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conjunto, sendo necessário, portanto, apresentar algumas informações a seu respeito. Manuel de Vasconcelos era escrivão da Fazenda de Pernambuco, substituindo seu tio Manoel Mendes de Vasconcelos naquele ofício, pela primeira vez, entre 1625 e 1627. 12 Entre 1628 e 1629 seu tio voltou ao cargo, mesmo pesando sobre ele a suspeita de usá-lo em benefício próprio, conseguindo consideráveis propriedades no Brasil, inclusive a casa onde veio a residir João Fernandes Vieira, um dos chefes militares da Guerra de Pernambuco e um dos homens mais ricos daquela capitania. Em 1635 Manuel Mendes de Vasconcelos requereu que o cargo de escrivão da Fazenda fosse passado para seu sobrinho, que já o ocupava interinamente. 13 Em 12 de maio de 1638, ironicamente em meio à guerra contra Nassau, foi expedida em Madrid uma portaria que confirmou o direito de Vasconcelos ao cargo de escrivão da Fazenda de Pernambuco. 14 O fato é que Vasconcelos substituiu seu homônimo tio e para ele endereçou a Carta que ora transcrevemos. A carta de Manuel de Vasconcelos é importante para a historiografia do Cerco da Bahia por confirmar as dissensões internas entre as autoridades da Bahia e o Exército de Pernambuco, que foram amenizadas 12 AHU (Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa). Códice n. 35-A, Consultas do Conselho da Fazenda (1624). Consulta sobre Manoel Mendez de Vasconcelos, Escrivão da fazenda Capitania de Pernambuco que pede Sua Majestade licença para se Vir curar a este Reino, e que enquanto dura seu impedimento, fique servindo o dito ofício seu sobrinho Manoel de Vasconcelos. fls. 87v. AHU, Pernambuco. Cx. 3. Doc. 114. Requerimento do escrivão da Fazenda Real da Capitania de Pernambuco Manoel Mendes de Vasconcelos, por seu procurador Tomé da Silva, ao rei D. Felipe III pedindo licença para ir ao Reino tratar da saúde, deixando seu sobrinho Manoel de Vasconcelos no cargo que ocupa. Anterior a 15 de dezembro de 1625. 13 AHU, Pernambuco. Cx. 3. Doc. 125. Aviso do secretário de Estado Francisco de Lucena ao Conde de Miranda sobre a ordem para que se enviem os papéis referentes à renúncia do escrivão da Fazenda da Capitania de Pernambuco, Manoel Mendes de Vasconcelos, em favor de seu sobrinho. Lisboa, 31 de agosto de 1635. 14 AHU, Pernambuco. Cx. 4. Doc. 280. Portaria do Secretário de Estado do Conselho de Portugal Diogo Soares, determinando que se passe alvará permitindo a Manoel Mendes de Vasconcelos renunciar o ofício de escrivão da Fazenda Real da Capitania de Pernambuco, em favor de seu sobrinho Manoel de Vasconcelos. Madrid, 12 de maio de 1638. AHU. Códice n. 45, Consultas do Conselho da Fazenda (1643-1656). Consulta sobre Manoel de Vasconcelos, pede se lhe reforme em nome de Vossa Majestade hum Alvará que a seu favor se passou a seu tio Manoel Menezes (sic, por Mendes) de Vasconcelos. fls. 200v. 146 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 121/163, jan./dez. 2013

nos primeiros dias da resistência. O texto não poupa os oficiais militares. A acusação mais grave está no fólio 94, onde afirma que a capital “[...] estava como de mãos que a queriam entregar”. Afirmação direcionada às autoridades civis e militares da Bahia. Manoel de Vasconcelos, não obstante, estava ligado ao exército chefiado pelo Conde de Bagnuoli e, por essa razão, assume uma postura simpática ao mesmo. Sua verve ácida transparece nas críticas aos capitães dos contingentes militares estabelecidos na Bahia entre 1625 (Terço Velho) e 1631 (Terço Novo), afirmando que os soldados não encontravam seus capitães nas batalhas porque eram “[...] oficiais mecânicos (uma ofensa para um militar no século XVII, pois usava as mãos para trabalhar), que serviam de cantar nas Igrejas, acompanhar mulheres por dinheiro e pentearem o cabelo”. Esta última afirmação deve ser um ataque explícito ao contingente de D. Vasco Mascarenhas, que fugiu ao invés de enfrentar os soldados da Companhia das Índias Ocidentais (W.I.C.). Vasconcelos observa que o Capitão do Forte do Rosário ficou doente durante a campanha e ido o inimigo, sarou quase que por milagre. Sabemos, no entanto, que o Conde de Bagnuoli e os seus oficiais estiveram próximos de abandonar Salvador, como fizeram com Porto Calvo e Sergipe em 1637. Os moradores da cidade que impeliram os militares a improvisar as defesas da capital em abril de 1638, conforme foi demonstrado na Relação Breve e Verdadeira. A geografia das batalhas pela capital aparece no documento. Os neerlandeses entraram na Barra da Bahia a 16 de abril, desembarcando nas proximidades da ermida de Nossa Senhora da Escada, no atual bairro de Plataforma (chamado de Praia Grande de Pirajá). O primeiro avistamento entre as duas forças militares ocorreu “[...] em uma campina rasa” (Campinas de Pirajá). Foi assinalada, também, a organização das defesas católicas nas trincheiras de Santo Antônio Além do Carmo e a ocupação, pelos neerlandeses, da colina onde estava a casa do Padre Ribeiro. Aliás, Vasconcelos é o que melhor localiza este sítio, afirmando que ficava “[...] superior ao Forte de Água de Meninos”, o que hoje deve ser nas proximidades do atual Convento da Soledade. As referidas posições definiram os contornos da batalha que, pela primeira vez desde a invasão de Pernambuco, pendeu para o lado das “forças católicas”. Vasconcelos afirma que a 29 de maio os inimigos “fizeram vela”, ou Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 121/163, jan./dez. 2013 | 147

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