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Revista MB Rural Ed 34

Mauricio Bassani

Mauricio Bassani Zootecnista/Zoofértil mauricio_bassani@yahoo.com FERTILIDADE DO SOLO PERFIL DO SOLO TRABALHE E COLHA BEM MAIS Se gastar demais assusta, produzir pouco é um filme de terror para qualquer produtor rural brasileiro que tenha foco no lucro. Neste sentido, nossa referência produtiva é visual, pois observamos firmemente o crescimento vegetativo de nossas culturas – tanto lavouras quanto pastagens. Já o sistema radicular, na maioria dos casos, é negligenciado a práticas de adubação e corretivos, ou seja, quando falamos das raízes de nossas culturas, na maioria dos casos, apenas “cumprimos tabela”. Sendo assim, neste artigo vamos discutir alguns pontos essenciais para que o solo contribua decisivamente com o sucesso da atividade rural. Venha conosco, pois com certeza há muita coisa para conversarmos. Em artigos anteriores, já tratamos das falhas no aproveitamento dos adubos e as perdas diretas de capital por não nos atentarmos simplesmente ao pH do solo. Também já tratamos da importância da Matéria orgânica para a sustentabilidade produtiva. Ainda sim, o tema solos é bem mais amplo. Deste modo, um dos aspectos mais importantes que temos que ressaltar é que a produtividade está diretamente relacionada a fertilidade no perfil do solo, ou seja, a fertilidade no solo no sentido mais amplo: desde a camada superficial com a qual trabalhamos mais intensamente via corretivos e adubos, bem como nos perfis subsuperficiais, ou seja, abaixo da camada arável do solo. Sendo assim, se realmente queremos altas produtividades, tanto na pecuária quanto na agricultura, temos que investir na construção da fertilidade no perfil do solo, sob todos seus aspectos químicos, físicos e biológicos. Do contrário, estaremos sempre a mercê de sistemas radiculares superficiais, que podem não atender ao potencial produtivo da planta, bem como ser extremamente susceptíveis aos riscos climáticos comuns mesmos nas áreas agrícolas tradicionais. Tudo começa com um bom diagnóstico técnico. Podemos avaliar os aspectos físicos, tais como adensamentos e compactações; aspectos químicos, tais como falta de nutrientes essenciais para o desenvolvimento radicular e / ou presença de elementos tóxicos; bem como os aspectos biológicos que dizem respeito à sanidade do solo e a potencial vida microbiológica. O importante é que, antes de se tomar uma decisão, tenhamos um diagnóstico feito com profissionalismo e experiência. São inúmeros os trabalhos mostrando benefícios do aprofundamento radicular na produtividade. Neste sentido, nossa recomendação é que o produtor amplie sua avaliação do perfil do solo quanto à fertilidade. Se sempre trabalhou avaliando seu solo apenas até 20 cm que passe a buscar realizar o diagnóstico e intervenções trabalhando a melhoria da fertilidade até 40 cm. A meta é dobrar o “tanque de combustível” ofertando 12 EDIÇÃO 34 | ANO 07 | NOV/DEZ 2017

mais nutrientes e água através de práticas que possam gerar sistemas radiculares mais profundos. Dentre as bases de um bom diagnóstico também recomendamos que seja feito um estudo completo de todas as características químicas e físicas do solo. Neste sentido, o uso rotineiro de equipamentos específicos para verificação do grau de compactação. Com relação às amostragens do solo, nossa indicação é que a mesma seja feita com metodologia específica inclusive envolvendo o uso de GPS a fim de possibilitar comparações futuras. Sendo assim, todas as avaliações devem ser feitas com muito planejamento, critério e calma. Investir tempo, pessoas capacitadas e capital no correto diagnóstico é essencial para que possamos tomar decisões que realmente promovam o incremento da produtividade com o menor gasto financeiro possível. Após o diagnóstico, todas intervenções devem observar também a realidade operacional, financeira e produtiva do produtor. Com estas informações, técnico qualificado poderá montar um bom plano viável e inteligente que promova a melhoria e a construção da fertilidade no perfil do solo a partir das ferramentas disponíveis. Todo este trabalho, se bem implementado, traz benefícios a todo o sistema. Possibilitará às plantas expressar melhor seu potencial produtivo, bem como trará mais rentabilidade ao produtor. Cabe reforçar também os benefícios contra riscos climáticos. A segurança produtiva, via aprofundamento das raízes e redução do risco de estresse hídrico, minimiza as possíveis perdas na produtividade em função de veranicos. Dentre as estratégias disponíveis, o uso de fertilizantes químicos como calcário, fosfatos, cloreto de potássio, gesso e outras fontes de nutrientes (inclusive de micronutrientes) são muito importantes para a construção da fertilidade no perfil do solo, mas devem ser feitas com qualidade e quantidades compatíveis com o objetivo desejado. Ainda sim, é importante ressaltar que nutrientes sem ambiente físico e, consequentemente, sem ambiente biológico não tem muito sucesso. A absorção de nutrientes também está ligada a adequada aeração do solo. Ambientes compactados além de prejudicarem diretamente o crescimento das raízes podem também limitar a absorção de nutrientes pelas raízes em função das alterações na densidade do solo. A inclusão de gramíneas tropicais com alta produção de massa também tem sido crescente a cada dia. Nas fazendas de pecuária tem ocorrido via ajuste de nível tecnológico – fornecendo ao sistema os nutrientes essenciais para que estas plantas se tornem perenes e tragam a consequente melhoria do sistema solo. Na agricultura, graças ao sistema radicular extremamente agressivo, as gramíneas tropicais têm sido muito eficazes para reduzir também compactação moderada. Além disso, em ambos os sistemas também promovem a melhoria da drenagem, conservação do solo e reciclagem de nutrientes. Diante destes fatos, acreditamos que o uso de gramíneas tropicais com o aproveitamento e/ou aporte de fertilizantes deve se tornar mais comum em todos os sistemas agropecuários. Fato este que reforça a tese na qual acreditamos de que a cada dia mais, a Integração Lavoura /pecuária será o melhor caminho para a maioria das propriedades. Finalmente, para todos nós os desafios principais são o tempo e o dinheiro. Sendo assim, recomendamos que o tema seja aprofundado individualmente. Afinal, construir a fertilidade no perfil do solo não se trata de uma ação instantânea, mas é um ponto fundamental dentro das estratégias voltadas ao incremento da produtividade. Além disso, pode colaborar claramente com a necessária redução de custos, melhorar o aproveitamento de todos os investimentos (máquinas, adubos, insumos e materiais genéticos) e trazer mais segurança ao processo produtivo. Sendo assim, lembre-se: “Seu solo é seu maior patrimônio” e trabalhar na construção da fertilidade do perfil do solo é investir em sistemas mais produtivos e seguros. Contem conosco! EDIÇÃO 34 | ANO 07 | NOV/DEZ 2017 13

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