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Resumo O artigo traz um

Resumo O artigo traz um estudo que se estende pela real primeira figuração da combatente de nossa Independência, a alferes de linha, Maria Quitéria de Jesus (1822-23). Refazendo o uniforme e o armamento portado pela gloriosa baiana, traçamos o estudo até seu primeiro quadro que a traz com o Kilt e o fuzil Baker, o que nos remeteu ao grande Diário de Maria Graham, onde se encontra a primeira descrição que aqui trouxemos. Palavras-chave: Maria Quitéria e Maria Graham; Guerra de Independência; uniforme e armamento de Quitéria retratada. Maria Quitéria in the words of Maria Graham: uniform and armament used by the “Patron” of the QCO \ Complementary Framework Brazilian Army officers, as described in the Journal of a Voyage to Brazil-1822-23-24 Abstract This work bring us a really new study about the first picture of Maria Quitéria de Jesus, a famous Lieutenant of the Brazilian Independence War (1822-23). Bringing up the uniform and the armament of this glorious brazilian soldier wee bring her first picture, with the use of a kilt in the uniform and the Baker Rifle, all from the Maria Graham Journal of a Voyage to Brazil, and residence there during part of the years 1821, 1822, 1823. Keywords: Maria Quitéria and Maria Graham; Brazil Independence War; uniform and armament of Lieutenant Quitéria depicted. Introdução É realmente algo estranho que nos dias de hoje, mesmo historiadores, proclamam que a famosa imagem que traz a heróica Maria Quitéria, seja apenas um burlesco invento artístico do século XX. O fato é que nossa grande heroína da Guerra de Independência (1822- 1823) trajava exatamente um uniforme completamente diferente dos outros militares, devido ao seu caráter feminino em meio aos soldados de nosso Exército Libertador. Esse uniforme foi trazido à luz, pela primeira vez, no diário de Maria Graham, importante lê-lo na versão original, em língua inglesa, mas é claro que a versão traduzida para a Coleção Reconquista do Brasil é excelente, inclusive também nos trazendo que a Sra. Graham 108 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 107/119, jan./dez. 2013

era chamada Maria, e não Mary como muitos acabam confundindo. 1 A britânica Maria conheceu Maria Quitéria de Jesus de perto, fora da Bahia, no Rio de Janeiro, e lá constatou seu traje e o que ela portava, o fuzil (rifle) inglês raiado, o excelente Baker padronizado em algumas unidades inglesas e portuguesas durante as Guerras Napoleônicas. Em frente descreveremos essas questões pouco estudadas durante a vida militar de Maria Quitéria. O kilt de nossa tenente O Kilt, pouco observado e transcrito em trabalhos sobre nossa patrono 2 do QCO, é normalmente tido como invenção ou algo sobreposto ao uniforme no Rio de Janeiro. Na verdade, a falsa observação provém do quadro a óleo de Maria Quitéria, muito famoso, produzido em 1920 pelo italiano Domenico Failutti, constituindo-se na imagem que leva grande parte dos observadores, historiadores ou não, a acreditar que o Kilt veio dessa pintura colorida. Esse quadro foi produzido na Bahia e se encontra guardado no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Mas não é a primeira tela, pois isso não deixa de ser uma releitura de parte da grande obra de Maria Graham, Journal of a Voyage to Brazil, em que um belo desenho de Augustus Earle, gravado em 1824 por Edward Francis Finden no Journal, para realmente basear a descrição de Maria Quitéria em seu interessantíssimo livro. É uma gravura que reproduz da melhor forma a nossa patrono, fazendo parte da pitoresca explanação escrita no livro: Sua vestimenta é a de um soldado de um dos batalhões do Imperador, com a adição de um saiote escocês, que ela me disse ter adotado da pintura de um escocês, como um uniforme militar mais feminino. 3 1 Maria Graham. Diário de uma Viagem ao Brasil, p. 15. 2 O Exército Brasileiro utiliza o termo “Patrono” para a grande figura histórica de Maria Quitéria, por isso o utilizo em todo o texto. 3 Maria Graham. Diário de uma Viagem ao Brasil, p. 349. Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 107/119, jan./dez. 2013 | 109

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