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Ecos-da-alma-número-2

15 DE MAIO DE 2017 Nº 2

15 DE MAIO DE 2017 Nº 2 CIVITAS SOLIS PUBLICAÇÕES Figura 2 - Flor da Vida. A Universalidade do Logos O termo “Logos”, encontrado no prólogo do Evangelho de João, geralmente traduzido como “Verbo” ou “Palavra”, é de origem grega, abrangendo diversos significados. Os sofistas viam no termo o sentido de “discurso”, e Aristóteles o aplicou para se referir ao "discurso fundamentado” ou ao "argumento", no campo da retórica. Heráclito de Éfeso (530-470 a.C.), no entanto, compreendia o Logos com um sentido mais amplo, como ordem e conhecimento. Segundo ele, “a ordem e o padrão podem ser percebidos, em meio ao fluxo e ao refluxo eternos e incessantes das coisas, no Logos” e “o Logos, por trás de qualquer mudança duradoura, é que faz com que o mundo se torne um cosmos e um todo ordenado” 2. A filosofia estoica também veria no Logos a ideia por detrás da manifestação universal e a fonte de energia do todo, o princípio que une a divindade à sua criação. Os textos de Platão e Aristóteles usaram os termos “logos” e “rhema”, sem aparentes distinções, com o mesmo sentido, para se referir a sentenças e proposições. A mais antiga tradução da Bíblia para o grego, a septuaginta, usou os dois termos como equivalentes, utilizando ambos para traduzir a palavra hebraica “Dabar” como a Palavra ou o Verbo de Deus. “O Logos, por trás de qualquer mudança duradoura, é que faz com que o mundo se torne um cosmos e um todo ordenado”. (HERÁCLITO DE ÉFESO) Figura 2- “A flor da vida, assim como a semente da vida, abrange a geometria dos cinco sólidos platónicos pitagóricos. [...] descrevem, geometricamente, a descida e a expansão do divino na manifestação. (Jesús Zatón, in Geometria Sagrada) 2 http://emdefesadagraca.blogspot.com.br/2012/06/doutrina-do-logos-uma-analise-historica.html CIVITASSOLIS.ORG.BR 4

15 DE MAIO DE 2017 Nº 2 CIVITAS SOLIS PUBLICAÇÕES Figura 3 - Cubo de Metatron: Seu ponto de partida é a “flor da vida”. Desse padrão obtém-se o “fruto da vida”, com 12 círculos que servem de base para o traçado do cubo. O livro de Enoque descreve a transformação de Enoque no arcanjo Metatron. O Zohar chama Metatron de “o jovem” e descreve-o como “rei dos anjos” e o identifica com o anjo que guiou os israelitas no êxodo. Segundo H.P. Blavatsky (A doutrina Secreta, v. I) Enoque, Metatron, Hermes e Thot são diferentes roupagens de uma mesma entidade que exerce o papel de escriba e “ascende” (através de sua Merkabah) até o trono de Deus. (Jesús Zatón, in Geometria Sagrada) Dentro do contexto judaico, Filo (20 a.C. – 50 d.C.), um judeu helenizado, usou o termo Logos no sentido de um ser divino intermediário ou demiurgo. Filo seguiu a distinção platônica entre a forma perfeita e a matéria imperfeita, e, por isso, seres intermediários se tornaram necessários para criar uma ponte sobre o enorme abismo entre Deus e o mundo material. O Logos, nessa concepção, seria o mais alto desses seres intermediários, e foi chamado por Filo "o primogênito de Deus” e o instrumento de Deus na criação do universo. O judaísmo fala também a respeito do “nome de Deus”, que assume diferentes formas, inclusive a forma impronunciável do Totrossiá, IHWH. Gershom Scholem diz-nos a esse respeito, quando comenta a doutrina teosófica do Zohar 3: “(...) a esfera mais alta da sabedoria divina representa algo positivo fora do alcance da inquirição, algo que não pode sequer ser visualizado no pensamento abstrato”. Essa ideia se expressa num símbolo profundo: o Zohar, e de fato a maioria dos cabalistas mais antigos questionavam o significado do primeiro verso da Torá: Bereschit bara Elohim, “No princípio Deus criou”; o que na realidade isso significa? A resposta é bem surpreendente. É-nos dito que significa Bereschit – por meio do “princípio”, isto é, dessa existência primordial que foi definida como a sabedoria de Deus, bara, criou, isto é, o Nada oculto que constitui o sujeito gramatical da palavra bara, emanou ou desdobrou-se, – o Elohim, isto é, sua emanação é Elohim. É o objeto, e não o sujeito da sentença. E o que é Elohim? Elohim é o nome de Deus, que garante a existência continuada da criação na medida em que ela representa a união do sujeito oculto Mi e do objeto oculto Elé. (As palavras hebraicas Mi e Elé têm as mesmas consoantes que o vocábulo completo Elohim.) Em outros termos, Elohim é o nome dado a Deus depois de ocorrida a disjunção do sujeito e do objeto, mas no qual este abismo é continuamente transposto ou fechado”. Figura 3 - Cubo de Matatron. Entre as cosmogonias do Egito antigo, a que se desenvolveu na cidade de Mênfis, o primeiro centro de poder do Egito unificado, falava a respeito de uma tríade divina composta pelos deuses Ptá, Sekhmet e Nefertum. Nesse sistema, Ptá era o deus criador, sempre representado como um homem com o corpo mumificado. Era considerado o criador de tudo, inclusive dos outros deuses. Além disso, Ptá era também o criador do 3 SCHOLEM, GERSHOM. As Grandes Correntes da Mística Judaica. 1995: Editora Perspectiva. CIVITASSOLIS.ORG.BR 5

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