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opeia [...]. Sem dúvida

opeia [...]. Sem dúvida a mais rica, populosa e uma das mais agradáveis villas de todo o BRAZIL”. (VON MARTIUS apud IPHAN-UFBA). Consta nos relatos e escritos históricos que o Recôncavo possuía densas florestas como na maioria do litoral nordestino e que em meados do século XVII esta vasta floresta fora destruída pela agricultura, permanecendo apenas ao sul próximo a Jaguaripe reservas de matas que se tornaram posteriormente as principais fornecedoras de madeira e lenha. Por outro lado, as áreas de manguezais ou as terras onde os movimentos da maré invadiam sua extensão por até 6 km rio acima foram cobiçadas pelos senhores e geralmente devastadas em função dos interesses comerciais oriundos do plantio da cana-de-açúcar e das atividades fabris dos engenhos (Schwartz, 1988). Embora fosse o açúcar a principal cultura de exportação, os donos de terras e a própria Coroa buscaram encontrar na região outras culturas comerciais, contudo, apesar dos esforços, apenas o “[...] fumo conseguiu um lugar ao lado do açúcar”. Ressalve-se que pequenos agricultores começaram já em 1620 a cultivá-lo nas terras em torno da confluência dos rios Paraguaçu e Jacuípe e além da orla do Recôncavo (Schwartz,1988, p. 83) e que para a cidade do Salvador a Vila de Cachoeira representou um destacado entreposto comercial de imprescindível valor, uma rota de forte fonte de renda regional com destaque nacional. Nesse cenário de crescente disputa comercial, principalmente o intercontinental, a evolução tecnológica adaptada às necessidades da indústria açucareira reorientou tanto a produção quanto elevou a qualidade do produto, bem como minimizou os esforços dos animais e homens, onde “[...] o trabalho de 100 braços que, não tendo o auxílio de machinas, produzia como 10, passou, com o uso destas, a produzir como 100; não faltando aos mesmos braços a ocupação necessária” (ALMEIDA apud FIEB, 2002, p. 52-53). Se, por um lado, às máquinas a vapor ou movidas por rodas d’água dinamizaram a produção e economia local, por outro, provocaram danos ambientais, poluição atmosférica e das águas em função da queima de madeira para aquecimento de caldeiras, uso do fogo para limpeza do canavial e da monocultura intensiva, produzindo a devastação de áreas até então preservadas, em especial das matas ciliares. 124 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 121/163, jan./dez. 2013

A villa de Cachoeira A Vila de Cachoeira surgiu como ponto de partida das expedições ao interior da Bahia, “uma porta de entrada para o sertão”, banhada pelo rio Paraguaçu e seus afluentes. Teve sua origem quando o Capitão Gaspar Rodrigues Adorno recebeu em 1654, por recompensa, quatro léguas de terra em ambas as margens do Paraguaçu, compreendendo nela os riachos Caquende e Pitanga, tomando, desde então, as providencias para sua ocupação e consolidação. Em 1683, o Rei de Portugal, por carta régia, recomendou ao governo provincial a criação de vilas, uma iniciativa que em função do extenso território propunha melhor amparar os habitantes. Entretanto, apenas em 29 de janeiro de 1698 deu-se a instalação da Vila de Nossa Senhora do Porto de Cachoeira, facultando-se uma nova vida para o agrupamento urbano, especialmente por ter, a partir de então, o registro oficial dos fatos ligados ao seu desenvolvimento. Em 13 de março de 1837 foi elevada à categoria de cidade pela Lei n o 44 (IPHAN-UFBA, 1979). Certamente sua localização estratégica, características socioambientais, culturais e econômicas contribuíram para que a vila obtivesse destaque político e influência tanto regional quanto nacional. Nela instalaram-se “[...] ricos portugueses estabelecidos com grandes escritórios de fazendas e casa [...] de negócio, para lá convergia o movimento de quase todo o comércio sertanejo de minas e deste Estado, inclusive a zona do alto S. Francisco” (IPHAN-UFBA, 1979). Na verdade compreendia uma região com forte ação política, possuidora de numerosas casas de moagens e laboratórios de engenho que movimentavam em paralelo à cultura da cana e a do tabaco, ambas significativas para seu fortalecimento, porém, em alguns momentos, conflituosas em função dos interesses divergentes das categorias de produtores. Para alguns pesquisadores, acrescentam-se ainda como fatores determinantes para uma formação social e econômica diferenciada das demais existentes no Recôncavo, a capacidade de cultivo, produção e comercialização do fumo, tanto na vila de Cachoeira quanto em sua cir- Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 121/163, jan./dez. 2013 | 125

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