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Revista MB Rural Ed 34

Danilo Figueiredo

Danilo Figueiredo Zootecnista danilomarfigueiredo@gmail.com ECONOMIA RURAL AÇÕES ESTRATÉGICAS PARA AUMENTO DA PRODUÇÃO PECUÁRIA DEVEM ESTAR INTERLIGADAS EM UM ÚNICO PROJETO, SOMENTE ASSIM A ATIVIDADE PODE SER COMPARADA ÀS MAIS RENTÁVEIS DO CAMPO Há 40 anos atrás o pecuarista brasileiro tinha como referência de eficiência na produtividade a capacidade de abertura de novas áreas e a consolidação das fazendas de gado em regiões de expansão. As propriedades eram valorizadas pelas aguadas naturais, índice pluviométrico e logística, essa última na maioria das vezes viabilizada pelo próprio produtor ou por um conjunto de produtores interessados em desenvolver uma determinada região, sem ação efetiva do estado. Paralelo a esse despertar econômico do setor, a pecuária brasileira desenvolveu de maneira peculiar a sua genética, nutrição, manejo e sanidade, com profissionalismo necessário para nos levar aos dias de hoje, onde somos reconhecidos como gigantes mundiais na produção de proteína animal. O tempo correu, as terras valorizaram de acordo com sua aptidão e a logística passou a ser uma necessidade não só dos produtores, mas também do estado. O Brasil apresentou novas áreas para exploração e junto a elas particularidades climáticas, de solo e relevo que passaram a redesenhar a pecuária de acordo com as condições oferecidas pelo país continental. Contudo, alguns parâmetros do negócio pecuário formaram interseções importantes para análise da viabilidade econômica da atividade. O pecuarista desbravador do passado se vê na obrigação de enxergar sua propriedade em números. A agricultura ensinou uma nova forma de avaliação da produtividade por área efetiva de produção, e além de plantar tecnologia no campo, plantou também uma grande interrogação nos modelos de produção pecuária de vanguarda. Quantas arrobas produzo por hectare de área aberta? Qual o custo da arroba produzida? Qual margem de lucro real é deixada pela atividade? Daí em diante o produtor passa a entender a “Intensificação da pecuária” como modelo capaz de andar junto ao crescimento tecnológico da lavoura e obter níveis de retorno compatíveis com o uso máximo da terra. Visão Estratégica: Tempo/Área Efetiva das Pastagens/Sazonalidade de Produção do Capim. A permanecia do animal na fazenda, seja bezerro ou garrote, determina o nível de investimento necessário para transformá-lo em boi gordo e consequentemente a taxa de retorno do investimento. Essa categoria animal deve ser encarada como ativo circulante de capital, 36 EDIÇÃO 34 | ANO 07 | NOV/DEZ 2017

portanto, o tempo gasto para realização da venda do animal terminado será determinante das margens de lucro vindouras. Considerando que a recria deve ter como meta o desenvolvimento de pelo menos o dobro das arrobas compradas, ou seja, levar um bezerro de 6@ comprado com ágil (valor variável) para no mínimo 12@, o cálculo do custo da arroba produzida na recria estará estritamente relacionado ao tempo de permanência do animal nessa fase. A variação dos resultados de campo é enorme e reflete o modelo adotado pelo criador, mas a recria feita em ciclo curto (como base de regra de 8 a 14 meses em sistemas intensivos ou semi intensivos), entrega o garrote para a engorda com seu custo de compra diluído, trazendo o custo final do animal recriado de 12 a 14@ para patamares mais adequados à saúde financeira do sistema. Vale ressaltar que o sistema de produção adotado é determinante para o resultado de ganho de peso, mas no sistema tradicional que não está em discussão aqui, experimentamos permanências de até 2 anos dos animais na fase de recria, com ganhos entre 3 e 4 arrobas por ano, transformando o capital de giro em praticamente ativo fixo, com pouca mobilidade e de baixo rendimento. Após analisamos o fator tempo, os outros dois fatores nos remetem ao entendimento global da atividade pecuária quando necessitamos de eficiência do uso da terra e do capital que dispomos, sendo eles a aérea efetiva de pastagem e a sazonalidade de produção do capim. Quando analisamos a área efetiva das pastagens buscamos entender a capacidade de produção de forragem previamente calculada, logicamente de acordo com nível de investimento aplicado nessa pastagem, que aponta o suporte de peso vivo animal que cabe na área e que sustente os ganhos de peso esperados. Concluímos então que a capacidade suporte de uma propriedade possui um único limitador, o tamanho da área; os outros aspectos de variação, sistema pastoril (capins de alta produção, tamanho dos pastos, pastejo alternado, rotacionado e etc) e lotação em cabeças por hectare (depende do peso animal inserido no sistema), são variáveis que conseguimos interferir e moldar estrategicamente o sistema para máxima capacidade de exploração. Já a sazonalidade de produção das forragens é um fator não negociável com a natureza, a não ser que implementemos um sistema de irrigação, que tem custo elevado e manejo complexo, não questionando aqui a sua viabilidade. Devemos extrair desse raciocínio que o principal fator determinante da capacidade de lotação das nossas propriedades são os meses onde os animais consomem o estoque de forragem sem reposição natural da mesma, ou seja, o período de seca. Além do período de estiagem que normalmente é definido, esbarramos no momento crítico da seca que compreende, com variações específicas de acordo com a região, o período final da estação seca, meados de setembro e outubro e com o início do período chuvoso em meados a final de novembro. Nesse período, o peso ideal de gado nas pastagens deve ser o menor possível, pois devemos permitir que as pastagens se reestabeleçam com vigor e volume, ao mesmo tempo que não ocorram perdas de EDIÇÃO 34 | ANO 07 | NOV/DEZ 2017 37

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