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Ecos-da-alma-número-2

15 DE MAIO DE 2017 Nº 2

15 DE MAIO DE 2017 Nº 2 CIVITAS SOLIS PUBLICAÇÕES Figura 7 - Fractais Geométricos. No entanto, em seu sentido mais profundo, não se trata do “sol físico”, e sim, como se pode intuir, da natureza verdadeira da existência, que é percebida pela consciência como uma emanação luminosa. Esse “sol” não está “fora”, mas no interior sutil de cada coisa. Uma imagem que os antigos narradores da tradição tupi evocam é a do núcleo de uma flor cujas pétalas se desdobram, ou seja, são emanações do núcleo. Além disso, as pétalas também representam diferentes níveis dimensionais da existência. Entre cinco mil e três mil anos atrás, os antigos tupis representavam essas concepções através de um círculo de pedras no chão, com uma pedra maior no centro, o que era chamado de “kuaracy korá”, a mandala do círculo do sol. Arqueólogos encontraram no sul do Brasil, em Santa Catarina e no Paraná, duas ou três mandalas desse tipo e criaram a suposição de que talvez fosse uma espécie de “relógio solar”, onde, dependendo de onde batia a sombra da pedra maior no centro do círculo, o tempo poderia ser medido. Existem estudos da Universidade Federal do Paraná que falam a respeito de uma arqueoastronomia tupi, que propõem a teoria de que esses achados arqueológicos sejam a representação do “Céu”, ou da “Via Láctea”, pelo estudo de um dos fragmentos dessas mandalas. No entanto, naquela época remota os povos não estavam preocupados em marcar o tempo, pelo menos não de acordo com o modelo de relógio da atual civilização. A mandala estampada no chão Figura 7- Os fractais são formas geométricas abstratas de uma beleza incrível, com padrões complexos que se repetem infinitamente, mesmo limitados a uma área finita. Benoit Mandelbrot constatou que todas estas formas e padrões possuíam algumas características comuns e que havia uma curiosa e interessante relação entre estes objetos e outros encontrados na natureza. Os fractais apresentam características como a auto-semelhança, dimensionalidade e complexidade infinita. CIVITASSOLIS.ORG.BR 10

15 DE MAIO DE 2017 Nº 2 CIVITAS SOLIS PUBLICAÇÕES era, na verdade, uma representação da cosmovisão ancestral e um centro catalisador de energias telúricas e sutis das naturezas terrena e divina. Nesse desenho de pedras, em lugares específicos chamados de “tapejara”, se realizavam ritos próprios, de interação entre as energias do “Céu” e as energias da “Terra”. Entre esses desenhos, o mais completo retrata três círculos concêntricos. No centro, há uma cavidade ou pedra maior. No círculo do meio, no entorno da pedra central, ficam quatro pedras, apontando para quatro direções. O círculo exterior é maior, preferencialmente formado por várias pedras, contendo, nas mesmas quatro direções, pedras maiores. Os três círculos significam os três mundos ou níveis dimensionais da existência. Segundo a sabedoria ancestral, a pedra central ou cavidade, que é o lugar onde se acende o fogo cerimonial, representa a fonte imaterial ou útero divino da vida. As quatro pedras intermediárias significam quatro direções: o nascente, o poente, o cruzeiro do sul e as trêsmarias, portais irradiadores da luz da grande Vida. O círculo de fora é o círculo da manifestação. Korá: o Círculo dos Três Mundos A palavra korá significa literalmente círculo. No sentido aqui atribuído, porém, refere-se a círculos dimensionais da existência. Na filosofia tupi, o ser humano – assim como o círculo do espaço e do tempo - se expressa em três níveis dimensionais da Vida, mas sua percepção está focada somente no nível material, que é chamado, na visão ancestral, de “sombra” do existir e não é o mundo verdadeiro. Os três círculos significam: • Círculo central: o mundo da emanação da vida. • Círculo intermediário: o mundo da modelação da vida. Figura 8 - Fractais Geométricos. • Círculo exterior: o mundo da manifestação da vida. O mundo da emanação O mundo da emanação é a fonte irradiadora da existência e possui por si só a qualidade da eternidade e da infinitude. Trata-se do mundo verdadeiro da existência. Desdobra-se em três corpos dimensionais: o corpo da Sabedoria infinita, o corpo do Amor Infinito e o corpo do Poder infinito. Na língua tupi são chamados: Mbaé-kuá, Mboray e Kuaray. O mundo da modelação O mundo da modelação representa as dimensões de existência que reúnem aspectos e energias que modelam as diversas formas de vida, as transitórias e as não transitórias. Entre esses aspectos, há quatro qualidades que são governadas por inteligências sagradas, desdobradas da Consciência Divina, que são conhecidas como “os quatro elementos”. CIVITASSOLIS.ORG.BR 11

Número 2 | 2010 - Faculdade de Direito
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