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Revista Seleções Carnavalescas 2018

Seleções Carnavalescas - Poços de Caldas 2018

Tita conta à

Tita conta à Seleções memórias inusitadas e marcantes do Carnaval Historiadora, que comandou a escola de samba do Chico Rei, lembra de personagens que chamavam atenção nas ruas Sambenê, acendedor de lâmpadas, e Maria Luiza Vieira dos Santos, Rainha do Chico Rei (fotos: arquivo pessoal) “O Carnaval tem que ser livre e aberto para que as pessoas se libertem. É a hora que o povo extravasa as mágoas, as tristezas, a depressão, a repressão. Tudo isso na hora do sorriso. Uma sociedade que não sorri não pode ser uma sociedade feliz”. Essa fala da historiadora Maria José de Souza, conhecida como Tita, resume bem a importância da festa carnavalesca. Ela disse isso enquanto conversava com a reportagem da Seleções, convidada a dividir conosco as memórias que tem do Reinado de Momo. Ela comandou o bloco e escola de samba Chico Rei, nas décadas de 1970 e 1980, mas desde os anos 50 participa da festa nas ruas de Poços de Caldas. Tita se recorda, entre risadas, de personagens que alegravam as ruas durante sua infância e adolescência. O casal de “noivos” que ia e voltava na Praça Pedro Sanches e não sorria para ninguém, o concurso de fantasias, as festas no Country Club Tita com o presidente José Clementino Neto 8 Seleções Carnavalescas 2018 • 66 anos

e o homem que tocava uma fedorenta “sanfona”, feita de costela de boi. “Costela de boi! Ele abria e vinha um mal cheiro... Ele passava alguma coisa para tentar aliviar, mas ainda ficava um cheiro de azedo. Nessa época não precisava de muita coisa, a gente pegava uma frigideira, um garfo ou faca, e ficava fazendo ‘tec,tec,tec’. Esse era o Carnaval de Poços”. Na Praça Pedro Sanches, onde acontecia grande parte da festa, o cenário mudava durante o Carnaval. Segundo Tita, nos dias normais, a calçada onde ficavam as lojas era restrita aos ricos. “Na praça andavam os negros. No Carnaval isso não existia, não tinha como. É uma festa integradora, solidária. E de alegria, porque todos vão participar juntos”. À medida que o tempo passou, ela se envolveu no movimento negro e tornou-se presidente do Chico Rei Clube, hoje Centro de Cultura Afro-brasileira Chico Rei. O grupo fazia um dos blocos mais animados da cidade, sob o som do maracatu. Em 1977, passou a ser uma escola de samba e a então presidente teve que estudar bastante. Ela menciona que o desfile terminava com uma ala que representava todos os orixás. “Eu fui estudar como é que faz enredo. Quando você vê uma escola passar, você tem que ler igual a um livro. Ler do começo ao fim o que ela está apresentando. Nós montamos a escola de samba no modelo do Rio Mestre-sala e porta-bandeira do Chico Rei Chico Rei chamava atenção nas ruas durante o Carnaval de Janeiro. Com ala das baianas, abre-alas, carro alegórico, contando uma história. Eu me lembro que o enredo foi ‘O negro fez a nossa história’”. Desde então, o Carnaval poços-caldense passou por diversas transformações, assim como o Chico Rei, que hoje é um dos blocos mais bonitos de Poços. Mas o que não mudou é a união de pessoas de todas as classes, raças e idades em uma só festa. “É uma festa de integração. No Carnaval de rua não tem jeito de você ter preconceito”. Seleções Carnavalescas 2018 • 66 anos 9

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