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INTERNACIONAL SECTION

INTERNACIONAL SECTION NAME 14 DONALD TRUMP: A DECISÃO HISTÓRICA QUE MUDOU O MUNDO DIPLOMÁTICO INTERNACIONAL O Presidente norte-americano, Donald Trump, volta a estar envolto em polémica, desta vez com uma decisão histórica que abrange um outro país: passou a reconhecer a cidade de Jerusalém como capital de Israel. Telavive deixa, assim, de ter o estatuto de capital israelita. O anúncio de Trump representa uma rotura com décadas de neutralidade da diplomacia norte-americana na questão israelo-palestiniana. Os países com representação diplomática em Israel têm as embaixadas em Telavive, em conformidade com o princípio, consagrado em resoluções das Nações Unidas, de que o estatuto de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelitas e palestinianos. “ Velhos problemas exigem soluções novas”. Esta foi a frase usada por Trump, referindo-se a uma lei norte-americana de 1995 que solicitava a Washington a mudança da embaixada para Jerusalém, mas essa medida nunca foi aplicada, porque os Presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama adiaram a sua implementação, a cada seis meses, com base em “interesses nacionais”. Trump, contrariamente aos presidentes que o antecederam, decidiu marcar o seu nome na História mundial com uma decisão com impacto na comunidade internacional. Os Estados Unidos transformam-se, assim, no único país do mundo a reconhecer Jerusalém como capital de Israel. De acordo com o princípio consagrado pelas Nações Unidas, o estatuto de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelitas e palestinianos. Protestos contra a decisão de Trump Já são vários os palestinianos que morreram, na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, durante os protestos contra a decisão de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e transferir a embaixada americana para lá. Janeiro | 2018

15 INTERNACIONAL CONNECTION Depois das orações muçulmanas, vários palestinianos atearam fogo a pneus e apedrejaram soldados israelitas, que responderam com bombas de gás lacrimogéneo. Segundo os últimos dados do ministro da Saúde de Gaza, Ashraf al-Kidra, 82 palestinianos ficaram feridos em confrontos ao longo da fronteira. Já os médicos ouvidos pela agência Reuters citam 150 feridos. Entenda o conflito O reconhecimento de Jerusalém como capital é considerado polémico, uma vez que Israel, que tomou o controlo da parte oriental da cidade durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, considera a Cidade Santa como a sua capital indivisível, enquanto os palestinianos desejam que Jerusalém Oriental seja a capital do Estado. A comunidade internacional não reconhece a reivindicação israelita sobre a cidade como um todo e mantém as suas embaixadas em Telavive. Os palestinianos – e o mundo árabe e muçulmano em geral – ficaram indignados com o anúncio de Trump, que veio reverter décadas de política externa dos EUA sobre Jerusalém. Os aliados europeus de Washington e a Rússia também manifestaram preocupações com a decisão de Trump. Trump ameaça territórios palestinianos Entretanto, a embaixadora norte-americana na ONU sugeriu que os EUA podem vir a cortar o financiamento à agência das Nações Unidas para os palestinianos (UNRWA) por estes terem declarado que os EUA já não são mediadores neutros no processo de paz, no rescaldo da decisão do Presidente norte-americano de declarar que a disputada cidade é a capital de Israel. Como vem a ser hábito, foi através da rede social Twitter que Trump se posicionou acerca do assunto: “Não é só ao Paquistão que pagamos milhares de milhões de dólares para nada, mas também a muitos outros países e outros”, escreveu. “Por exemplo, pagamos aos palestinianos CENTENAS DE MILHÕES DE DÓLARES por ano e não obtemos qualquer estima ou respeito. Eles nem sequer querem negociar um há muito esperado tratado de paz com Israel. Tirámos Jerusalém da mesa, a parte mais difícil da negociação, mas Israel, por causa disso, terá de pagar mais. Mas com os palestinianos a dizerem que já não querem negociar a paz, porque é que haveríamos de manter estes pagamentos maciços no futuro?” Em resposta à ameaça de Trump, a Organização para a Libertação da Palestina, que integra a Autoridade Palestiniana, acusou Trump de estar “a sabotar a busca pela paz” na região: “Os direitos dos palestinianos não estão à venda”, sublinhou o grupo político no Twitter. “Ao reconhecer a Jerusalém Ocupada como a capital de Israel, Donald Trump não só violou a lei internacional [à luz da qual a cidade é tida como um território ocupado] como, sozinho, destruiu os próprios alicerces da paz, aceitando a anexação ilegal da cidade por Israel. Não seremos chantageados. O Presidente Trump sabotou a nossa busca pela paz, a liberdade e a justiça. Agora, atreve-se a culpar os palestinianos pelas consequências das suas ações irresponsáveis.” Este é um dos maiores conflitos lançados pelo governo de Trump, que não abala apenas o mundo diplomático como a Paz entre as nações. Janeiro | 2018

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