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do Rio de Janeiro à

do Rio de Janeiro à Bahia por José Bonifácio de Andrada e Silva e o Grande Oriente Brasileiro, que revela aspectos ainda não investigados da luta pelo controle da Bahia: Cheguei a esta malfadada Cidade / já hoje feliz / a 2 de Fevereiro. Hum só momento não perdi para o complemento de tão arriscada como ponderosa empresa, e tive a fortuna de no curto espaço de 5 mezes, ver coroada uma obra, que tão digna se faz d’occupar longas paginas da Historia Brasilica. Empreguei toda a minha astucia e sagacidade. Convenci e fiz marchar pelo verdadeiro caminho da razão aquelles espiritos allucinados, que infelizmente erão illudidos pelos Vandalos nossos asquerosos inimigos, e que tantos victimas innocente tem reduzido á fome, e a mizeria. Entendi-me com aquellas Auctoridades que julguei precisas, as quais promptamente concorreram quanto estava ao seu alcance. Obtive um pleno conhecimento de quanto se manejava clandestinamente por as principaes Repartições, fazendo nellas empregar para este effeito pessoas já comigo d’antemão combinadas, e detendo aqui outras de confidencia para o seguro manejo do negocio; ao mesmo passo q.` promovia para o Reconcavo a fuga d’outras. Suscitei a intriga para segregar do Quartel General do infame Madeira alguns dos mais temiveis Corifeos, entre os quaes fiz derramar a discordia, e pouca intelligencia. Foi anihillar a reputação dos dous Governos por meio da opinião publica conseguindo que pela Secretaria do Civil tudo fossem duvidas, e sempre se objectasse as requisições pecuniarias, que eram feitas por Madeira. E finalmente, depois de fixadas todas estas providenciais, no dia 23 de Junho, mesmo com Posse do General sahi da Cidade em companhia do Tenente Coronel Manoel Ignacio da Cunha ao Reconcavo a tratarmos com o Bravo Coronel Lima Commandante em Chefe das Forças Imperiaes, da conveniente Negociação sobre a evacuação do Vandalismo, que obrigado pela fome, medo, e pela nossa ve- 252 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 221/262, jan./dez. 2013

gilante intriga tomou a resolução de abandonar a Cidade. E porq.` o denodado Lima deu ao General uma resposta desfavoravel as suas pertenções, e em um tom Militar, e decisivo; na noite do dia do corrente correram os Vandalos, a bandeiras despregadas, ao seu refugio destinado, e na manhã seguinte / Dia de grande gloria e regozijo / fizeram-se á Vela com um comboy de 83 navios, levando os petrechos de guerra q.’ puderão, e tudo o mais que roubarão das cazas ondem estavam aboletadas, e algumas pefsoas d’artilharia que ainda deixavam, encravaramnas, quebrando até o pão da Bandeira do Forte do Mar: e por este precipitado embarque ficamos livres do saque geral que naquelle dia pertenderão assolar a Cidade. Mas Lord.’ Cockrene, que não tem desamparado a barra algumas veses a tiro de bala da Esquadra Vandalica será o justo vingador de tamanhas afrontas. Bahia 5 de Julho de 1823. – 2º da Independencia. 74 Macedo continuava a afirmar que a Guerra na Bahia era estimulada por uma aliança entre José Bonifácio e Francisco de Montezuma, alegando que “O povo tem bons padrinhos, que não são Bonifacios, nem Tupinambás (...). Hum pouco de paciencia, e constancia,; e veremos esses presumidos afidalgados recolhidos ao Bastidor porque a Comedia ha de acabar”. 75 Era, segundo o jornalista, uma aliança que o sistema constitucional “tinha contra si desde o Rio de Janeiro até ao Rio Grande do Norte os Aristocratas, e os independentes de 1817”. Continua a afirmar que “Estes dois partidos derão-se as mãos com reciproco engano (...). O povo foi victima dos embusteiros para pegar Armas com o falso pretexto de que Portugal o queria escravizar”. 76 Sobre o jornal editado por Montezuma, afirmou, mais tarde, que “[...] No Brazil, desde 1820 tem havido huma inundação de Periódi- 74 BNRJ, Seção de Manuscritos, C-0091,051 nº002. PAIVA, Jose Henriques de. Carta a Jose Bonifácio de Andrada e Silva, com relato sobre os movimentos rebeldes na Bahia.[Bahia],1823 75 Idade d’Ouro do Brazil, n. 97, terça-feira 3 de dezembro de 1822. 76 Idade d’Ouro do Brazil, n. 100, sexta-feira 13 de dezembro de 1822. Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 221/262, jan./dez. 2013 | 253

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