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Untitled - Ordem de Cristo

Em Maio

Em Maio desse mesmo ano, numa cerimónia solene que contou com a participação do Arcebispo de Évora, do Alferes-Mor do Reino, senhor Dom Afonso de Albuquerque e de outros membros da cúria régia, o rei Dom Dinis ratificou, em Santarém, a criação da nova Ordem de Cristo. E, em 4 de Janeiro de 1551, culminando um longo processo de crescente sujeição ao poder régio, o Papa Júlio III, acedendo ao pedido de D. João III, rei de Portugal, concedeu "in perpetuum" a união dos mestrados das três ordens militares à Coroa de Portugal, pela Bula "Praeclara cahrissimi". A Ordem de Cristo foi assim criada em Portugal como pela bula Ad ae exquibus de 15 de Março de 1319 pelo papa João XXII, sendo rei D. Dinis I, pouco depois da extinção da Ordem do Templo. Diz a mesma obra: «Em Portugal, os bens dos Templários ficaram «reservados» por iniciativa do rei, transitando para a coroa entre 1309 e 1310, enquanto decorria o «processo», não sem que o monarca rejeitasse o administrador nomeado por Clemente V , o bispo Estêvão de Lisboa. Esses mesmos bens passaram indemnes para a nova congregação em 26 de novembro de 1319, sendo que o papa concedera a excepção aos reis de Castela e Leão, Aragão, que se coligaram com Portugal por exigência do rei português para contrariar a execução de uma ordem papal que ordenava a sua transferência para a Ordem do Hospital.» A nova Ordem surgia, assim como uma reforma dos Templários. Tudo mudou, para ficar mais ou menos na mesma. O hábito era o mesmo, a insígnia também, com uma ligeira Cemitério é quadrangular, com um piso com cinco tramos por ala. O Claustro da Micha é quadrangular com quatro alas, enquanto o dos Corvos é também quadrangular, mas com duas galerias de dupla arcada separadas por contrafortes. Por último, o Claustro de D. João III é ainda quadrado, com chanfros nos ângulos. O Refeitório é rectangular, com abóbada de berço com nervuras formando caixotões quadrados. O Dormitório está disposto em cruz, com dois grandes corredores. Existem ainda o Claustro da Hospedaria e o Claustro de Santa Bárbara, quadrado, com quatro arcos rebaixados por ala, sobre colunas de fuste liso. Igreja da Memória: Situada bem próximo do magnífico Palácio da Ajuda, na cosmopolita Lisboa, a Igreja da Memória é um dos tesouros que a capital do País tem para oferecer. A sua construção teve início em 1760, em memória da tentativa de assassinato do rei D. José pela família Távora (a 3 de Setembro de 1758), provindo daí o seu nome. D. José retornava de um encontro com uma senhora da família Távora, sendo a sua carruagem atacada, e o Rei ferido com uma bala no braço. O Marquês de Pombal, que já tinha então problemas com a família, e gozava de poder absoluto, não perdeu a oportunidade para se vingar, acusando-os de conspiração contra a família real, tendo em 1759 sido a família executada. No Beco do Chão Salgado, na Rua de Belém, ainda hoje se encontra um pilar de homenagem à família. Os trabalhos de construção da Igreja pararam em 1762, por motivos financeiros, e só em 1781 são retomadas, já com alterações ao projecto inicial O projecto inicial esteve a cargo do Italiano Giovanni Carlo Bibienna arquitecto e cenógrafo muito conceituado na época, a condução das obras foi entregue a Mateus Vicente de Oliveira, que substituiu o arquitecto

255 alteração, e os bens, transmitidos pelo monarca, correspondiam aos bens templários. «Foi-lhe dada a regra cisterciense», continua a mesma Enciclopédia, «e nomeado mestre D. Gil Martins, igualmente mestre da Ordem de Avis, que adoptara a regra cisterciense, com a determinação de que os novos monges elegessem seu próprio mestre, depois da morte daquele. O superior espiritual da Ordem de Cristo era o abade de Alcobaça. Foi-lhe concedida como sede o castelo de Castro Marim; mas em 1357 já a sede tinha sido instalada em Tomar, anterior sede templária.» As viagens marítimas: A Cruz da Ordem de Cristo marcava as velas das caravelas que exploravam os mares desconhecidos. A 11 de junho de 1421, um capítulo reunido em Tomar adoptou como regra da Ordem de Cristo a da Ordem de Calatrava, o que resolvia quaisquer pendências de natureza espiritual e de obediência, mantendo-se assim, na esfera da cavalaria. O cargo de mestre passara após 1417 a ser exercido por membros da Casa Real Portuguesa, que se passaram a nomear administradores e governadores por nomeação papal. O primeiro Grão-mestre da nóvel Ordem de Cristo, foi o infante D. Henrique, «que a encaminhou para o que parecia ser sua «missão» inicial, a de conquista da Ásia, através das viagens marítimas, que a própria ordem financiou.» Os ideais da expansão cristã reacenderam-se no século XV quando seu Grão- Mestre, Infante D. Henrique, investiu os rendimentos da Ordem (o célebre tesouro templário) na exploração marítima. O emblema da ordem, a Cruz da Ordem de Cristo, adornava as velas das caravelas que exploravam os mares desconhecidos. Reforma da Ordem pelo rei de Portugal D. João III: A organização interna consagrada desde os tempos de D. Dinis (a de freires cavaleiros ou milites Christi) foi reformada sob D. João III em 1529, passando a Ordem à estrita clausura. Mantiveram-se porém associadas à Ordem de Cristo «uma relação privilegiada com o mundo dos símbolos e ligações à produção poética dos chamados bucolistas, que reencenariam «uma relação que já se intuíra existir Italiano. Após a referida paragem nas obras, a conclusão da Igreja foi projectada pelo Arquitecto Mateus Vicente de Oliveira, que introduziu alterações ao anterior projecto, ficando apenas por concluir os trabalhos na torre sineira aquando a morte do Arquitecto. A Igreja apresenta-se hoje em dia num gracioso estilo neo-clássico, com interior em mármore, destacando-se a sua cúpula e o célebre túmulo de Sebastião José de Carvalho e Melo, o célebre Marquês de Pombal. A Capela de Nossa Senhora da Saúde e de Santo André, geralmente conhecida sob a forma sincopada de Capela de Nossa Senhora da Saúde ou Santuário de Nossa Senhora da Saúde é um pequeno templo situado em Sacavém, na zona conhecida como Sacavém de Cima, isolada num largo que corresponde ao centro histórico da cidade – o Largo Cinco de Outubro, outrora conhecido como Largo da Saúde, Largo da Capela ou Terreiro da Capela. Orago primitivo: Santo André Na Idade Média parece ter havido, junto da actual capela, uma albergaria de peregrinos e um hospital/gafaria de leprosos (na época, as várias funções assistenciais eram exercidas pelas mesmas instituições – essencialmente corporações religiosas que se uniam debaixo de uma mesma devoção – e assim tratava-se não apenas dos peregrinos, como também dos pobres e dos leprosos) dedicado a Santo André, ao qual se achava anexo uma pequena capela. Os motivos desta invocação não são evidentes, já que o normal orago dos leprosos costuma ser São Lázaro, e o dos peregrinos, São Cristóvão. Seja como for, o antigo culto de Santo André manteve-se ao longo dos tempos, justificando assim o facto de, ainda hoje, ser o orago menor e co-patrono da capela. Orago moderno: Nossa Senhora da Saúde. A imagem tardo-medieva da Senhora da Saúde, segurando no braço esquerdo o menino Jesus. A actual ermida é certamente anterior a 1599, mas só nessa data surge a primeira referência à Senhora da Saúde. Com efeito, nesse ano uma terrível epidemia de peste ter-se-ia abatido sobre toda a cidade de Lisboa e seu termo. Segundo reza a tradição, em

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