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Ecos-da-alma-número-1

01 DE NOVEMBRO DE 2016

01 DE NOVEMBRO DE 2016 Nº 1 CIVITAS SOLIS PUBLICAÇÕES As palavras formosas, portanto, mantém a recordação do mundo divino, lembrando ao homem de que ele vive sob o olhar dos seres divinos e que não devem esquecer seus preceitos. É através delas que os homens se lembram que estão destinados à Terra eterna, a Terra sem Males, e à imortalidade. A busca da Terra sem Males é, portanto, a busca fundamental. Mas, para o guarani, não há ruptura entre a existência finita na ‘yyy mba’emegua’ (a terra má), imperfeita e condenada à destruição, e a ‘yyy mara ey’ (a Terra sem Males). Para se atingir a Terra sem Males sem passar pela prova da morte, para alcançar o kandire, a imortalidade, é necessário atingir o aguyje: a perfeição, a completude. É possível ser homem e contudo tornar-se deus, ser mortal e imortal, concepção que une os extremos numa unidade. Mas como superar esses aparentes paradoxos? Como atingir a completude e a Terra sem Males? Isso é possível através de um processo quíntuplo: "As primeiras palavras formosas dos nossos irmãos guaranis falam à alma brasileira como uma luz que emerge das sombras. Podem nos mostrar um caminho de retorno aos fundamentos dos quais tanto carece nosso povo no mundo atual". (BOECHAT, 2014) Mbaraete:força espiritual, nascida de uma compreensão clara da absoluta limitação e da natureza ilusória do eu comum (autoconhecimento), que por sua vez é consequência direta do amadurecimento através das experiências na vida. Py’aguachu (Py’a = peito, coração; guachu: grande): o anseio pela vida espiritual, o fogo da busca, que pouco a pouco purifica o coração. Mburu: perseverança obstinada; uma vontade totalmente dirigida à meta espiritual, disposta a se render completamente ao objetivo supremo. Na linguagem cristã, a rendição à vontade divina (Senhor, que se faça a Tua vontade). Mborarayu: reciprocidade, uma atitude renovada, “se abster de fazer múltiplas coisas”, dedicando-se ao essencial; também traduzindo-se como amor, solicitude e amizade, pois exterioriza-se em atos de auto-doação, em amor ao próximo. Como consequência, se manifesta o Aguyje: o estado de completude, de união com o divino em si. Em outras palavras, o ensinamento guarani nos instrui que o colibri divino habita o coração de todo ser humano, mas na maioria dos homens como ovo, não-nascido. É necessário, portanto, em primeiro lugar, que o ovo se abra e a alma-colibri nasça (ou, na linguagem Rosacruz, que a rosa se abra). A partir daí, o ser humano será conduzido às questões fundamentais: quem eu sou? De onde vim? Para onde vou? Uma nova alma nasce, a alma-colibri ou alma-palavra, transmitindo a CIVITASSOLIS.ORG.BR 10

01 DE NOVEMBRO DE 2016 Nº 1 CIVITAS SOLIS PUBLICAÇÕES saudade dos deuses e levando à busca espiritual. À medida que se abre espaço para essa voz da alma, à medida que se comece a compreender a sabedoria do coração e se deixe conduzir por ela, o colibri cresce, se desenvolve, se eleva do coração à cabeça. A falsa consciência-eu pouco a pouco cede espaço à consciência divina, ao colibri, à rosa. O homem passa gradativamente a viver uma nova vida, mesmo sem passar pela morte do corpo físico: a vida imortal da nova alma, da Terra sem Males. Ele é homem, mas, segundo sua essência divina, é também Deus, ele caminha com os deuses, o divino habita seu coração, sua cabeça, todo o seu ser. Esse homem “está no mundo, mas já não é do mundo.” CIVITASSOLIS.ORG.BR 11

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