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Revista MB Rural Ed 34

Pedro Henrique Rezende

Pedro Henrique Rezende de Alcântara, Zootecnista MSc Embrapa Pesca e Aquicultura pedro.alcantara@embrapa.br SUPLEMENTAÇÃO A BUSCA PELA EFICIÊNCIA NA BOVINOCULTURA DE CORTE A pecuária de corte brasileira é praticada majoritariamente a pasto, isso não é novidade para ninguém. Porém, o que nem todos sabem é que nas últimas duas décadas a pecuária brasileira experimentou um aumento de produtividade superior a 100% (Abiec, 2016). Esse aumento de produtividade permitiu elevar a nossa produção de carne e ao mesmo tempo reduzir cerca de 20 milhões de ha no mesmo período. Ou seja, aumentar a produtividade reduz a pressão sobre áreas de mata nativa, é o chamado efeito poupa terra. Diante deste cenário, resta a dúvida: como aumentar a eficiência e a rentabilidade do meu sistema de produção de gado de corte a pasto? AUMENTO DA PRODUTIVIDADE EM SISTEMAS A PASTO A grosso modo, temos duas ferramentas muito eficientes para aumento da produtividade a pasto: manejo da pastagem (notadamente adubação e pastejo) e a suplementação alimentar. Estas tecnologias isoladamente ou associadas causam grande impacto na rentabilidade dos sistemas de produção de carne a pasto, quando bem aplicadas. Há de se atentar para o fato de que a adoção de novas tecnologias, especialmente aquelas que envolvem custo, deve ser orientada por um consultor técnico experiente e competente. Caso isso não seja respeitado, corre-se o risco de piorar o resultado econômico da fazenda. No Brasil Central, observamos características muito distintas entre as estações do ano. Os pastos apresentam uma variação elevada quanto à produção e qualidade da forragem produzida ao longo do ano. No período chuvoso temos alta produção de matéria seca (MS) de boa qualidade nutricional (se bem manejado). Por sua vez, no período seco a produção de MS é praticamente nula e nota-se queda brusca da qualidade nutricional da forragem. Mesmo dentro da estação chuvosa ou seca, observamos variações nessas características das pastagens destacando os períodos de transição seca/águas e águas/seca. Além disso, a depender do manejo de pastagem utilizado podemos ter respostas diversas na produção e valor nutricional das forrageiras. Uma vez que a suplementação é utilizada para suprir as deficiências nutricionais das pastagens, devemos adaptar a estratégia de suplementação de acordo com as características das pastagens. 34 EDIÇÃO 34 | ANO 07 | NOV/DEZ 2017

O QUE CONSIDERAR NO PLANEJAMENTO DA SUPLEMENTAÇÃO? Passo fundamental para o sucesso de um programa de suplementação o planejamento deve ser feito com antecedência. Na seca, deve-se planejar a suplementação para as águas e vice-versa. Isso permite a compra de insumos (grãos e minerais) em períodos estratégicos, reduzindo o custo. Ainda na fase de planejamento é necessário conhecer quais serão as categorias suplementadas e qual o desempenho desejado considerando o custo benefício da suplementação. As exigências nutricionais para ganho são pouco alteradas em função da estação do ano. Assim sendo, a composição da pastagem será o determinante das características do suplemento a ser utilizado, independente se você está nas águas ou na seca. Como conhecer essa composição? Realizando análises bromatológicas periódicas do pasto. É possível no campo observar pastos diferidos ou oriundos de integração lavoura pecuária na seca com qualidade nutricional superior a pastos mal manejados nas águas. Portanto, não é possível determinar a suplementação baseado apenas na estação do ano. QUAL TIPO DE SUPLEMENTAÇÃO UTILIZAR? Detmann et al. (2010) analisaram dados de diversos experimentos em pastos tradicionais (sem adubação nitrogenada) nas águas e observaram um déficit de proteína na dieta de animais em recria e terminação. Se considerarmos um animal em recria com ganho de peso desejado de 1,0 kg/dia, a relação nutrientes digestíveis totais/proteína bruta é de aproximadamente 5,33 (Valadares-Filho, 2016). Observando dados de composição de pastagens nas águas (Tabela 1) observamos déficit proteico. Nessa situação a suplementação proteica, provavelmente, trará incrementos de produtividade. Alimento NDT (%) PB (%) Relação NDT:PB Andropogon 53,56 7,16 7,48 Mombaça 59,00 10,15 5,81 Massai 41,19 7,49 5,50 Marandu 63,73 9,53 6,69 Colonião 50,80 8,18 6,21 Capim elefante 50,35 7,00 7,19 Tifton 68 55,55 13,40 4,15 Alimento NDT (%) PB (%) Relação NDT:PB Andropogon 53,56 7,16 7,48 Mombaça 59,00 10,15 5,81 Massai 41,19 7,49 5,50 Marandu 63,73 9,53 6,69 Colonião 50,80 8,18 6,21 Capim elefante 50,35 7,00 7,19 Tifton 68 55,55 13,40 4,15 Fonte: Adaptado de Valadares-Filho et al. (2017). Se considerarmos um sistema de produção intensivo a pasto, no qual são realizadas adubações periódicas, a qualidade nutricional da pastagem apresenta alto valor nutricional, especialmente teor de proteína bruta (Tabela 2). Nesse caso, a deficiência passa a ser energética, portanto, as características do suplemento devem ser adequadas para aproveitar o potencial proteico do capim. De que forma? Trabalhando com suplementos energéticos. Um estudo realizado por Dórea e Santos (2015) demonstrou experimentalmente esta assertiva, ao comparar estudos que envolveram 2.591 animais. Concluiu-se que em forragem de alta qualidade (PB >= 11,4%), não há efeito da suplementação proteica. Pastagem NDT (%) PB (%) Relação NDT:PB Mombaça 59,00% 13,03% 4,53 Marandu 63,73% 13,65% 4,67 Colonião 50,80% 16,30% 3,12 Capim elefante 50,35% 17,30% 2,91 Tifton 68 55,55% 22,10% 2,51 Pastagem NDT (%) PB (%) Relação Fonte: Adaptado de Valadares-Filho et al. (2017) e Santos e Dórea (2013). Mombaça 59,00% 13,03% 4,5 Marandu 63,73% 13,65% 4,6 TROCANDO EM MIÚDOS Colonião 50,80% 16,30% 3,1 A suplementação alimentar de animais a pasto é uma ferramenta essencial para a intensificação dos sistemas de produção de carne. Não se recomenda ao produtor implantar um programa de suplementação alimentar sem orientação de um técnico especializado, isso pode gerar custos que não sejam superados pelos ganhos oriundos dessa tecnologia. Seguindo os critérios adequados o produtor tem muito a ganhar com o uso da suplementação a pasto. Capim elefante 50,35% 17,30% 2,9 Tifton 68 55,55% 22,10% 2,5 EDIÇÃO 34 | ANO 07 | NOV/DEZ 2017 35

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