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Untitled - Ordem de Cristo

especialistas,

especialistas, tratar-se-ia de uma representação da cura miraculosa da parteira cega que viera lavar o menino, quando do nascimento. Ora, esta cena só existe nos evangelhos apócrifos, o que faria supor que os Templários os conheciam e teriam estudado textos heréticos. O interior da igreja de Montsaunès está recheado de sinais astrológicos e alquímicos incluindo um «pêndulo de Salomão» segurado por duas personagens. Nos capitéis da porta ocidental estão representadas cenas enquadradas por pequenas colunas espiraladas coroadas por uma espécie de pequena torre ou de minarete de estilo árabe. Em Montsaunès, podemos também ver Cristo ao colo de sua mãe. A criança está vestida à maneira oriental e segura na mão um livro fechado que representa a doutrina escondida. Na porta sul, um motivo curioso encontra-se colocado no alinhamento do Sol no solstício do Inverno. Os raios do astro diurno penetram na igreja por um buraco e embatem num buraco numa laje que se encontra a cerca de três metros, no interior. Frescos mostram um veado colocado sobre um tabuleiro de xadrez branco e vermelho e um cordeiro sobre uma grade. Esta igreja abrigava uma virgem negra que foi retirada. Estamos muito longe do despojamento cisterciense. Convém também referir Tomar. Infelizmente, foram efectuados melhoramentos depois da extinção da Ordem, mas os que se dedicaram às diferentes obras eram verdadeiramente «descendentes» dos Templários, dado que se tratava da Ordem dos Cavaleiros de Cristo. A fortaleza de Tomar foi edificada por ordem de Gualdim Pais, Grão-Mestre da Ordem em Portugal. Facto curioso, depois da sua morte, em 1195, não foi enterrado na rotunda de Tomar, mas numa igreja da cidade baixa: Santa Maria do Olival. A entrada e a saída são marcadas por poços, infelizmente aterrados em grande parte, hoje em dia. Uma outra igreja, com torre octogonal, tem o nome de São João Baptista. Na fachada, um baixo-relevo, que uma esfinge nos convida a observar atentamente, representa um grande cão que designa a constelação cuja estrela principal é Sirius, ou Sothys, para os orientais. Vemos também um leão que lembra a constelação e a sua estrela, Régulus. No centro, um «Graal» deverá ser relacionado com a constelação «a Taça». Estas figuras determinam um ângulo de 34 graus. Ora, a constelação de Leão forma com a Taça e a estrela Sirius do Grande Cão um ângulo de 34 graus, à meia-noite verdadeira, a 20 de Janeiro’. Trata-se do dia em que se festeja São Sebastião, aquele miliciano romano que foi trespassado com setas antes de ser... decapitado. Mais uma cabeça cortada. Ora, São Sebastião era um dos santos preferidos dos Templários. E esse é apenas um dos segredos menores de Tomar. Mauricé Guinguand traz à luz mais algumas particularidades. Refiramos, antes de deixarmos de falar de Tomar, que o túmulo de Gualdim Pais está vazio. Os Templários e o culto das cabeças cortadas Uma das grandes chaves do segredo dos Templários encontra-se, sem dúvida, na consagração das suas igrejas. Já referimos que, cegos pelos seus preconceitos referentes tanto ao pretenso Joanismo dos Templários como ao amor de São Bernardo pela Virgem, inúmeros autores quase ligaram sistematicamente a Ordem às consagrações a Nossa Senhora e a São João. Não podemos censurá-los porque Maria assinala inúmeros locais templários, nomeadamente na Bretanha. Os Locmaria reservam, aos investigadores, muitas surpresas agradáveis sob a forma de cruzes templárias ou de capelas que pertenceram aos monges-soldados. Quanto a São João, era amiúde o baptista que designava, mais do que o evangelista. São João Baptista, o pastor cuja cabeça foi cortada. Faz-nos pensar que era habitual representaremse cabeças esculpidas na decoração das capelas e dos refeitórios dos Templários, cabeças sem os seus corpos, como na igreja de Charrière, perto de Saint-Moreil (Creuse), que era dedicada ao Baptista. Entre as numerosas capelas a que dava nome, citemos também a de Comps-sur-Artuby, no Var, onde um fresco representa a Arca da Aliança protegida por querubins com... pés fendidos. Mas deixemos de lado João Baptista-Janus, decididamente ligado ao baphomet e à sua cabeça cortada. Não nos detenhamos também em São Pedro, de quem já falámos. Pedro, demasiado ignorado pelos comentadores quando se trata dos Templários, Pedro que parece muito terra a terra mas que detém as chaves dos dois reinos e a rede dos pescadores. São Pedro, porteiro dos subterrâneos da Ordem do Templo. Mas é por outros santos que vamos interessar-nos, por aqueles que aparecem com muita frequência nas consagrações dos Templários e pelos quais ninguém se interessa. E, no entanto... São Bartolomeu, cujo nome foi dado, nomeadamente, à comenda de Puy-en-Velay, morreu esfolado vivo, após o que foi decapitado. Santo Adriano: no departamento de Morbihan, perto de Baud, cuja igreja é dedicada a São Bartolomeu, encontra-se a capela de Sain-Adrien, um dos mais belos ornamentos do vale do Balvet. Esta capela templária é um dos testemunhos da introdução do culto de Santo Adriano na Bretanha, pelos Templários. No interior da igreja, os frescos mostram, nomeadamente, São João Baptista que, em vez de estar vestido com uma pele de ovelha, enverga uma pele de boi. João Baptista, o culto do bezerro, o baphomet dos Templários. Rezava-se a Santo Adriano pela cura das doenças gástricas, a capela possuía calhau rolado redondo com o qual os peregrinos esfregavam o abdómen. Esse culto estava associado à água

97 e duas fontes vêm brotar na própria capela. No exterior, uma outra fonte é sobrepujada por uma cruz onde pode ver-se uma grinalda de... cabeças cortadas. De referir, contudo, que essa capela foi remodelada no século XVI e, portanto, não temos a certeza quanto à inspiração templária da decoração. Mas podemos assinalar que os apóstolos representados no interior estão vestidos com uniformes de Templários e de cavaleiros de São João de Jerusalém. Adriano sofreu o martírio no reinado de Maximiniano. Foi açoitado a tal ponto que as suas entranhas lhe saíam do corpo. Cortaram-lhe os pés e as pernas e, em seguida, uma mão. A mulher que o amava conservou essa mão. A sua cabeça não foi cortada, mas não restava muita coisa ligada a ela. São Maurício: uma comenda ostenta o seu nome, em Verdon. Dependia do estabelecimento de Combs-sur-Artuby. Foi esse santo que o rei René escolheu para patrono da Ordem do Crescente, mas isso é outra história mais ligada à herança do Templo do que à própria Ordem. Podemos citar a comenda de Saint-Maurice-de-Vothon, perto de Angoulême, a de Saint-Maurice-sur-Vingeanne, perto de Dijon, a capela de Saint-Maurice de Metz, a de Saint-Mauricedu-Moustoir, perto de Quimper, etc. Maurício era o chefe da legião tebana. Nesse exército havia inúmeros cristãos e quiseram obrigá-los a sacrificar aos ídolos, quando da campanha realizada na Gália. Recusaram. O imperador ordenou que escolhessem um entre cada dez deles e mandou-lhes... cortar a cabeça. São Maurício encontrava-se nesse lote. As suas relíquias e as dos seus amigos, transportadas num saco, permitiram a um padre amainar uma tempestade. Santa Catarina: encontramos, em Saône-et-Loire, uma comenda do Templo de Santa Catarina. Bem conservada, conservou as suas esculturas, nomeadamente as meias lâmpadas ornamentadas com... cabeças humanas. Em Valançay, no Indre, existia também uma capela templária com esse nome. Seria necessário lembrar a misteriosa capela de Santa Catarina de Gisors e mais algumas. Nomeadamente a capela templária subterrânea de Royston, cerca de trinta quilómetros a sul de Cambridge. Essa cave está recheada de esculturas e inscrições bastante enigmáticas. Algumas aproximamse muito das deixadas pelos Templários em Chinon e Domme. Podemos admirar, entre outros, São Lourenço, muito amado pelos Templários, Nossa Senhora, São João e Santa Catarina, mas também o Santo Graal. Segundo a lenda, o imperador Maxêncio apaixonara-se por Catarina, mas ela recusou entregar-se a ele e, ainda por cima, convertia todas as pessoas em seu redor, incluindo a própria mulher de Maxêncio. Este mandou torturá-la. A imperatriz indignou-se. Então, o imperador mandou cortar a cabeça às duas. São Jorge: tem a sua capela em Ancenis, no Loire, perto da quinta de La Templerie. Está presente nos frescos encontrados quando da restauração da comenda de Coulommiers. Citemos também a capela de São Jorge, em Vuillecin, em Doubs. Figura também num selo templário onde o vemos trespassar o dragão com a sua lança, tendo, a seu lado, uma estrela. Foi supliciado, suspendido de um cavalete e rasgado com unhas de ferro, queimado com tochas. As suas chacyas foram esfregadas com sal, as entranhas saíram-lhe do corpo. Um milagre curou-o. Mas, depois de muitos episódios e suplícios, São Jorge acabou com... a cabeça cortada. Todos estes santos aparecem com frequência nas dedicações de igrejas e capelas templárias. Há outras que devemos referir e que têm outras características. Mas, quanto a estes, será apenas um acaso o facto de todos terem tido a cabeça cortada? Não deveremos pensar que esta constante tem uma relação qualquer com o baphomet? São João Baptista tem, decididamente, muito mais que ver com este enigma do que o pequeno demónio de Saint-Merri. Outros patronos para o Templo Existem algumas personagens que não sofreram o suplício da degolação mas cujo nome é amiúde associado a estabelecimentos templários. É o caso de São Lourenço. Nas grutas de Jonas, no Puy-de-Dôme, os Templários que se refugiaram depois da ordem de detenção organizaram um local como capela e dedicaram-no a Lourenço. Claro que se trata apenas de um exemplo entre outros. Primo de São Vicente, também estimado pelos Templários (pelo menos esta ligação familiar é afirmada apesar de uma incompatibilidade cronológica), sofreu martírio atado a uma grelha de ferro sob a qual haviam sido colocados carvões ardentes. Como se tal não bastasse, o seu corpo foi perfurado com um garfo. São Gil: nascera em Atenas, de linhagem real. Foi, desde a infância, instruído nas belas letras. A sua piedade era tal que tinha o dom de fazer milagres, expulsar demónios, acalmar as ondas quando das tempestades. Gil dirigiu-se para o deserto, onde viveu ao lado de um ermita chamado Veredemo. Depois, tendo-o deixado, descobriu uma gruta com uma fonte. Instalou-se lá e recebia, a horas certas, a visita de uma corça que alimentava com o seu leite. Um caçador que perseguia a corça, desferiu-lhe uma seta mas foi Gil que foi atingido. O incidente em breve foi conhecido. O rei, prevenido, adquiriu o hábito de ir ver Gil e fundou um mosteiro que lhe foi confiado. Gil continuou a fazer milagres. Tudo isso se passava por volta do ano 700. Gil Aegidius faz-nos

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