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cinco mulheres, das

cinco mulheres, das quais sua mãe era a esposa principal 19 . Martiniano Eliseu do Bonfim e Eugênia Ana dos Santos eram amigos e é sabido que o babalaô colaborou com a ialorixá na estruturação do grupo dos Obás ou Ministros de Xangô. Aninha concedeu a Martiniano, no Axé Opô Afonjá, o título de Ajimudá, o que marcou o respeito e a consideração que tinha a venerável mãe-de-santo pelo babalaô 20 . Os pais de Aninha eram Sérgio dos Santos, chamado como Aniió e Lucinha Maria da Conceição, Azambrió. Participaram da intimidade dos grupos mais ou menos hegemônicos que eram os iorubas/nagôs da Bahia naquela época. E Aninha seria cedo iniciada por sacerdotes nagôs da nação que viria a ser a sua, na expressão já referida: “minha seita é nagô puro”. Não se sabe a idade em que ela fez o santo em casa de Maria Julia Figueiredo, por Marcelina Obatossi. Sabe-se, portanto, que Marcelina, sua mãe-de-santo, “prima e filha de santo de Iá Nassô”, uma das fundadoras do terreiro conhecido como Engenho Velho, Casa Branca e ainda, Ilê Iá Nassô, faleceu em 27 de junho de 1885, quando Aninha, nascida em 13 de junho de 1869, tinha quase dezesseis anos. Estas informações de Édison Carneiro foram confiadas pela ialorixá Senhora, Maria Bibiana do Espírito Santo, filha de santo de Aninha e bisneta de sangue de Marcelina de Obatossi 21 : Depois da morte de minha avó Marcelina é que minha mãe fez santo no Engenho Velho. Fez Afonjá, com minha tia Teófila, Bamboxê e Joaquim”. Indagada sobre essa segunda feitura no santo, Senhora respondeu que “isso tinha que ser feito, porque Xangô deu dois nomes na terra de Tapa, Ogodô e Afonjá 22 . 19 E.F. FRAZER. The negro family in Bahia, Brazil. In: American Sociological Review. 1942, n. 4, vol. 7, p. 247. 20 CARNEIRO, Édison. Os obás de Xangô. In: Revista Afro-Asia. UFBA: 1966. 21 CARNEIRO, Édison. Cartas de Édison Carneiro a Artur Ramos: de 4 de janeiro de 1936 a 6 de dezembro de 1938. São Paulo: Corrupio, 1987, p. 55 22 Idem 68 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 55/76, jan./dez. 2013

Iniciada, muito cedo, Aninha, depois dos estágios rituais e pela sua já reconhecida capacidade de liderança, e ainda com o apoio de velhos tios e tias a quem se ligara, começou sua vida de sacerdotisa, de ialorixá. Com pouco mais de trinta anos, com a ajuda de Bamboxê, seu babalaô, sua primeira filha de santo, no Engenho Velho. Desse período da vida de Aninha, temos uma fonte escrita, o livro Axé Opó Afonjá, de autoria de Deoscóredes Maximiliano dos Santos, único filho da falecida ialorixá Senhora, Maria Bibiana do Espírito Santo, portanto, “neto” de Aninha. Didi conheceu Aninha desde menino e cresceu na intimidade do terreiro de São Gonçalo, onde sua mãe, Senhora, ao tempo de Aninha, tinha o posto de Ossi Dagã. No primeiro capitulo “Os primeiros tempos do Axé”, refere-se à movimentada vida religiosa de Aninha, nesse período de formação e afirmação sacerdotal: aos primeiros filhos de santo que fez, com a ajuda dos velhos tios e tias ligadas ao Engenho Velho, que eram, de certa forma, seus parentes de santo, especialmente Bamboxê, um dos oficiantes de sua iniciação; bem como as transferências de seu terreiro, do Camarão, no Rio Vermelho, para o alto da Santa Cruz, hoje Amaralina, e à mudança definitiva, em 1910, para a roça do alto de São Gonçalo do Retiro 23 . Ali Aninha fundou o seu terreiro, a casa de Xangô Afonjá, com tio Joaquim, seu amigo e de certa forma, seu irmão de santo, que morreria pouco depois de 8 de setembro de 1910, deixando na casa sua mulher Isadora. Em São Gonçalo, Aninha, uma mãe de santo jovem para os padrões da época, aos quarenta e um anos de idade, já era conhecida por muitos. Neste terreiro, notou-se a estrutura das comunidades, dos ebés, tradicionais da cultura ioruba nagô. Este padrão envolve uma liderança e uma numerosa hierarquia, além de aderentes e associados informais, com vagos compromissos rituais. Os titulares, donos de postos ou cargos, se encarregavam de diferentes atividades rituais. Assim, Aninha foi iniciada por Marcelina e Bamboxê, mas também com tia Teófila e tio Joaquim 24 . 23 SANTOS, D. M. Axé Opó Afonjá. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Estudos afro-asiáticos, 1962, p. 18 24 CARNEIRO, Édison. Cartas de Édison Carneiro a Artur Ramos: de 4 de janeiro de 1936 a 6 de dezembro de 1938. São Paulo: Corrupio, 1987, p. 57. Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 55/76, jan./dez. 2013 | 69

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