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io, e deixando

io, e deixando facécias; que fez Lord Cochrane no Brazil ? Os Batalhões da Bahia já resolvião abandonar aquella Cidade, quando desconfiarão, que S.M.I queria devéras declarar o Brazil independente, e que obrava de acordo com seu Augusto Pai contra o Congresso das Necessidades. Os Europeos alli residentes não fazião mais, que olhar a direcção da Tropa para salvar suas fortunas (...). Na Bahia nunca houve guerra de Povo; houve dissidencia militar das Tropas Europeas com as Brazileiras; humas ao Pai, outras ao Filho. Ainda que Lord Cochrane não fosse á Bahia, e que os Bahienses não conspirassem contra os Europeos, sempre o resultado seria o mesmo a respeito da Independência, desde que cahissem as Cortes em Lisboa; porque nesse caso nenhum Europeo pugnaria mais por hum Governo absoluto, tendo um Governo constitucional no Rio de Janeiro. Logo a viagem de S. Ex. a maritima a Bahia não influiu na independencia do Brazil senão tanto como a de outros presumidos, que se contemplão como causas efficientes daquella Independencia, que foi obra do tempo, da razão, e da politica europeia. Os Europeos de com senso, que residião no Brazil querião a Independencia, porque tinhão nella as mesmas vantagens que os Nacionaes; e se elles se oppozerão a Ella, foi por seguirem o exemplo da força armada, e por desconfiarem, que a Independencia não degenerasse em Republicas tumultuosas como hia acontecendo em Pernambuco. 71 Por terra, as tentativas de romper o cerco eram infrutíferas, pois “Os rebeldes armados, que andão para a banda das Brotas, tem armado suas traições aos nossos Soldados”. 72 Rebeldes armados chefiados por Pedro Labatut, a quem Macedo se refere como o Sr. Nigromantico. Vale ressaltar até sua morte, uma década após a Independência, Macedo manteve sua posição política e continuava a enxergar as lutas 71 O Velho Liberal doDouro, n. 16, 1826, p. 160-161. 72 Idade d’Ouro do Brazil, n. 102, sexta-feira 20 de dezembro de 1822. 248 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 221/262, jan./dez. 2013

de 1822-23 como obra de uma facção que se aliou aos interesses políticos dos áulicos fluminenses: Desde 1820 que lidei no Brazil com os homens mais Liberaes, e que mesmo antes de falar em Constituição Portugueza erão homens amigos de ler livros com idéas liberaes, que na Bahia corrião com mais franqueza, que em Portugal; porque ali houve sempre uma Liberdade de facto, muita propensão a livros filosoficos. Quando a Constituição Portugueza foi ali proclamada e jurada, desenvolveo-se hum enthusiasmo e união entre Europeos e Brazileiros, que parecia extinguir de todo certo espirito de bairro, e certa indisposição, que havia muitos anos reinava entre os filhos da terra, e os filhos de Portugal. Nunca vi tantas amizades, e até espantosas reconciliações entre inividuos e famílias, que nunca se fallavão. Porém, os Aulicos do Rio de Janeiro, que querião abafar o espirito Constitucional, lembrarão-se de excitar a velha balda dos Brazileiros contra os Portuguezes; e com impressos e agentes de viva voz mandarão persuadir os Brazileiros, que Portugal com suas Cortes queria escravizar de novo o Brazil, e fazer dele huma Colonia mostrando lhe um prestigio de Liberdade Constitucional. Desde que começou a propagar-se essa ridicula suspeita ninguem pôde mais ser Europeo no Brazil, á exceção de algum lisongeiro podre, que se baldeava para os Brazileiros, e que receberão disso boa recompensa, como foi hum General Gordilho, que eles assassinarão em premio do seu amor á causa Brazileira. Eu escrevia então a Idade de Ouro do Brazil com a mesma Epigrafe de que agora uso desvanecendo os receios dos Brazileiros; e como desde menino fui criado entre eles, julgava que elles me terião por seu amigo e patricio, como de facto sempre me tratarão antes daquella época: mas quando elles virão que eu não approvava a repentina independencia do Brazil por aquelles meios que me pareciam injustos e contrarios ao primeiro Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 221/262, jan./dez. 2013 | 249

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