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juramento que haviamos

juramento que haviamos dado de nos unirmos todos a Portugal, elles logo me puzerão maroto, Bonzo, e fanatico inimigo do Brazil, a quem dei provas de muita adhesão e amor pregando todas as Festas Reaes na Cathedral, e sendo o primeiro Escriptor. Alguns Estrangeiros, e outros Portuguezes, que me ouvião e lião sem me conhecer de perto, todos me julgavão filho da Bahia, e os mesmos Bahianos que por tal me reputavão, disseram afinal que eu era o mais ingrato e perigoso Europeo que lá estava. O Regimento d’Artilharia da terra, que rompeo primeiro o grito da Constituição, e que foi secundado pelo Batalhão 12 de Portugal, quando a Legião da terra fez fogo aos Artilheiros, foi o primeiro que pretendeo fazer embarcar para Lisboa todos os Soldados Portuguezes. Em fim começou huma barbara guerra civil indigna de gente civilizada, e todas as idéas Liberaes dos Bahianos se limitavão a aborrecer Europeos, e querer uma liberdade lá ao seu modo, e não como eu a entendia, e segundo as circunstancias em que se achava aquelle paiz, que já queria competir com a America Ingleza. Conclui que os Brazileiros erão muito contradictorios em suas idéas de Liberdade, e muitos Europeos, que os conhecião bem, começarão logo a emigrar antes que a guerra civil se declarasse. Muitos deles, meus amigos velhos, não aspirarão senão a fazer corte aos Aulicos do Rio de Janeiro, que lhes promettião patentes militares, e titulos de Barões, e Marquezes. Foi facil o despotismo áulico zombar da sinceridade de homens, que aliás tinhão boas idéas, e amor á Liberdade, como o Cirurgião Barata, e outros energúmenos, que morrião pela Liberdade, mas que por suas contradicções não sabião em que a Liberdade consiste. Esse Barata já recebeo o premio dos seus patricios, e o General Felisberto Gomes foi por elles assassinado, apesar de que elle era o peior e mais sanguinario inimigo dos Portuguezes. Oh que de cousas, que eu vi! Que contradicções Liberaes! Até hum pobre Cleri- 250 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 221/262, jan./dez. 2013

go filho do Porto, que se fez Brazileiro para ser Vigario, e que era tido por muito Liberal, votou no Governo da Cachoeira, que fossem assassinados todos os Europeos, excepto elle. Forão tão frivolos e contradictorios os Bahianos, que me exterminarão, e adorarão o tal bandalho de coroa, que sabia apenas um pouco de Latim, e que era hum monstro moral. Os amigos mais intimos e juramentados com os Europeos para a causa da Liberdade do Brazil fugirão para o Reconcavo a fazer fogo sobre os amigos da Cidade; e muitos Europeos honrados da célebre Cachoeira, que se dizia uma segunda Filadelfia, forão presos, roubados, e algemados por quase duzentas leguas para morrerem nas cadeias de Pernambuco; e tudo isto feito pelos Liberaes, que detestavão habitos de Christo, que desdenhavão de Fidalgos, e que estavão prontos a morrer pela Liberdade como os Americanos Inglezes: mas quando forão ameaçados por hum habito de Christo, por hum titulo, ou por huma pantente de Coronel e Milicias, ou hum emprego na Alfandega, adeos Liberdade, adeos amizade, adeos juramento! Viva o Brazil, morrão os marotos, he nullo o matrimonio de filha do Brazil com filho de Portugal! O dinheiro dos filhos de Portugal he nosso, porque foi ganhado na nossa terra! Eis o filosofismo e liberalismo, que com poucas excepções observei na Bahia! Mas deixemos aguas passadas, e fallemos das mazelas dos Europeos, porque em Lisboa e Portugal tenho presenciado o mesmo. Vim de lá corrido como de Herodes para Pilatos, e posso dizer com Sá e Miranda: A conta sahio-me má, / Como bem dizem as velhas / Cá e lá más fadas há. 73 Macedo tem alguma razão em denunciar a atuação do governo fluminense à cooptar e exortar os separatistas. A Biblioteca Nacional conserva uma carta inédita de José Henriques de Paiva, agente enviado 73 O Velho Liberal do Douro, n. 34, 1833, p. 315-317. Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 221/262, jan./dez. 2013 | 251

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