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Ecos-da-alma-número-2

15 DE MAIO DE 2017 Nº 2

15 DE MAIO DE 2017 Nº 2 CIVITAS SOLIS PUBLICAÇÕES Ayvu Rapyta Os textos sagrados dos guaranis mbyás foram traduzidos pelo pesquisador paraguaio León Cadogan e receberam o nome de Ayvu Rapyta, “Os Fundamentos da Linguagem Humana” ou “Os Fundamentos do Ser”. Esses textos também apresentam um mito de criação muito semelhante aos já apresentados: também aqui, o Pai, a inteligência divina cria através da Palavra, do Verbo ou Logos. Esse Verbo também é denominado “o nome misterioso de Deus”, que em verdade não se diferencia do Pai. Em outras palavras, o nome de Deus ou o Logos divino é Deus mesmo. Quando o Pai, a inteligência criadora que preenche o Todo, “fala”, esse ato desencadeia a manifestação ativa de todas as propriedades do universo. O Espírito divino movimenta as águas originais, a matéria original, fazendo assim surgir o universo e suas criações, entre as quais os seres humanos. No livro “Tupã Tenondé”, de Kaká Werá 8, podemos ler que “para o pensamento guarani, ser e linguagem, alma e palavra, são uma coisa só. A palavra ayvu expressa o espírito como som vivo, sopro-luz primeiro, aquilo que é eterno em cada indivíduo e que vivifica o corpo e manifesta no reino humano sob a pele da palavra, pelo sopro que o preenche”. Através das “palavras formosas”, Nãnde Ru Tenondé, o Pai Primeiro, concebeu o universo e, em certo momento, também, o fundamento do ser humano e da linguagem “a partir de parte de sua própria divindade”, como podemos ler nesses fragmentos dos textos sagrados guaranis 9: Figura 5 - O Colibri. “Dádiva dos deuses, as belas palavras nem designam nem comunicam: só servem para celebrar sua própria divindade. Pelo menos é o que o “mito” mbyá dá a entender. (...) A linguagem destina-se ao canto, não ao conhecimento, e é bela a palavra cuja destinação primordial é comemorar o sagrado. Ñe’ë (palavra, voz, eloquência) significa também alma: ao mesmo tempo o que anima e o que, no homem, é divino e imorredouro. Duas significações que o mito acautela-se em não separar, pois esclarece que Nhamandú ergueuse e concebeu a linguagem. A palavra, a alma, é justamente o que mantém de pé, ereto, como está manifesto na ideia de que a palavra circula no esqueleto. A ligação entre palavra, ser animado e verticalidade também é visível em várias expressões cuja composição se encontre o radical “e” (dizer). (...) A expressão “e-ry mo ‘ä a”, que no vocabulário religioso designa o nome, significa “o que mantém ereto o fluxo do dizer”; e é somente quando a criança consegue ficar de pé e começa a andar que lhe é atribuído um nome, mais exatamente, o nome que é seu e marca a proveniência (leste, oeste, ou zênite) da alma-palavra que encarnou nela”. (Hélène Clastres, in “Terra sem mal: o profetismo tupi-guarani”) 8 JECUPÉ, KAKÁ WERÁ. Tupã Tenondé: A criação do Universo, da Terra e do Homem segundo a tradição oral Guarani - São Paulo: Peirópolis, 2001. 9 CADOGAN, LÉON. Antología de literatura guaraní. México: Editorial Joaquín Mortiz, 1965. CIVITASSOLIS.ORG.BR 8

15 DE MAIO DE 2017 Nº 2 CIVITAS SOLIS PUBLICAÇÕES "Na Bíblia, o homem nos é apresentado como A.D.M. [Adão] (...): o espírito, a alma e o corpo (...). A letra A é Aleph, o número 1, o número que indica a gênese, a manifestação, a fonte de onde tudo provém: o espírito. A letra D é Daleth, o número 4, o regulamentador ou a porta: a qualificação típica das funções da alma. A letra M é Mem, o número 40, o concluidor, o realizador, o executor: a forma corpórea” (RIJCKENBORGH, 2003) Nosso Pai Imanifestado, verdadeiramente o Primeiro, de uma pequena porção de sua própria divindade, da sabedoria contida em sua própria divindade e em virtude de sua sabedoria criadora, fez que se engendrasse chamas e tênue neblina. Havendo-se erguido da sabedoria contida em sua própria divindade e em virtude de sua sabedoria criadora, deu nascimento à essência da palavra-alma que viria a expressar-se: humano. Da sabedoria contida em sua própria divindade e em virtude de sua sabedoria criadora, criou nosso Pai o fundamento da linhagem-linguagem humana e fez que se pronunciasse como parte de sua própria divindade. Antes de existir a terra, em meio à Noite Primeira, antes de ter-se conhecimento das coisas, criou o fundamento da linhagem-linguagem humana que viria a tornar-se alma-palavra. A Palavra e o Ser, na Cosmovisão Tupi-Guarani (Autor convidado: Kaká Werá) Kuaracy-Korá: Cosmovisão e o Panteão Tupi Existe, na sabedoria ancestral da antiga tradição tupi, a ideia de que o mundo verdadeiro possui uma luminosidade incomparável e inenarrável, sendo a fonte de tudo que existe, de tudo que existiu e de tudo que passará a existir. É a luz que vivifica todas as diversas manifestações de vida. A esta ideia foi dado o nome “Kuaracy”. Com o tempo, essa palavra passou a designar também o sol, que vivifica a vida com seus raios. Mas, na etimologia da palavra, o termo “kuara” significa “emanação” e o termo “cy” significa “mãe”. A “Emanação Mãe” ou “Fonte Única” que tudo ilumina, a partir de sua irradiação permanente, forma a base do sistema de crenças de uma cultura muito antiga na América do Sul. Isso levou à interpretação posterior de que alguns povos deste continente foram adoradores do sol. Perceberemos isso Figura 6 - Fractais. claramente, por exemplo, ao entrarmos em contato com elementos remanescentes das antigas culturas da América Central e da América Andina, onde encontraremos inclusive templos sagrados dedicados ao sol. CIVITASSOLIS.ORG.BR 9

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