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Ecos-da-alma-número-1

01 DE NOVEMBRO DE 2016

01 DE NOVEMBRO DE 2016 Nº 1 CIVITAS SOLIS PUBLICAÇÕES sê livre dos pares de opostos e repousa sempre na lucidez da nova alma, sem esforçar-se para adquirir ou manter coisa alguma. Sê senhor de ti!” É possível perceber como esses princípios se ligam à formação da alma brasileira, da nação brasileira, que é um processo dinâmico, que ainda não se consolidou nem se cristalizou. Ainda não sendo propriamente uma nação, ou seja, não tendo consolidado uma identidade própria, a sociedade brasileira procura sublimar a sua falta de “ser” no culto da posse, do “ter”, e da aparência do “ter” e “ser”, o que esconde uma ferida profunda, um sentimento de inferioridade cultural. Um pesquisador do povo brasileiro tentou defini-lo através de suas características: “o servilismo, a humildade, a rigidez, o espírito de ordem, o sentido do dever, o gosto pela rotina, a gravidade, a sisudez”, mas também “a criatividade do aventureiro; a adaptabilidade de quem não é rígido, mas flexível; a vitalidade de quem enfrenta (ousado) azares e formas; a originalidade dos indisciplinados”. Esse conflito entre tamas e rajas também é perceptível na oposição entre feminino e masculino. Por um lado, o imaginário brasileiro é essencialmente feminino, identificando-se com a fecundidade da terra, a fartura, a imensidão de suas florestas e rios, o que surpreendeu já os primeiros portugueses. Ainda em 1500, Pero Vaz de Caminha escreveria ao rei dom Manuel seu relato da viagem ao Brasil: “Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, darse-á nela tudo, por bem das águas que tem”. Essas águas também se conectam com o culto da Virgem, que iria desenvolver-se com muita força no Brasil. "No seu domínio, o senhor de engenho era o amo e o pai, de cuja vontade e benevolência dependiam todos, já que nenhuma autoridade política ou religiosa existia que não fosse influenciada por ele.” (RIBEIRO, 1995) Por outro lado, a sociedade colonial brasileira já era fisiologicamente patriarcal, não dando espaço ao aspecto feminino da alma humana; um sistema marcado pelo poder econômico, pela ordem oligárquica, pela distância entre pobres e ricos e pela discriminação racial. A figura do senhor de engenho, símbolo da virilidade e do paternalismo, se mantém em nossa sociedade até a atualidade, ainda que transmutada em novas formas. Isso se traduz também numa percepção do cristianismo (católico ou protestante) a respeito da divindade, uma figura masculina e CIVITASSOLIS.ORG.BR 2

01 DE NOVEMBRO DE 2016 Nº 1 CIVITAS SOLIS PUBLICAÇÕES Alma Brasileira castradora, a quem se deve temer continuamente. Apesar de tudo isso, a colonização no Brasil sempre envolveu a mestiçagem, em primeiro lugar do português com o índio, o que se distingue claramente da colonização americana e outras do tipo. Muitos pensadores afirmam que isso se relaciona a algo essencial da civilização indígena guarani, o hábito de acolher no seu círculo pessoas de fora da sua cultura. Há inclusive rituais, como o nimonkaraí, em que qualquer pessoa pode receber um nome espiritual guarani após a iniciação. Mas, qual é a vocação do Brasil? O que está escondido na semente dessa nação e que pode vir a germinar? Tentaremos dar uma resposta parcial a esses questionamentos trazendo elementos de um mito do povo guarani. "O supremo mistério de ser está além de todas as categorias de pensamento. Como Kant disse, a coisa em si é não coisa. (...) O mito é aquele campo de referência àquilo que é absolutamente transcendente (...) A suprema palavra, em nossa língua, para o transcendente é Deus. Mas aí você tem um conceito, percebe? Você pensa em Deus como o pai. Agora, nas religiões em que o deus ou o criador é a mãe, o mundo inteiro é o corpo dela”. (CAMPBELL, 1988) O mito fala a respeito do primeiro ancestral, do primeiro homem, que tem uma contraparte feminina, a primeira mulher. Essa contraparte é chamada de Cunhantaí. A primeira mulher nasce das águas; ela nasce como um espelho do homem. O primeiro ancestral estava caminhando em direção a uma cachoeira, olha então nas águas e vê sua própria imagem invertida espelhada, ficando maravilhado e exclamando: “Cunhantaí!” - o que significa “que maravilha!” A mulher, portanto, é reconhecida ou nasce de um espasmo de maravilhamento, e os “dois” criam juntos o mundo. A humanidade nasce quando Cunhantaí colhe sementes das mais diversas árvores da floresta e as coloca numa cabaça (o maraca ou maracá), que é um instrumento, um chocalho. Um canto acompanha o ritmo enquanto essas sementes vão sendo chacoalhadas no maraca, e delas nascem as primeiras crianças. Em determinado momento, essas sementes “pipocam” (“pipoca” é exatamente a palavra tupi-guarani utilizada), estouram, e assim nascem as raças vermelha, branca, amarela e negra, que se espalham pelo mundo. O mito se encerra com duas profecias: a primeira diz que haverá muitos conflitos e guerras, porque os seres humanos se esqueceriam, com o passar do tempo, de sua origem única. Mas uma segunda profecia diz que haverá o momento em CIVITASSOLIS.ORG.BR 3

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