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ceto uma curiosa

ceto uma curiosa menção a um motim carbonário punido em Nápoles, Sicília. 24 Quanto à primeira epígrafe do Grito, 25 “La Liberté, La proprieté, La sureté, sout lês uniques liens, qui attachent lês hommes a La terre, quile habient”, do liberal francês Barão D’Holbach (1723-1789), é um indício de que apesar de moderado politicamente, Vicente Moreira era liberal em termos filosóficos. Considero a referência à obra Politique Naturelle (“tomo I, p. 125”, conforme referência de Moreira) uma escolha ousada, dado ser o Barão, enciclopedista de renome, um dos principais defensores do ateísmo no século XVIII. O Grito era impresso na Tipografia da Viúva Serva & Carvalho, continuação da famosa Tipografia de Manoel Antonio Silva Serva, da qual saíram publicações escritas por pedreiros-livres com conteúdo maçônico, mesmo que encoberto pelas metáforas poéticas ou a linguagem cifrada da imprensa. 26 Possuía diversos pontos de venda na Cidade da Bahia, além de Cachoeira, custando 60 ou 100rs o exemplar, a depender do tamanho da edição, com quatro ou seis páginas, tendo periodicidade bissemanal, às terças e sextas-feiras via de regra, mas esta nem sempre era respeitada (possuía raramente suplementos). A subscrição trimestral custava 1$600rs no início, reajustada posteriormente para 2$000rs. Para complementar a renda das subscrições, cada número continha ao final alguns poucos anúncios, onde se vendiam de barcos a escravos. Nem este reforço de caixa parecia ser suficiente, pois Moreira constantemente rogava aos subscritores os pagamentos devidos, “visto serem grandes os gastos da impressão”, frisava. No geral, por estas características pode-se afirmar que o Grito da Razão 24 Grito da Razão. N. 17, 9 de abril de 1824. Disponível em: . Acesso em: 15 mai. 2013. 25 “A Liberdade, a propriedade, a segurança, são os únicos laços que unem os homens à Terra que habitam”. Em seis de maio de 1825 (n. 25), quando aparece a menção a “redatores”, a epígrafe passou a ser “Eu desta vida só fico contente / Que a minha terra amei, e a minha gente”, creditada a “Ferreira”. 26 Ver, neste número da Revista do IGHBa, artigo de Pablo Antonio Iglesias Magalhães, Ignacio José de Macedo: da Idade d’Ouro ao Velho Liberal do Douro (1774-1834). Ver, do mesmo autor, A Parafraze dos Proverbios de Salomão: O código moral dos pedreiros livres impresso na Bahia em 1815 (inédito, em fase de editoração). 276 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 263/287, jan./dez. 2013

não escapa aos padrões gerais da imprensa de seu tempo, sendo tanto noticioso como opinativo. No primeiro número do Grito, de 13 de fevereiro de 1824, 27 que curiosamente saiu grafado Rasão, erro só corrigido no número 3, Vicente Ribeiro Moreira expôs um quadro da situação da Província do pós-guerra, em meio à “desgraçada crise em que nos achamos, e em que está o Brasil todo”. Ressalto que Moreira cita um prospecto do Grito em que já expusera suas motivações e aspirações para a publicação do periódico, mas este não foi ainda localizado. Não obstante, no referido n. 1 podemos ter uma síntese do pensamento do redator e da linha editorial por ele seguida, em suma, da sua pedagogia da ordem. Peço licença para uma transcrição longa, mas fundamental para a argumentação do presente trabalho e mesmo justificativa do seu título: O mísero estado a que está reduzida a grande, e fértil Província da Bahia, onde diariamente se atropelão todas as Leis, todos os direitos, os mais sagrados, dos homens; onde é nenhuma a segurança individual, onde se não respeita o direito de propriedade, onde continuamente se sentem os males das comoções políticas; onde a licença toma o nome da Liberdade; onde o Comércio se acha de todo estagnado; a Lavoura inteiramente paralisada, e os Agricultores sem recursos: onde as rendas públicas, cada vez mais se vão definhando; onde os Empregados, de todas as repartições, só procuram o seu cômodo, ainda mesmo à custa do público; onde a Tropa não tem aquela regularidade, e subordinação precisa, apesar dos desvelos, e incansável zelo patriótico dos seus Comandantes; onde uma populaça ignorante toma a palavra Liberdade, não no seu verdadeiro sentido, porém sim na licença de poder fazer tudo quanto lhes dita sua ambição, seus caprichos, seus delírios; onde finalmente as medidas de Polícia são ineficazes; parece merecer, e chamar seriamente as atenções de todos os Cidadãos amigos da or- 27 Disponível em: . Acesso em: 15 jun. 2013. Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 263/287, jan./dez. 2013 | 277

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