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tradição formada por

tradição formada por Rodrigues encontrou novos teóricos como o pernambucano Gilberto Freyre, que era estudante de antropologia com o americano Franz Boas nos anos de 1920. Freyre usava a sociologia em vez da biologia para explicar as relações raciais e com este método criou uma teoria nova sobre o papel do “africano no Brasil”. Esta teoria fazia parte da democracia racial, que sugeria que o Brasil não tivesse problemas de raça por causa da longa história de manumissão e mestiçagem entre as heranças portuguesas, indígenas e africanas. Com a influência de Boas, Freyre aproximou seus estudos com a visão de raça como diferente e menos relevante do que a cultura. Seu livro mais importante, Casa Grande e Senzala (1933), enfatizou a importância dos fatores físicos e ambientais para explicar as relações raciais específicas no Brasil. Ele descreveu influências positivas e negativas resultantes da incorporação dos africanos no desenvolvimento do Brasil. Esta incorporação funcionava ao lado da ideologia de enbranqueamento, que tinha o motivo de apagar elementos africanos com mestiçagem e a imigração europeia. Para promover e discutir seus trabalhos e novos métodos, Freyre organizou o Primeiro Congresso Afro-Brasileiro em 1934 no Recife. O Congresso reuniu líderes acadêmicos do mundo inteiro sobre a tema do “negro no Novo Mundo” e queria desconstruir os estudos de determinismo racial. A nova ênfase em cultura como mais importante do que a biologia aumentou a estratégia de identificar os traços africanos que sobreviviam nas culturas das Américas. Esta ideologia promoveu a busca de “africanismos” dirigido principalmente por americano Melville Herskovits, antropólogo da Universidade de Columbia e forte crítico de Landes (Romo 2007). Mesmo tendo enviado um ensaio ao Primeiro Congresso, Carneiro não participou. Ele viu a organização e as atividades do Congresso de Freyre como elitistas e inacessíveis à população estudada, os afrodescendentes. Para contestar a autoridade dos métodos e as conclusões de Freyre, Carneiro organizou o Segundo Congresso Afro-Brasileiro em Salvador em 1937 para reunir “as massas populares, os acadêmicos e os especialistas” (O Negro no Brasil 1940: “Palavras Inaugurais do Congresso da Bahia”). Os participantes discutiram com uma “orienta- 82 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 77/106, jan./dez. 2013

ção democrática” ensaios e teorias apresentados pelos líderes de candomblé, artistas baianos, e acadêmicos brasileiros e estadunidenses. O Congresso teve a preocupação de incluir os membros de candomblé nessas conversas acadêmicas para incorporar esta conversa em público. Terreiros de candomblé recebendo os membros do Congresso e lhes oferecendo performances e festas para celebrar a cultura afro-brasileira. Num artigo escrito por Carneiro no Estado da Bahia, ele explica como “Todo o ‘terreiro’ estava aberto à visita dos congressistas. A festa do Opô Afonjá encantou sobremaneira os Congressistas” (Carneiro, 14/1/1937). Os dois Congressos queriam legitimar o candomblé como uma religião válida e verdadeiramente brasileira. Esta colaboração direta com os membros de candomblé durante o Congresso de 1937 inspirou a criação da União das Seitas Afro-Brasileiras, que foi o primeiro grupo no estado da Bahia para representar o candomblé em público. A União foi a proposta da “mãe de santo mais honorável da Bahia” Dona Aninha, do terreiro Nagô Ilê Axé Opô Afonjá e foi organizada por Carneiro. A União foi fundada com a intenção de organizar-se e representar-se na comunidade de candomblé contra a repressão dirigida pelo Estado. Enquanto os membros da União tinham ideias diferentes sobre tradição, a herança africana e a pureza Nagô, todos queriam revisar as noções populares que o candomblé era magia negra e os membros eram “estrangeiros” da sociedade baiana. A União serviu os Direitos e Garantias Individuais da Constituição de 1934 que diz “É inviolável a liberdade de consciência e de crença e garantido o livre exercício dos cultos religiosos, desde que não contravenham à ordem pública e aos bons costumes. As associações religiosas adquirem personalidade jurídica nos termos da lei civil” (Inciso 5 do artigo 113, acessado em Talento; Couceiro 2009: 61). Carneiro e os líderes da União reconheceram que o Estado estava violando esta liberdade civil com a repressão ao candomblé. Eles organizavam-se para melhorar esta situação, mas tinham restrições como mobilização, apoio e recursos. No ano 1934, depois de formar-se na UFBA em Direito, Carneiro entrou no Partido Comunista do Brasil integrando-se ao grupo comunista literário, chamado depois de Academia dos Rebeldes. A missão da Academia era “[...] valorizar a cultura popular, particularmente, a cultura africana e afro-baiana, que foram marginalizadas durante a colo- Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 77/106, jan./dez. 2013 | 83

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