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São Bento da Bahia é

São Bento da Bahia é um manuscrito, lavrado de 1914 até 1934, que guarda em si registros do cotidiano da instituição beneditina baiana nos referidos anos. Percebe-se que tais registros, de cunho narrativo, apresentam valor historiográfico nos moldes das crônicas medievais. Assim, far-se-á, nesse trabalho, um levantamento dos elementos que aproximam o livro de crônicas do Mosteiro às crônicas medievais, firmando, desta forma, tal narrativa como uma narrativa de valor histórico e, consequentemente, como um auxiliar no resgate da historiografia da ordem beneditina brasileira e do entorno dela. Palavras-chave: Mosteiro de São Bento da Bahia; Livro de crônicas; Idade Média. Approaches between medieval chronic and benedictine chronic Abstract In 1582, with a to arrive of monks from the monastery of San Marino Tibães, Bahia was awarded the early works that, would later, give rise to the first monastery of the new world: the Monastery of São Bento da Bahia. In the walls of this institution now secular, guard themselves stories and memories of the people soteropolitano, baiano and, consequently, brazilian. Thanks to the common practice in order to safeguard the memory, benedictine monks, since its arrival, preserve the habit of recording in writing the facts, deeds and memories of all who passed through the monastery, behold arise then two documents: Dietario das vidas e mortes dos Monges, que faleceram neste Mosteiro de S. Sebastião da Bahia da Ordem do Principe dos Patriarchas S. Bento; and the Livro de Crônicas do Mosteiro de São Bento da Bahia, the document analyzed in this work. The Book of Chronicles of the Monastery of São Bento da Bahia is a manuscript, issued from 1914 until 1934, guarding itself records of everyday Bahia Benedictine institution in those years. It is felt that such records, of narrative feature, present the same value of historiographical medieval chronicles. So, has this work, a survey of the elements that bring the Livro de Crônicas do Mosteiro de São Bento da Bahia of the medieval chronicles, confirming thus that narrative as a narrative of historical value and, consequently, as an aid in the rescue of historiography of Brazilian Benedictine Order and surrounding her. Keywords: Mosteiro de São Bento da Bahi; Livro de Crônicas do Mosteiro de São Bento da Bahia; Middle Age. 476, nesse ano, o último imperador da Roma Ocidental é deposto. Tal data, para os historiadores, marca o fim do Império Romano e o 24 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 23-38, jan./dez. 2013

começo de uma nova configuração no modus vivendi da população da época: fala-se aqui da chamada Idade Média. Subdividida comumente em duas partes: a alta Idade Média, caracterizada pelo período de transição entre a estrutura do Império e a nova realidade social; e a baixa Idade Média, onde se observa a firmação de mudanças que, consequentemente, culminaram na construção de novas estruturas de vida para a população, como, por exemplo, a formação dos Estados Ocidentais Europeus. Interessa, nesse artigo, observar que na Alta Idade Média ocorreu a implementação do monaquismo (ou monaticismo) na Europa Ocidental. Tomando como base a tradição monástica dos desertos Sírio e Egípcio, caracterizada pelo cenobitismo, ou seja, a “agregação de homens em torno de um pai espiritual, partilhando os bens e exercitando-se espiritualmente num lugar comum, posteriormente denominado mosteiro” (PAIXÃO, 2011, p. 45). Os ideais do monaquismo encontraram em obras de hagiografia como, por exemplo, A vida de Antão, a estrutura perfeita para se firmar por toda a Europa, posto que elas apresentavam o “modelo de vida” ideal para ser seguido e adorado por uma sociedade que estava em pleno processo de valorização do cristianismo. Nessa ação de firmação do monaquismo na Europa, um homem nascido em Núrsia, na Itália, constrói, graças a uma decisão pessoal de abnegação, a base para a configuração dos mosteiros da Europa. Fala-se, aqui de São Bento. Bento, como afirma São Gregório, nasceu em Núrsia (Italia), uma pequena cidade da Úmbria, no seio de uma família nobre e rica. Na adolescência, seus pais decidiram enviá-lo a Roma para que pudesse formar-se nas escolas superiores destinadas aos mais abastados, onde se aprendiam as artes liberais e o direito romano. Roma ja não era a mesma! A corrupção grassava em todos os setores. Sabemos que, após a queda do último imperador romano do Ocidente, a cidade perdera a sua posição de potên- Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 23-38, jan./dez. 2013 | 25

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