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Revista MB Rural Ed 34

LUCRATIVIDADE ESCALA DE

LUCRATIVIDADE ESCALA DE PRODUÇÃO NA Adilson de Paula Almeida Aguiar Zootecnista / Professor / Consultor FAZU/CONSULPEC MG adilson@consupec.com.br PECUÁRIA COMO ELA ESTÁ IMPACTANDO OS NEGÓCIOS DO PRODUTOR Uma empresa de pecuária de corte tem suas particularidades próprias do negócio em si. Uma das mais evidentes é o montante de capital imobilizado em ativos permanentes e de médio prazo como também em custos fixos e em despesas administrativas. Como que estas particularidades impactam o negócio de produção de carne bovina? Um consultor, ao visitar uma propriedade pela primeira vez, com o objetivo de emitir um diagnóstico ele inicia seu trabalho com o inventário dos recursos disponíveis: climáticos, solos, infraestrutura, rebanho, recursos humanos, tecnologias adotadas, recursos financeiros. Ao terminar o inventario é possível diagnosticar que: (a) a maior parte do capital está imobilizada no ativo, terra (entre 81 e 89,4%). O capital imobilizado em terra resulta em um custo de oportunidade do capital investido neste ativo que pode corresponder a 16% do custo de produção de uma arroba; (b) que por menor que seja a propriedade há muito capital imobilizado em benfeitorias e edificações, podendo representar 35% do capital imobilizado. Todos estes ativos são classificados como permanentes e de baixa liquidez; (c) capital em maquinas, implementos e veículos, podendo representar R$ 1 milhão e R$ 114 por hectare de área útil. Por sua vez estes ativos são classificados como médios e de media liquidez. Tanto ativos permanentes e médios são depreciados (com exceção do ativo, terra) ao longo de sua vida útil e uma taxa de remuneração deste capital deve ser apropriada para o calculo dos custos fixos, os quais podem representar entre 12 a 71% do custo da arroba produzida; (d) em muitas empresas as despesas administrativas podem ser representativas, variando de 3 a 24% do custo da arroba produzida; e) por menor que seja a propriedade se a mesma não for operada pelo proprietário deverá ser operada por alguém contratado e este contrato irá gerar um custo com mão de obra permanente, o qual pode representar 17% dos custos. Por outro lado aquele consultor vai também diagnosticar que o numero de animais do rebanho é relativamente pequeno e que os custos variáveis para custear este rebanho também são relativamente baixos. Em fazendas de cria, o capital imobilizado no rebanho representa apenas 8,1 a 14,5% do capital imobilizado na atividade, enquanto que em fazendas de recria:engorda aqueles valores variam entre 9,2 a 16,3%. 10 EDIÇÃO 34 | ANO 07 | NOV/DEZ 2017

Animais e dinheiro para o custeio são por sua vez ativos circulantes e de alta liquidez. Com baixas taxas de lotação o custeio (mão de obra variável, reprodução, manejo de pastagens, suplementação, sanidade, etc.) com os animais também é relativamente muito baixo. Em fazendas de cria o custeio com o rebanho representa em média 2,75 e 4,8%, enquanto em fazendas de recria:engorda varia entre 1,65 e 5,36% do capital imobilizado. A análise das relações, ativos circulantes:ativos médios e permanentes possibilita a avaliação da “saúde” da empresa em termos financeiros. Neste sentido o que é mais frequente, na quase totalidade dos diagnósticos que eu tenho feito nos últimos 15 anos é concluir que a “saúde” das empresas de pecuária de corte vai mal porque a maior proporção do capital está imobilizado em ativos de baixa liquidez e que não impactam a produção e a produtividade diretamente. Então qual parâmetro pode ser analisado para diagnosticar se a “saúde econômica” da atividade pecuária vai bem ou mal? A rentabilidade ou o retorno sobre o capital investido no negócio reflete a eficiência de como a atividade vem sendo gerida. O retorno sobre o capital investido na atividade de cria, incluindo o ativo, terra, varia em média entre 1,54 e 2,76%, enquanto que em fazendas de recria:engorda o retorno sobre o capital investido varia entre 1,8 e 6,8%. A pergunta é, qual, ou quais, ações deveriam ser tomadas pelo produtor para aumentar o retorno do seu negócio na pecuária de corte. A resposta passa pelo aumento da escala de produção. Basicamente são duas as estratégias para se alcançar tal objetivo: o aumento da escala pela estratégia do crescimento horizontal, comprando mais terras e mais animais, estratégia tradicionalmente adotada há séculos pelos pecuaristas brasileiros. Ou pela estratégia do crescimento vertical, aumentando a taxa de lotação da terra já em uso e do desempenho dos animais do rebanho, aumentando assim a produtividade da terra. No “benchmarking” 2013 dos clientes da empresa Exagro, ficou demonstrada a alta correlação entre desempenho por animal e lucro por hectare (R2 = 0,90) e entre produtividade por hectare (arrobas/ha) e lucro por hectare (R2 = 0,986). Por outro lado no “benchmarking” da safra 2016:2017 de 184 propriedades de clientes da empresa Inttegra o aumento no desempenho individual e da taxa de lotação foram as variáveis que mais impactaram no aumento do lucro por hectare por ano. Veja: para cada R$ 1 de aumento no preço de venda da arroba o lucro aumentou em R$ 10,7/ha/ano; para cada R$ 1 de economia no custo por cabeça por mês o lucro aumentou em R$ 25/ha/ano; para cada 0,1 UA/ha de aumento na taxa de lotação, o lucro aumentou em R$ 45,3/ha/ano, por outro lado para cada 0,1 kg/dia de aumento no ganho médio diário houve um aumento no lucro de R$ 265/ha/ano. Conclui-se que a adoção de técnicas e de tecnologias que possibilitam aumentos no desempenho por animal (aumentos nas taxas de fertilidade, de nascimento e de desmama, do peso à desmama; do ganho médio diário ...) e da taxa de lotação das pastagens, concorre para o aumento da produtividade da terra de pastagem (kg de bezerros desmamados/ha/ano, kg de carcaça/ ha/ano ...) e da escala de produção da propriedade no sentido vertical, resultando em redução da proporção do capital imobilizado no ativo, terra, e aumento da proporção do capital nos ativos animal e custeio, ativos estes circulantes e de alta liquidez, tornando a atividade rentável e competitiva. EDIÇÃO 34 | ANO 07 | NOV/DEZ 2017 11

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