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cunvizinhança.

cunvizinhança. Economicamente, o diferencial de custos a menor para o beneficiamento do fumo em comparação ao necessário à produção do açúcar fazia com que o primeiro fosse menos dispendioso que o segundo, possibilitando deste modo que pequenos e modestos agricultores pudessem participar do mercado exportador e, da mesma forma que os donos de engenho, se destacassem na estrutura econômica e política 2 . Nesse ponto, Schwartz ressalva que, apesar do poder econômico e político dos produtores do fumo, estes eram considerados de menor prestígio em relação aos senhores de engenhos, e que a segregação socioespacial existente entre estas culturas, bem como a criação de gado, produziram conflitos territoriais, donde “[...] Fronteiras não demarcadas, gado extraviado, abertura de novos cursos d’água para impulsionar a moenda geralmente acarretavam conflitos com algum outro proprietário”, conduzindo à violência ou a disputa legal. (SCHWARTZ, 1988, p. 235). De outro modo, seguindo o raciocínio de Foulcault em Vigiar e Punir, a sujeição podia “]...] não ser violenta, não fazer uso das armas, nem do terror, ser sutil e, no entanto, continuar a ser de ordem física, fundamentada na forma moderna de se definir o poder: sob uma ótica plástica, móvel e adaptável às circunstâncias”, mesmo assim eficiente em seus objetivos, entretanto, nem sempre percebida. Observa-se ainda que, apesar dos conflitos e interesses individuais advindos do comércio, Cachoeira desde sua consolidação como vila, encontrou em seus concidadãos demasiada preocupação com a organização espacial, especialmente aquela relacionada às práticas econômicas, trafegabilidade e facilidade de acesso às diversas rotas comerciais e até mesmo à saúde pública. Em levantamento documental realizado pelo IPHAN-UFBA em 1979, encontram-se descritas algumas ações destinadas ao ordenamento e “uso do solo”, onde arruamentos foram concebidos “[...] no sentido de que as ruas ficassem cordeadas, alinhadas e regulares”, numa proposta “inovadora” que considerava o forte fluxo de produtos e cargas 2 No livro Segredos Internos: engenhos e escravos na Sociedade Colonial 1550 -1835, Schwartz enfatiza que, apesar da cultua do fumo ser geralmente tratada como secundária e seu cultivo também ser realizado por pequenos agricultores, esta não se tratava de uma “cultura do homem pobre” por exigir uso de muitos braços escravos. 126 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 121/163, jan./dez. 2013

em carroças e lombo de animais, bem como a segurança, já que estabelecia normas e padrões construtivos idealizados para “prevenção de acidentes” ou ainda que evitassem prejuízos aos imóveis. Quanto à transposição dos obstáculos naturais, a exemplo dos rios Caquende, Pitanga e Paraguaçu, tomou-se por providência a construção de pontes como vias integradoras e necessárias ao crescimento linear as margens dos rios, como também a circulação de mercadorias e pessoas. Campanhas coordenadas pela câmara em parceria com comerciantes e sociedade foram fomentadas, numa demonstração de integração e participação da sociedade nas discussões acerca dos interesses urbanos. Outro dado interessante nos remete à preservação e manutenção da ordem pública. Em documento da época, encontramos uma queixa reivindicando medidas punitivas quanto à permanência de pequenos comércios debaixo dos arcos da vila, donde “[...] costumavam todos a fazer quitandas”, ato considerado prejudicial ao povo por causar tumulto e elevada confusão por sons e gritos, sendo decidido desde então sua retirada, além de punição com prisão e multa aos escravos libertos e apenas multa aos senhores daqueles que infringissem ao determinado pelo poder municipal. É curioso e mesmo surpreendente o nível de organização politica e social em torno de questões de interesses coletivos e de notória relevância para a estruturação urbana desta vila ainda no século XVIII. Exemplos como a mobilização e discussão de estratégias destinadas a captar recurso para a construção da ponte sobre o rio Paraguaçu, quer seja pela cobrança de empréstimos ao governo da Bahia, ou por “[...] organização de uma companhia de acionistas locais e de Salvador”, além das já citadas, evidenciam e reforçam a premissa de ser este agrupamento um considerável celeiro político, de influência regional com interesses locais e quiçá capacidade de influência nacional. Assim, a fonte dos recursos foi determinada – o dinheiro das Terças, por empréstimo – e apontado o modo de seu pagamento, o Pedágio, ou seja, “o rendimento da ponte”, que depois de pagos as despesas com a sua construção, deveria servir para construção da ponte de pedra, Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 121/163, jan./dez. 2013 | 127

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