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Untitled - Ordem de Cristo

4º - O hábito dos

4º - O hábito dos Cavaleiros de Cristo seria um manto branco com uma cruz vermelha, em tudo semelhante ao da antiga Ordem. Mantendo a mesma tradição de subordinação da Ordem ao rei, em 1319 D. Dinis recebeu a homenagem do Mestre e Comendadores, passando a ser necessário a sua aprovação, a partir de 1326, para todos os actos de gestão corrente, a alienação de bens, a correcção dos costumes dos freires, a modificação do seu número, ou a destituição de comendadores. Após a criação da nova Ordem, foi feito um aviso para que todos os antigos templários se apresentassem na nova Milícia, num prazo máximo de três meses, sob pena de sujeição a castigos espirituais para os que não acatassem essa ordem. As primeiras investiduras na nova milícia realizaram-se em Castro Marim, onde o novo Mestre recebeu alguns antigos cavaleiros que, após a extinção do Templo, ainda não tinham sido integrados noutras Ordens. Apesar da instituição da sede em Castro Marim, porque não haveria no castelo instalações ou acomodações suficientes para albergar os novos cavaleiros, aí ficou sediada uma pequena força, tendo o Mestre fixado residência em Castelo Branco. Dos cinco primeiros Mestres da Ordem, nenhum residiu em Castro Marim, tendo-se fixado em Tomar logo a partir de 1322. Em 1347 era grande o estado de degradação, com a torre de menagem a ameaçar ruína e as casas do alcaide sem telhado. Em 1321, Gil Martins reuniu em Lisboa, no antigo convento dos Templários, um capítulo, que tomou por base as constituições dos cavaleiros de Calatrava. Segundo José Manuel Capêlo, pelo cálculo dos rendimentos da Ordem de Cristo, fixou-se que ela devia contar, pelo menos, oitenta e quatro membros, dos quais sessenta e nove seriam freires cavaleiros e os restantes freires clérigos. Ficou igualmente determinado que dez cavaleiros acompanhariam constantemente o Mestre; estes cavaleiros não poderiam ter nenhuma comenda, e seriam mantidos pela mesa-mestral. Em Novembro desse mesmo ano morreu Gil Martins, sendo eleito em Capítulo João Lourenço como novo Mestre da Milícia de Cristo. No mesmo tempo, regressaram os freires ao convento de Tomar. As Ordenações de 1321 e de 1326 atribuem-lhe um rendimento de 10800 libras por ano, fixando-lhe uma comunidade de trinta freires; um comendador-mor com um séquito de dois cavaleiros, um celareiro, um vestiário, dez cavaleiros, nove clérigos e seis freires serventes. Em 1357, Castro Marim perdeu o estatuto de sede da Ordem, que passou definitivamente para Tomar. Em Maio desse mesmo ano, morre D. Afonso IV; Rodrigo Eanes, 5º Mestre da Ordem, por ter apoiado o rei defunto na sua contendo com o Infante D. Pedro, após a aclamação deste decide entregar o Governo da Ordem, e em Novembro, perante o abade de Alcobaça, o comendador-mor Vasco Martins, e outros dignitários da Milícia de Cristo, renuncia à sua função e dignidade. Aproveitando o Capítulo extraordinário reunido para esse fim, e mantendo a tradição da escolha do novo Mestre por voto directo, foi escolhido para

151 novo Mestre, Nuno Rodrigues Freire de Andrade, que a 30 do mesmo mês é elevado a procurador plenipotenciário da Milícia e Convento de Cristo. Em 1374, devido ao falecimento de Nuno Rodrigues, será eleito Lopo Dias de Sousa como Mestre, e em Maio desse ano foi feito procurador da Ordem e Convento de Cristo, com todos os poderes inerentes à função. Este foi o último Mestre eleito pela comunidade. Em 1418, o papa Martinho V concede a D. João I o direito de Cruzada, reconhecendo-lhe o direito a Ceuta e às outras cidades magrebinas que viesse a conquistar, convidando os príncipes da cristandade a colaborarem com o monarca português na sua luta contra os infiéis, concedendo indulgência plenária a todos os que participassem nessa nova Cruzada. Por solicitação do rei, em Novembro de 1420, o infante D. Henrique era nomeado administrador perpétuo da Ordem de Cristo, pela bula “Eximie Devocionis affectus”, recebendo um ano depois a confirmação régia de todos os privilégios a que o mestrado dava direito. O infante pediu ao papa autorização para fazer a revisão das ordenações e estatutos da Ordem de Cristo, reformando-os de acordo com as alterações que a Ordem havia sofrido, vindo o pontífice a encarregar D. João Vicente, bispo de Lamego, para proceder às necessárias alterações. Em 1443, o papa Eugénio IV concede favores especiais à Milícia de Cristo, e autoriza o infante D. Henrique a receber o hábito, professando na Ordem sem ter de abdicar do seu património, que poderia continuar a administrar, dando-lhe o direito de dispor dele em testamento. Os votos básicos da Ordem, Pobreza, Obediência e Castidade, começavam a ser modificados. D. Afonso V, em 1449, confirmava à Ordem de Cristo todos os privilégios, graças, mercês e liberdades, anteriormente outorgadas pelos monarcas portugueses, e em 1455, o papa Nicolau V confirmava as doações feitas pelo rei ao infante D. Henrique e à Ordem, reconhecendo-lhes o direito de conquista e ocupação de todas as terras, portos, ilhas e mares de África, conquistadas ou a conquistar, com a respectiva jurisdição temporal e espiritual. Em 1484, o quarto governador da Ordem, D. Diogo, duque de Viseu, foi executado por D. João II, por conspirar contra o rei, sendo o seu irmão D. Manuel, duque de Beja, escolhido como seu sucessor, o quinto governador. Em Maio de 1487, o papa Inocêncio VIII confirmou a nomeação e em 1485, por morte de D. João II, D. Manuel foi aclamado rei de Portugal. Pela primeira vez, o governo do Reino e o governo da Ordem estiveram centralizados na mesma pessoa. O rei iniciou profundas alterações na estrutura da Ordem. Foram feitas obras no convento de Tomar, que alteraram a sua estrutura original. A charola foi aberta a Ocidente e novas estruturas foram acrescentadas. Mas o papel que até aí tinha pertencido à Ordem de Cristo começou a ser transferido para outra Ordem: a dos frades Jerónimos. A Igreja construída em Belém em 1415, pelo Infante D. Henrique, dedicada a Nossa Senhora dos Reis, ou Nossa Senhora da Estrela, envolvida por um pequeno convento de freires de Cristo e pertencente à Ordem, foi demolida, e os seus residentes

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