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SABER PROFISSIONAL EM

SABER PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL – UMA PERSPETIVA ETNOGRÁFICO-SITUACIONAL ÍNDICE ÍNDICE CAPÍTULO 1 O SABER PROFISSIONAL EM CONTEXTO DE TRABALHO E INTERAÇÃO SOCIAL.............................................. (Telmo H. Caria) CAPÍTULO 2 A DUALIDADE DO SABER PROFISSIONAL: UMA ABORDAGEM SOCIOCOGNITIVA........................................... (Telmo H. Caria) CAPÍTULO 3 2.1. Da especificidade do saber profissional................................................................... 13 2.2. Saber na ação e hierarquia cultural: o problema sociocognitivo.................. 15 2.3. Operar com dois sistemas cognitivos: a hipótese sociocognitiva................. 21 2.4. Cognição, linguagem e oralidade: a hipótese de mediação cultural sociocognitiva .............................................................................................................................. 2.5. Dualidade da reflexividade e do improviso prático: uma releitura sociológica...................................................................................................................................... 2.6. Aprofundar a passagem do sistema 1 ao 2: conclusão....................................... 41 O SITUADO, O TÁCITO E O QUOTIDIANO DO SABER: CONTRIBUIÇÕES MICROSSOCIOLÓGICAS..................... (Telmo H. Caria) 3.1. O situacional nas teorias sociais interaccionistas................................................. 43 3.2. Cognição situada e produção (local) dos enquadramentos sociais.............. 47 3.3. Aprendizagens implícitas e saber tácito.................................................................. 52 3.4. Saber tácito: do incorporado e colectivo ao relacional...................................... 55 3.5. O mundo intersubjetivo da atitude natural............................................................. 58 3.6. Da atitude natural ao reconhecimento de juízos e erros prático................... 61 3.7. Saber profissional e quotidiano: esboço do modelo de análise..................... 64 CAPÍTULO 4 UMA ESTRATÉGIA ETNOGRÁFICA DE INVESTIGAÇÃO PARA O SABER PROFISSIONAL.................................. (Telmo H. Caria e Filipa César) 4.1. O fazer e o poder etnográficos: repensar o princípio da compreensão...... 68 4.2. Atividades e locais de trabalho: repensar o princípio holístico...................... 70 4.3. Recontextualização do planeado: escolha da amostra e acessos ao terreno.... 72 4.4. Recontextualização do planeado: negociação do campo de observação........... 75 4.5. Enquadramentro social do terreno: a integração da etnógrafa..................... 77 4.6. Enquadramento social do terreno: as rotinas e as perturbações da interação......................................................................................................................................... 82 4.7. O saber profissional-metodológico etnográfico....................................................... 89 CAPÍTULO 5 TRAJETÓRIAS E CONTEXTOS DE TRABALHO SOCIAL: UMA ABORDAGEM COMPARATIVA EM SERVIÇO SOCIAL................................................................................... 93 (Fernando Pereira, Telmo H. Caria e Raquel Biltes) 5.1. Visão comparada das três profissionais-participante....................................... 94 5.2. Síntese final.......................................................................................................................... 113 7 13 26 32 43 67 CAPÍTULO 6. DA NARRATIVA ETNOGRÁFICA À ANÁLISE SITUACIONAL DO SERVIÇO SOCIAL............................................... 115 (Telmo H. Caria e Octávio Sacramento) 6.1. Texto, filtros e realidade.................................................................................................. 115 6.2. Narrativa e situações de trabalho socia.................................................................... 118 6.3. Delineamento do modelo de análise situacional................................................... 122 6.4. O texto-diário em análise: a escolha das assistentes sociais........................... 124 6.5. Sentido contextual das situações de trabalho em Serviço Social.................. 128 6.6. Conclusão.............................................................................................................................. 136 CAPÍTULO 7 FORMAS DE CONTROLO SITUACIONAL E SABERES PROFISSIONAIS EM SERVIÇO SOCIAL............................. 137 (Telmo H. Caria e Octávio Sacramento) 7.1. Agência profissional e controlo (inter)situacional.............................................. 138 7.2. Variação da autonomia-controlo profissional das situações de trabalho.. 140 7.3. Saberes profissionais em situação.................................................................................. 144 7.4. Controlo e saber profissional em situação.................................................................. 165 7.5. Etnométodos profissionais: uma matriz de procedimentos em aberto..... 171 CAPÍTULO 8 ANTROPOLOGIA, MORALIDADE E SABER PROFISSIONAL (COMENTÁRIO CRÍTICO)......................................... 175 (Elizabeth Challinor) 8.1. Antropologia e Etnografia................................................................................................ 175 8.2. Moralidade e saber profissional................................................................................... 177 CAPÍTULO 9 FORMAS DE CONTROLO SITUACIONAL E SABERES PROFISSIONAIS EM SERVIÇO SOCIAL 181 (COMENTÁRIO CRÍTICO).................................................................................................................................. (Francisco Branco) 9.1. Etnografia, saber profissional e práticas em serviço social............................ 181 9.2. Contextos de trabalho, saberes tácitos e saberes informais em serviço social................................................................................................................................................. 183 9.3. Saberes tácitos, sistemas abstratos de conhecimento e formação em serviço social...................................................................................................................................... 184 9.4. Uma última nota, aparentemente lateral, mas a que atribuímos importância........ 186 NOTAS BIOGRÁFICAS................................................................................................................................... 187 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................................................. 189 4

SABER PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL – UMA PERSPETIVA ETNOGRÁFICO-SITUACIONAL EXCERTO CAPÍTULO 7 TELMOCARIA FERNANDOPEREIRA crescem em importância relativa com a maior autonomia nos dois formatos de controlo, pois uma maior previsibilidade na mudança e uma menor fragmentação dos processos de trabalho geram mais possibilidades de se saber proceder com o vivido-a-prazo e com o tempo presente-futuro. 7.5. ETNOMÉTODOS PROFISSIONAIS: UMA MATRIZ DE PROCEDIMENTOS EM ABERTO O conjunto dos dados que acabámos de apresentar podem ter ainda uma outra leitura, dado que, como ficou evidente nos quadros 7.8 e 7.9, a autonomia profissional à escala micro, enquanto etnométodo, nas duas formas e modos de proceder na interação social, ainda que estatisticamente associados, não caminham sempre a par. Como vimos, encontramos situações aparentemente opostas e por isso tendencialmente paradoxais, a saber: (a) formas de autonomia-controlo que salientam uma maior agência profissional no proceder-fazer, como a “mudança prevista” e a “continuidade”, em situações que contêm saber rotineiro, isto, um proceder-falar que evidencia menor agência profissional; (b) ou situações com saberes relativos ao vivido-a-prazo, como o saber justificativo e o saber prospetivo – reveladoras de maior agência profissional, dado remeterem para uma maior capacidade das profissionais para não agiram apenas no presente e no imediato – que ocorrem no decurso de formas de autonomia-controlo profissional que indicam menor agência profissional, como na “descontinuidade” e na “mudança forçada”. Neste contexto, podemos dizer que não há (nem tem que haver) uma consistência entre os dois formatos da autonomia profissional, dado que estamos a referir-nos a um grupo profissional que, como vimos no capítulo 2, incorpora uma posição social intermédia na estrutura social a que deve em grande parte a sua dualidade sociocognitiva: é um grupo profissional que ao mesmo tempo que exerce poder sobre outros (ou partilha poder com outros) perante (e com) utentes, trabalhadores do serviço, outros profissionais e pares da profissão) no âmbito do proceder-fazer, também pode estar na posição de subordinação formal ao poder de outros (hierarquia organizacional, prescrições da tutela política central, identidade social legítima atribuída pela hierarquia académica da profissão, dependência da investigação sobre a evidência científica de suporte à prática, etc.) particularmente no âmbito do proceder-falar, dado este poder ter uma dependência mais estreita de hierarquias de conhecimento baseadas nas disputas simbólicas que ocorrem nos campos universitário, educativo-formal e político-ideológico. Deste ponto de vista, podemos dizer que os etnométodos profissionais caracterizam-se pela associação desigual e heterogénea do proceder-fazer com o proceder-falar em cada situação, que não se confunde com uma identificação genérica dos profissionais como, mais ou menos, subordinados (ou autónomos) aos constrangimentos institucionais. Cada profissional atravessa múltiplas situações de trabalho, umas em que evidencia maior subordinação aos constrangimentos e outras em que, pelo contrário, evidencia maior agência profissional na instituição. O que define esta diversidade é, na nossa hipótese, o que existe no contexto de trabalho de situacional na interação, e não outras explicações exteriores. 171 SABER PROFISSIONAL EM TRABALHO SOCIAL UMA PRESPETIVA ETNOGRÁFICA - SITUACIONAL Apenas a título indicativo, o quadro 7.10 permite-nos identificar a configuração heterogénea e desigual que os etnométodos podem assumir de acordo com o modelo de análise que apresentámos: uma matriz de 54 formatos possíveis, resultantes do cruzamento de seis colunas de saberes por nove linhas de autonomia-controlo situacional (com as respetivas frequências) para os mesmos 100%, de 806 situações no total. Quadro 7.10 - Frequência da diversidade situacional dos etnométodos profissionais SABER PROFISSIONAL (proceder - falar) Autonomia- Saber Saber Saber Saber Saber controlo situacional rotineiro improvisado normativo prenunciativo justificativo (proceder-fazer) Descontinuidade- 62 37 1 17 7 mudança forçada 7,7% 4,6% 1,7% 2,1% 0,9% Continuidade 34 12 17 6 3 parcial- mudança 4,2% 1,5% 2,1% 0,7% 0,4% forçada Descontinuidade- 24 8 16 4 3 mudança suscitada 3,0% 21,0% 2,0% 0,5% 0,4% Continuidade 27 13 8 6 5 parcial- mudança 3,3% 1,6% 1,0% 0,7% 0,6% suscitada Descontinuidade- 85 12 22 11 8 mudança prevista 10,5% 1,5% 2,7% 1,4% 1,0% Continuidade- 2 3 2 0 0 mudança forçada 0,2% 0,4% 0,2% 0,0% 0,0% Continuidade 107 11 31 21 11 parcialmudança prevista 13,3% 1,4% 3,8% 2,6% 1,4% Continuidademudança suscitada 1,0% 0,6% 0,5% 0,9% 0,4% 8 5 4 7 3 Continuidademudança prevista 3,7% 1,0% 2,1% 2,7% 1,0% 30 8 17 22 8 Fonte: Texto-diário do trabalho de campo do estudo etnográfico Saber prospetivo 4 0,5% 3 0,4% 5 0,6% 1 0,1% 7 0,9% 1 0,1% 14 1,7% 0 0,0% 10 1,2% Repare-se que, com base neste quadro-matriz e nas hipóteses formuladas quanto às relações de poder que podem estar envolvidas nos etnométodos, existem, hipoteticamente, dois posicionamentos situacionais opostos e extremos: (1) o primeiro, centrado no canto superior esquerdo da matriz, em que o proceder-falar da ação apenas situado no tempo presente (rotina e improviso) em associação com o proceder-fazer em que existe menor controlo situacional (descontinuidade e mudança forçada) implica, hipoteticamente, uma forma de interação social em que existe uma subordinação real e completa do profissional face aos constrangimentos institucionais existentes, reproduzindo, automaticamente, as relações de poder existentes sem ativar qualquer tipo de reflexividade na ação; (2) o segundo, centrado no canto inferior direito da matriz, em que o proceder-falar da ação situado na vivência-a-prazo (saber justificativo e saber prospetivo) em associação com o proceder-fazer em que existe maior controlo situacional (continuidade completa e 172 APOIOS 5

Hiléia - Edição Nº. 6 - uea - pós graduação
nº30
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