam e ele possa ser permanentemente o amigo que sempre foi. Um lugar onde sua infinita curiosidade não lhe traga nenhum risco e ele possa cheirar qualquer planta, perseguir qualquer coisa que ande, pular para tentar agarrar tudo que voa. Lá ele poderá ficar para sempre, muito bem, muito feliz. Acho que o melhor lugar para enterrar um cão é no coração de seu dono”. Lula Vieira é publicitário, diretor da Mesa Consultoria de Comunicação, radialista, escritor, editor e professor lulavieira@grupomesa.com.br 36 5 de fevereiro de 2018 - jornal propmark

marcaS Samsung Brasil explora atributos aspiracionais em nova campanha Alinhada ao conceito global Do What You Can't, companhia investe em comunicação assinada pela Purple Cow e desdobramentos pela Cheil Empresa se alinha ao posicionamento global Do What You Can’t e traz menino fã de Kenny G como estrela de nova comunicação Danúbia Paraizo Vitinho é um garoto à frente do seu tempo. Conheceu o som de Kenny G no elevador e, a partir daí, nunca mais foi o mesmo. Com ajuda da tecnologia, aprendeu a tocar saxofone, rompeu preconceitos e foi além. Esse é o pano de fundo da nova campanha institucional da Samsung Brasil, sob o mote global Do What You Can’t. A peça começou a ser veiculada no digital e cinemas na semana passada, e aborda como a tecnologia e a inovação podem ser catalisadores do potencial humano. Criado pela agência Purple Cow com produção da Corazon Filmes, o vídeo traz a assinatura A gente faz mais que produtos para você ir além e tem como pano de fundo os benefícios que a companhia oferece aos consumidores. “No ano passado, a Samsung se tornou a sexta marca mais valiosa do mundo. E uma das razões é porque começamos a mudar a comunicação. Deixamos de focar apenas em atributos funcionais e de produto para uma comunicação mais emocional e aspiracional. A gente quer se tornar uma marca amada, então todo esse trabalho corporativo é feito para essa construção”, destacou Andréa Mello, diretora de marketing corporativo e de consumer electronics da Samsung Brasil. Dentro dessa proposta de deixar seu propósito para os consumidores, a marca apresentou na semana passada, em São Paulo, as iniciativas institucionais que vai trabalhar ao longo do ano para reforçar seus benefícios: Samsung Care, Samsung Club, Samsung Social e Samsung Conecta. Destaque para os investimentos em parcerias com entidades sociais ligadas ao esporte e educação. Além da renovação do patrocínio ao Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima e ao Instituto Gabriel Medina, a companhia anunciou parceria com a Fundação Gol de Letra, idealizada pelos ex-jogadores Raí e Leonardo. A entidade tem trabalho de apoio a crianças e jovens e completa no fim do ano duas décadas. “Quanto mais você trabalha com a formação das pessoas, mais a responsabilidade cresce e você precisa investir mais em pessoas capazes. Para a gente é muito simbólica essa parceria porque nosso trabalho já envolve educação, cultura e esporte, agora plugamos um braço de tecnologia”, ressaltou Raí durante a cerimônia de lançamento do projeto. Ainda no quesito esporte, o técnico Tite segue como embaixador da marca para este ano e estrela, a partir desta semana, a websérie É mais jogo, criada pela agência Cheil. Já na área de educação, a companhia acaba de assinar parceria com o Instituto Paulo “Deixamos De focar apenas em atributos funcionais e De proDuto para uma comunicação mais emocional e aspiracional” Divulgação Freire. Na iniciativa Alfabetização Cidadã, a Samsung fornece equipamentos e tecnologia para que alunos de 18 a 83 anos possam aprender a ler e escrever, alcançando mais autonomia. O curso vai atender a 300 alunos, a maioria integrantes de cooperativas que trabalham com descarte de resíduos. As aulas são realizadas no próprio local de trabalho, duas vezes por semana, com duas horas e meia de duração cada. O projeto terá campanha que mostrará a história de alguns desses protagonistas reais e será veiculada nos cinemas e no digital. A criação também é da agência Cheil. “Com iniciativas que colocam os consumidores sempre como os verdadeiros protagonistas de suas histórias, a Samsung reforça que é muito mais que produtos. Queremos inspirar as pessoas para que elas superem os seus desafios e possam ir além, fazendo o que, até então, acreditavam ser impossível”, finaliza Andréa. jornal propmark - 5 de fevereiro de 2018 37