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REVISTA_DO_INSTITUTO_GEOGRAFICO_E_HISTOR

do o cargo de Corte

do o cargo de Corte Imperial na Tipografia Nacional na Bahia, o que parece indicar certa oposição entre eles. Indício do fracionamento do campo liberal-maçônico na Bahia ou mero interesse pessoal? Seria de fato Vicente Moreira pedreiro-livre? No estágio em que se encontra a pesquisa, nada posso afirmar. Contudo, os indícios são fortes a este respeito, seja pelo interesse do Brigadeiro Moniz Barreto em compartilhar a redação do periódico com Moreira (e aparentemente, por fim, redigilo sem este), seja pelo teor do discurso de Moreira à frente do Grito da Razão, ou mesmo por conta do título deste. No n. 25, de 6 de maio de 1825, 18 aparece pela primeira vez registro indicando que “[...] Os Redatores do Grito da Razão publicam, que não admitem Correspondências desairosas ao Público”, evidenciando a nova autoria compartilhada do periódico. Não pretendo aqui traçar o itinerário da maçonaria baiana nas primeiras décadas do século XIX. O fato é que consta a fundação efêmera em Salvador da Loja Virtude e Razão, em 1802, posteriormente reorganizada com a denominação Virtude e Razão Restaurada (1807), e por fim intitulada, em 1808, Humanidade (ÁVILA JUNIOR, 2000; MOREL; SOUZA, 2008). Aparentemente, entre as palavras simbólicas mais utilizadas por Vicente Moreira no Grito está virtude, atrás somente de razão, quiçá também de luzes. Dizia ele, logo no n. 1 do periódico, que “só a virtude e as luzes podem fazer a nossa felicidade.” 19 É um linguajar marcadamente maçônico. O título Grito da Razão pode ser considerado um tanto ambíguo. “Razão” pode ser tida, e os testemunhos parecem indicar que assim era percebida pela população em geral, como sinônimo de ordem, moderação. Tal como se fala vulgarmente que alguém “deve ser chamado à razão”, ou seja, ser ponderado, mudar suas atitudes incorretas e tais. Mas também pode conter um significado talvez oculto à maioria de nós hoje, mas que não devia escapar a muitos dos que viveram na Bahia de então. A começar pela lembrança da Loja Virtude e Razão, aliás termos 18 Disponível em: . Acesso em 15 mai. 2013. 19 Grito da Razão, 13 de fevereiro de 1824. Disponível em: . Acesso em: 15 mai. 2013. 274 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 263/287, jan./dez. 2013

comuns em denominações de lojas no século XIX, e mesmo atualmente. 20 Com efeito, Razão possui um papel central na simbologia maçônica. Nas palavras de Paul Naudon (apud ASLAN, 1976, p. 936), na “marcha ascensional para a Luz, onde a via intuitiva parece primordial, é evidente que a razão não pode ser afastada. Em todos os seus ritos, a Maçonaria a invoca sem cessar.” No Diccionario carcundatico ou explicação das phrases dos carcundas, publicado no Rio de Janeiro em 1821 por José Joaquim Lopes de Lima, consta no verbete Razão: “Todos os Escriptos Carcundáticos abundão de razões sem razão, como as forenses...” 21 Assim, procuro entender (sem concluir) que o título “Grito da Razão” fosse sinônimo de “Porta-Voz da Maçonaria” moderada, ou da Maçonaria Azul, no linguajar dos maçons, aquela defensora da monarquia constitucional nos moldes britânicos ou algo próximo disto. 22 Curioso é que encontrei apenas uma referência direta à maçonaria 23 nos números analisados do Grito da Razão, e nenhuma alusão a seitas, ex- 20 Segundo Kurt Prober (1975), foram fundadas no Brasil ainda nos Oitocentos as lojas Razão (Cuiabá, 1830), Azilo da Razão (Goiás, 1835), duas Razão e Virtude (RS, 1833/1856) e a Razão Universal (Salvador, 1839). Oliveira Marques (1986, Vol. II), em seu Dicionário de Maçonaria Portuguesa, elenca três lojas que continham Razão em seus nomes em Portugal, entre 1849 e 1929, e uma em Madri, em 1869. Encontrei na internet quatro lojas maçônicas em funcionamento hoje (15 de maio de 2013) no Brasil que tem Razão em seus nomes (Razão e Justiça, Razão e Lealdade, Azilo da Razão e Suprema Razão). 21 Ver verbete à página 12. O Diccionario é uma paródia do linguajar político da época, especialmente de cunho maçônico. Disponível em: . Acesso em: 31 jan. 2013. 22 Ver em obra dos irmãos Ferreira (1975, 2 vols.), síntese sobre as maçonarias Azul e Vermelha na independência brasileira, especialmente no Rio de Janeiro. Para a Bahia, faltam trabalhos com esta perspectiva. No estágio atual da pesquisa deste autor, ainda não foi possível construir um quadro claro destas disputas na província. 23 No n. 3, de 12 de janeiro de 1825, há um extrato transcrito do Diário Fluminense, n. 141, contendo correspondência atacando a “espécie de proclamarão feita aos Brasileiros, como iniciação para lhes lazer conhecer os trabalhos das lojas Maçônicas de Hespanha”. Importante registro que indicaria a oposição de Moreira à Ordem. Entretanto como era comum pedreiros-livres destratarem outros irmãos, assim considero tal extrato transcrito. Disponível em: . Acesso em: 15 mai. 2013. Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 263/287, jan./dez. 2013 | 275

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