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Ecos-da-alma-número-2

15 DE MAIO DE 2017 Nº 2

15 DE MAIO DE 2017 Nº 2 CIVITAS SOLIS PUBLICAÇÕES ka (a alma de cada ser). Atum é o criador do primeiro casal divino e um agente da vontade de Ptá, sua exteriorização, fruto de seu espírito (o “coração”) e de seu verbo (a “língua”): “Aquele que se manifestou como coração, aquele que se manifestou como língua, sob a aparência de Atum, é Ptá, o muito antigo”. Sekhmet era a esposa de Ptá, representada como uma leoa ou como uma mulher com cabeça de leoa, e Nefertum, seu filho, identificado com o próprio faraó. Segundo Mircea Eliade 4: “(...) foi em Mênfis, capital dos faraós da I dinastia, que se articulou, em torno do deus Ptá, a teologia mais sistemática. O texto capital daquilo que se denominou “teologia menfita” foi inscrito em pedra na época do faraó Shabaka (~700, aproximadamente), mas o original foi redigido cerca de dois mil anos antes. É surpreendente que a mais antiga cosmogonia egípcia até hoje conhecida seja também a mais filosófica, uma vez que Ptá criou com seu espírito (seu “coração”) e seu “verbo” (sua “língua”). “ Figura 4- Mercabá. Aquele que se manifestou como coração (=espírito), aquele que se manifestou como língua (=verbo), sob a aparência de Atum, é Ptá, o muito antigo.” Ptá é proclamado o maior dos deuses, sendo Atum considerado apenas o criador do primeiro casal divino. Foi Ptá “quem fez com que os deuses existissem”. Mais tarde, os deuses penetraram seus corpos visíveis, entrando em “todas as espécies de plantas, pedras, argila, em toda coisa que cresce no seu relevo (isto é, a Terra) e pelas quais eles podem manifestar-se”. Em suma, a teologia e a cosmogonia são efetuadas pelo poder criador do pensamento e da palavra de um único deus. Trata-se certamente da mais elevada expressão da especulação metafísica egípcia. Conforme observa John Wilson, “é no começo da história egípcia que se encontra uma doutrina que pode ser aproximada da teoria cristã do logos”. John Wilson certamente refere-se particularmente ao prólogo do Evangelho de João, onde pode ser lido: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela 5". Figura 4- Mercabá (do hebraico Merkabah) designa o trono ou o carro que transporta a alma do homem entre o céu e a terra (mer = luz, ka = espírito, e Bah = corpo), representa o corpo de luz ou o corpo da alma. Geometricamente, a Mercabá ou estrela tetraédrica é revelado pelo Cubo de Metatron. (Jesús Zatón, in Geometria Sagrada) 4 5 ELIADE, MIRCEA. História das Crenças e das Ideias Religiosas”, volume I. 2010: Jorge Zahar https://www.bibliaonline.com.br/acf/jo/1 CIVITASSOLIS.ORG.BR 6

15 DE MAIO DE 2017 Nº 2 CIVITAS SOLIS PUBLICAÇÕES Também de acordo com o texto valentiniano “O Evangelho da Verdade”, “é o Verbo que estava no pensamento e na consciência do Pai, o Verbo denominado ‘O Redentor 6”. O mesmo é verdade com relação aos textos herméticos, que, apesar de terem sua origem na Alexandria helenizada, dão testemunho de uma visão muito parecida com a teologia menfita original, como nos mostra o texto do primeiro livro do “Pimandro” ou “Poimandres” 7. Primeiro livro: Pimandro 1. Um dia, refletindo sobre as coisas essenciais e tendo o meu ânimo se elevado, aconteceu que os meus sentidos corporais adormeceram completamente, tal como ocorre com alguém que se vê vencido por profundo sono após lauta refeição ou por motivo de grande cansaço físico. 2. E me pareceu como se visse um ser impressionante, de contornos indeterminados, que, chamando-me pelo nome, me disse: 3. “O que queres ouvir e ver, e o que queres aprender e conhecer em teu Noûs*?” 4. Perguntei: “Quem és?” 5. E recebi como resposta: “Sou Pimandro, o Noûs, o ser que é de si mesmo. Sei o que desejas e estou contigo por toda parte”. 6. E eu disse: “Desejo ser instruído a respeito das coisas essenciais, compreender sua natureza e conhecer Deus. Oh, quanto eu desejo entender!” 7. E ele respondeu: “Fixa em tua consciência o que queres aprender e eu te instruirei.” 8. Com essas palavras, o seu aspecto mudou e logo a seguir tudo se tornou imediatamente claro para mim; tive uma visão prodigiosa; tudo se transformou numa serena e deleitosa luz, e eu me alegrava sobremaneira com a sua visão. 9. Pouco depois, numa parte da luz, surgiu horrível e sombria escuridão que se movia para baixo, girando em espirais tortuosas como uma serpente, segundo me pareceu. Então, essa escuridão transformou-se numa natureza úmida e indizivelmente confusa da qual se elevou 10. Então, da natureza úmida ressoou um grito, um chamado sem palavra, que comparei à voz do fogo, enquanto um Verbo sagrado se propagou da luz para a natureza e um fogo puro, sutil, impetuoso e poderoso ergueu-se fulgurando da natureza úmida. 11. O ar, pela sua leveza, seguiu o alento ígneo: elevou-se da terra e da água até o fogo, de modo que parecia pender dele. 12. A terra e a água permaneceram onde estavam, intimamente misturadas, de modo que não podiam ser observadas em separado; e eram continuamente movimentadas pelo alento do Verbo que pairava sobre elas. uma fumaça como que de fogo, enquanto produzia um som como o de um indescritível gemido. 6 O Conhecimento que Ilumina: O Evangelho da Verdade e O Evangelho de Maria. 2005: Série Cristal. Editora Rosacruz. 7 RIJCKENBORGH, J. VAN. A Gnosis Original Egípcia, vol. 1. 2006: Editora Rosacruz. CIVITASSOLIS.ORG.BR 7

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