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primeira, uma carta

primeira, uma carta destinada a D. João VI, em 1817, escrita por certo frei Amador da Sancta Cruz revelou a ligação do jornalista com os pedreiros livres na Bahia. A carta denunciou ao monarca que [...] a malvada seita dos Pedreiros Livres, cujo principal acento he nesta Cidade, plantada, há mais de vinte annos por Joze Francisco Cardozo (...). Os Padres Ignacios, Gazeteiro, o M. e de Grammatica, e outro mestre da mesma lingoa, Dominicano, e o Substituto das mesmas Cadeiras são iguaes aos antecedentes, todos elles profanadores do seo estado, e as mais fortes columnas da Massonaria; elles são, q. explicão o cathecismo, e Ritual das funçoes massonicas, cujo livro foi impresso em Londres com o titulo = Compendio p. a o Oriente da Bahia= na Impressão de Segredo. 41 O conteúdo da carta era grave e Macedo teria razão em se preocupar com a denúncia, visto que em 1817 a maçonaria foi responsável pela turbulência política nos dois lados do Atlântico. Em Portugal ocorreu a Conspiração de Gomes Freire de Andrade, levando ao cadafalso doze pessoas acusadas de Inconfidência, incluindo o próprio líder, que ocupava naquele ano o cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano. 42 Na América portuguesa teve início, em março, a Revolução Pernambucana, chefiada por Domingos José Martins. 43 Sobre isso existem duas interpretações historiográficas. Em 1843 o historiador Abreu e Lima, filho do emissário enviado pelos dirigentes do movimento pernambucano para a Bahia, afirmou que os dois movimentos haviam sido arquitetados em conjunto pelos pedreiros livres do Brasil e do Reino, com o objetivo de impelir a saída de D. João VI do Rio de Janeiro para Lisboa e recuperar a autoridade do governo para a monarquia, visto que 41 PEREIRA, Ângelo. D. João VI, Príncipe e Rei. Lisboa: Imprensa Nacional de Publicidade, 1956, Vol. III, p. 251 e 252. 42 MARQUES, op. cit., Vol. I, pp. 112-5. 43 TAVARES, Francisco Muniz. História da revolução de Pernambuco em 1817, 3a. ed., Recife: Imprensa Industrial, 1917. 236 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 221/262, jan./dez. 2013

estava sob as ordens de Lord Beresford. 44 Segunda, de Evaldo Cabral de Mello, afirma, não obstante, que o movimento de 1817 ocorreu devido a uma divisão na maçonaria pernambucana, que ficou sob influência da maçonaria inglesa, enquanto os centros maçônicos do Rio de Janeiro e da Bahia permanecerem alinhados às lojas do rito francês. 45 A outra denúncia contra o Padre Ignacio de Macedo o acusa de ser ligado à Revolução em Pernambuco e ter convidando, em Salvador, algumas pessoas para jurar bandeiras francesas. Existe, inclusive, uma lista dos conspiradores da Bahia supostamente ligados ao movimento pernambucano, quase todos, senão todos, pedreiros-livres, sendo alguns ligados a Tipografia de Serva. 46 Mas os indícios apontam que Macedo não estava ligado à maçonaria francesa, pois uma carta de Antonio de Moraes Silva para o Dr. Rodrigues de Miranda, a 11 de julho de 1817, considera que nesta denúncia “vai um toque relativo aos pedreiros livres da Bahia, que talvez tenha mais de calúnia, que de verdade”. O célebre lexicógrafo ainda pondera que “os vis conspiradores desta terra (...) espalharam que na Bahia e Rio havia muita gente desta, que fazia causa comum com eles. Eu não tenho dados para julgar disto; vi os catecismos que se acharam em casa do infame Martins”. 47 O fato é que coube a Macedo celebrar na Bahia o aniquilamento da Revolução Pernambucana, por meio de uma oração onde tentou demonstrar os erros do movimento, “misturando os preceitos da Filosofia Moral, e Politica com os Dogmas da Religião mostrou quaes erão os perigos da liberdade mal entendida; e que assim na ordem Moral como na ordem Fisica deve haver hum centro commum, e legitimo de atracção, e subordinação para que as Nações se- 44 LIMA, José Inácio de Abreu e. Compendio de História do Brasil. Rio de Janeiro: Laemmert, 1843, vol. 1, p. 274 e 275. 45 MELLO, Evaldo Cabral de. Dezessete: a Maçonaria dividida, Topoi. Revista de História, Rio de Janeiro: PPGHS / UFRJ, vol. 4, março de 2002, p. 9-38. 46 Documentos Históricos da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1953, Vol. CII, p. 204 a 206. Entre os implicados na denúncia de que eram “comprometidos na revolução de 6 de março de 1817 [e] Convidavam para jurar bandeiras francesas”, em maior ou menor medida ligados a Tipografia de Serva, estavam Paulo José de Melo, Alexandre Gomes Ferrão, Joaquim Alves Branco, Padre Inácio José de Macedo, José Francisco Cardoso. O documento, assinado por D. João IV, termina com: “Dado por Bernardo Teixeira, o qual lhe entregou o Padre Cura da Bahia.” 47 Ibidem, p. 39 a 41. Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 221/262, jan./dez. 2013 | 237

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