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por ordem de fundação:

por ordem de fundação: Idade D’Ouro do Brasil, Semanário Cívico, Minerva Bahiense, Diário Constitucional, O Constitucional, Sentinella Bahiense, Analysador Constitucional, Baluarte Constitucional, Espreitador Constitucional, Idade de Ferro, Despertador dos Verdadeiros Constitucionais, A Abelha e O Independente Constitucional. Quase todos os jornais aqui citados foram impressos na Tipografia da Viúva Serva & Carvalho, com exceção do último título, impresso na Tipografia Nacional de Cachoeira, ainda no prelo, foi enviado por José Bonifácio, com anuência de D. Pedro I, para o Conselho Interino de Governo constituído no Recôncavo em 25 de junho de 1822. Duas publicações, contudo, não fazem parte da relação dos Anais da Imprensa da Bahia: O Morcego, jornal manuscrito que pregava a deposição da Junta Provisória de Governo, de iniciativa de uma loja maçônica 3 e que teria circulado em três de novembro de 1821 e A Voz da Verdade que circulava em maio de 1823, assinada por Reis Mota e que tinha como colaborador Antônio Luís Soares, um dos jornalistas presos por ordem do General Madeira por suposta indiscrição, não intencional ou “de caso pensado”, mas que estaria contribuindo para a “fermentação dos espíritos”. 4 Muitos jornais e poucos leitores Salvador tinha então uma população estimada em 50 mil habitantes, maioria de negros e mestiços e uma alta taxa de analfabetismo também entre a população branca. Não se tem estatísticas confiáveis quanto a isso, daquele tempo, mas o censo de 1.872, o primeiro realizado no Brasil, já estimava em 82,3% o número de analfabetos no país. Não se fazem projeções em sentido regressivo, mas é lícito imaginar que no período da Guerra da Independência menos de 10% da população estivesse habilitada para a leitura. É de se considerar também que uma expressiva parcela do público leitor tinha abandonado a cidade, refugiara-se nas vilas do Recôn- 3 Cf. TAVARES, Luís Henrique Dias Tavares. História da Bahia. Salvador: EDUFBA; São Paulo: Unesp, 2001, p. 230. 4 Cf. Semanário Cívico. 15 de maio de 1823, n° 114. 204 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 201/217, jan./dez. 2013

cavo e nos subúrbios distantes. Os 15 títulos que aqui circularam, nove deles simultaneamente, visavam por tanto as 5.000, para mais ou para menos, pessoas alfabetizadas e cabe aqui uma ponderação: a matéria editorial das publicações não era texto de fácil compreensão e nem tinha o caráter informativo, não era notícia e sim conteúdo de opinião, textos que enveredavam pela retórica, no sentido de um discurso estilístico, como meio de persuasão. Sabemos, dito pela própria gazeta, que em 1818 a Idade D’Ouro do Brasil circulava com apenas cento e tantos exemplares; 5 não há registros das outras publicações, mas o número referido é um bom padrão comparativo. Quem era o público-alvo, então? Quem os 5.000 cidadãos habilitados à leitura das então chamadas pelas autoridades, na documentação de época, de “folhas públicas”? Um grupo restrito formado por governantes, funcionários públicos, militares de alta patente, padres e cônegos, senhores de engenho, comerciantes e profissionais liberais. Público de fato formador de opinião, no sentido de multiplicador, através dos púlpitos das igrejas, na caserna, nas salas de aula, ou na senzala. Somos todos constitucionais Sete jornais se diziam constitucionais e dois deles bahienses, expressões incorporadas aos títulos e que tinham um significado implícito. Os jornais constitucionais pretendiam interpretar para os leitores o sentido da Constituição que estava sendo escrita nas Cortes de Lisboa, decorrência da Revolução do Porto de 1820 e que na Bahia teve como efeito imediato o levante de fevereiro de 1821 e a formação de uma Junta Provisória de Governo. Divergiam quanto a essa interpretação e desse modo atendiam facções de público, alinhadas com uma ou outra expectativa da Constituição em relação a seus efeitos práticos na Província. 5 Cf. CASTRO, Renato de Castro. A Primeira Imprensa da Bahia e suas publicações. 1811-1819. Salvador: Secretaria de Educação/BA. 1968, p. 34. Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 201/217, jan./dez. 2013 | 205

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