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Untitled - Ordem de Cristo

Dos mantos dos irmãos

Dos mantos dos irmãos 27. Mandamos que os mantos sejam sempre de uma cor, a saber: branca, preta ou burel. Concedemos a todos os irmãos o manto branco tanto no verão como no Inverno, não sendo em tempo algum lícito trazer mantos brancos ou capas da dita cor senão aos Cavaleiros de Cristo. Para que aqueles que abandonaram a vida tenebrosa do mundo, a exemplo dos mantos brancos, se achem reconciliados com o Criador. Significa isto que a brancura sanciona a pureza. A pureza é a segurança de ânimo e a saúde do corpo, porque se um irmão não guardar pureza não poderá atingir a eterna felicidade nem ver a Deus, como afirma o Apóstolo: Pacem sequimini cum omnibus et sanctimoniam sine qua nemo videbit Deum (13), que vem a ser "Guardai paz com todos, guardai pureza sem a qual nenhum verá a Deus". 28. Porque de usarem os criados e escudeiros mantos brancos se seguiram graves inconvenientes, isto que, sem ordem e decreto do Capítulo, se usava na Casa de Deus e dos Cavaleiros do Templo proibimos totalmente e o tiramos como vício muito escandaloso. Levantaram-se nas partes ultramarinas falsos irmãos, casados, bem como outros que se chamavam irmãos do Templo sendo do mundo. Estes ocasionaram-nos muitos danos e perseguições e assim como à ordem de cavalaria. E os escudeiros ensoberbecendo-se causaram não poucos escândalos. Usem, pois mantos pretos e se os não acharem dessa cor vistam do que se puder achar na região ou o mais barato manto que se puder comprar, como o burel. 29. Mas porque este manto nem há-de mostrar vaidade nem gala, determinamos de comum consentimento que nenhum irmão use peles preciosas para seu manto, nem para cobertor, senão peles de cordeiro ou carneiro. Mandamos que seja de tal feitio que cada um só se possa vestir, despir, calçar e descalçar. O roupeiro providencie com amor fraternal o ajuste da medida, para que os olhos dos murmuradores que tudo censuram não tenham que notar, e em tudo considere a justiça e igualdade de Deus. Que não sejam compridos nem curtos, senão ajustados à proporção de quem os veste. O que tiver o cuidado de dar os mantos cuide com atenção das necessidades de cada um. 30. Se algum irmão com ânimo soberbo pretender os mantos mais novos e curiosos por tal pretensão deem-se-lhes os piores. Recebendo manto novo entreguem o que deixam para se guardar na rouparia ou no lugar que escolher o que tem essa incumbência. O roupeiro providencie com todo o cuidado distribuir os mantos velhos aos escudeiros e aos criados, mas a mais das vezes aos pobres. Do necessário para as camas 31. Tenha cada um seu leito decente, conforme a disposição do Mestre. Parece-nos que basta a cada um uma enxerga, travesseiro e manta. A quem faltar alguma destas três coisas dê-selhes um cobertor e em todo o tempo permita-se-lhe um lençol de linho. Não durmam sem camisa nem ceroulas e não falte luz toda a noite no dormitório dos irmãos. Convém que o roupeiro procure dar os mantos ajustados à estatura de cada um, que não seja mais largo ou curto. A todos convém usar cortados os cabelos a uma mesma proporção e pelos lados da cabeça com a mesma ordem e o mesmo se guarde na barba para que se não note o vício da demasia e gala. Dos bicos o atilhos nos sapatos 32. Não há dúvida que é de gentios levar bicos e atilhos nos sapatos. E porque isto parece tão mal a todos o proibimos, nem sequer o permitindo aos que servem por tempo determinado. E mandamos que não usem superfluidades no cabelo e nos mantos, porque aos que servem ao Soberano Criador lhes é necessário a interior e exterior pureza, afirmando-o assim quando diz: Sancti estote, quia ego sanctus sum (14), que vem a ser "Sede puros porque eu o sou" Dos cavalos e dos escudeiros

185 33. Cada irmão cavaleiro pode ter três cavalos e não mais, salvo licença do Mestre, e isso devido à muita pobreza da casa de Deus e Templo de Salomão. Pela mesma causa concedemos a cada um dos cavaleiros um escudeiro somente e, se este servir sem estipêndio ou pelo amor de Deus, a nenhum irmão é licito maltratá-lo ou castigá-lo ainda que havendo alguma culpa. Dos cavaleiros seculares que vierem servir por tempo determinado 34. A todos os cavaleiros seculares que, com pura intenção, desejem militar em serviço de Jesus Cristo na casa do Templo de Salomão, por tempo determinado, mandamos que comprem um cavalo e armas convenientes e tudo o necessário para esse efeito. Porque julgamos útil e conveniente, pedimos a ambas as partes para ajustarem o preço dos cavalos e que este se escreva para que se não esqueça. E dê-se-lhe com fraternal caridade tudo o que lhe for necessário para si, para o escudeiro o cavalo das rendas da casa e além disto os meios do cavalo, conforme as possibilidades da casa. Porém, se por algum acaso perder o cavalo no serviço da casa, dê-lhe o Mestre outro se o permitir a renda. Mas, chegado o tempo de regressar ao seu país, o cavaleiro pelo amor de Deus perdoe a metade do preço e a outra, querendo, a pode pedir à casa. Do comportamento dos irmãos 35. Convém a todos os irmãos professos que nenhuma coisa buscam que, pelo instituto que professam, pela glória do Supremo Bem ou pelo temor do Inferno, obedeçam sempre ao Mestre. Porque nada existe de mais agradável a Jesus Cristo que a obediência. Há-de guardar-se, pois esta obediência de modo que ao Mestre ou a quem tem o seu lugar obedeçam com a pontualidade e prontidão devidas ao próprio Deus. Como diz Jesus Cristo pela boca de David e é verdade: In auditu auris obedivit mihi (15), quer dizer "Em me ouvindo logo me obedece". 36. Por isso, a todos os irmãos que renunciaram à própria vontade e aos demais que servem por tempo determinado lhes mandamos, com todo o encarecimento, que, sem licença do Mestre ou de quem o substitui, se não atrevam a sair pelo lugar, salvo ao Santo Sepulcro e aos Santos Lugares que se visitam dentro dos muros da cidade de Jerusalém. 37. Os que saírem desta maneira, nem de dia nem de noite, vão sem companhia. Quando forem no exército, depois que estiverem aquartelados nenhum irmão ou escudeiro ou criado ande pelos quartéis dos demais para ver ou falar com algum sem licença, como está dito. E, assim, de comum consentimento ordenamos que nenhum irmão milite ou descanse a seu arbítrio, mas se sujeite inteiramente ao que o Mestre lhe ordenar e se esforce por seguir a palavra de Jesus Cristo, que disse: Non veni facere voluntatem meam, sed ejus qui misit me patris (16), que vem a ser : "Não vim fazer o meu gosto, mas o de quem me mandou". Que nenhum busque singularmente o que lhe for necessário 38. Mandamos que entre os demais se observe este costume para evitar o vício de cada um diligenciar para si as suas conveniências. Nenhum dos irmãos busque para si cavalos ou armas de outro. Se os seus achaques ou as poucas forças do cavalo ou o peso das armas for de tal sorte, que o ir com elas seja dano comum, represente-o ao Mestre ou ao que tiver o seu lugar e proponha-lhe com sinceridade o inconveniente e, assim, fique fraternalmente à disposição do Mestre ou do que tiver o seu lugar. Dos arreios dourados 39. Mandamos que de nenhuma parte se leve ouro ou prata nos freios, peitorais, esporas e estribos. Porém, se por amor de Deus lhos derem alguns destes instrumentos velhos e usados cubram o ouro e a prata, de sorte que o seu luzimento e riqueza a ninguém pareça vaidade. Porém, se os que vos derem forem novos, o Mestre disponha deles a seu arbítrio.

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