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nização do Brasil”

nização do Brasil” (Review Soares, 2005: Intro). Os escritores baianos mais famosos dessa época, incluindo Jorge Armado, Sosígenes Costa, Áydano Ferraz, Guilherme Dias Gomes, João Alves Ribeiro, Walter da Silveira, Da Costa Andrade, De Souza Aguiar e Clóvis Amorim, colaboraram e publicaram na revista O Momento, incorporando a vida e os problemas dos afro-brasileiros em seus trabalhos literários. Carneiro e seus colegas faziam parte dos, [...] intelectuais e os artistas do PCB [que] colocavam em prática a política cultural do partido, baseada no realismo socialista, modelo estético stalinista que chegou ao Brasil na segunda metade dos anos 1940. A produção de uma arte “genuinamente” proletária era um dos principais instrumentos de educação política das massas (PCdoB, 2011). Mesmo que Carneiro tenha se identificado como comunista, ele fazia parte do partido como um intelectual e jamais como um militante. Como o partido mais revolucionário nessa época, o PCB seria uma boa opção para Carneiro, para expressar seu desdém pelo governo, especialmente pela ditadura federal de Vargas. Mas é importante a reconhecer que o marxismo como forma de análise não estava bem presente em seus trabalhos além da questão das classes na sociedade. Contudo, este contexto enformou os trabalhos de Carneiro e a orientação que ele deu a Landes. Seu livro mais influente e impressionante, Os Candomblés da Bahia (publicado em 1948, um ano após A Cidade das Mulheres), explica história, heranças e rituais de candomblé num texto bem compreensivo e sistemático. Este livro já tem seis edições publicadas, e ainda é usado nas universidades e por intelectuais que trabalham nesse campo. O livro tentou revisar a ideia da superioridade das culturas sudanesas apresentada por Nina Rodrigues e incorporar a importância das culturas Jeje-Nagô e Bantu a fim de representar a diversidade das heranças africanas e a mistura racial no Novo Mundo. Candomblés da Bahia reforçou a superioridade da cultura nagô em relação ao caboclo e apresentou rituais de nagô como a forma certa para todos os candomblés. O livro foi completado após sua colaboração com Landes e 84 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 77/106, jan./dez. 2013

incorpora suas ideias do matriarcado e diminui o papel dos homens nos candomblés. Carneiro é reconhecido mais por seu apoio à pureza Nagô e à tese de matriarcado de Landes, mas isso limita a gama e a significação de sua carreira. Carneiro escreveu histórias reconstrutivas para representar a população negra dum jeito mais justo e representativo. Seus trabalhos mais notáveis incluem A trajetória de Castro Álves (1947), A cidade do Salvador 1549: uma reconstituição histórica (1956), A insurreição praieira (1961), e O Quilombo dos Palmares (1946). Seu livro sobre Castro Álves, abolicionista do século 19, descreveu-o como um “poeta republicano” e um “burguês revolucionário”. Carneiro reviu os poemas de Castro Alves sob a perspectiva de que “[...] a revolução que ele pregava ainda não foi realizada, embora tenhamos abolição e uma república” (Carneiro 1947: Intro). Numa carta que ele escreveu a Landes, Carneiro caracterizou este livro como tendo o sucesso de um best-seller por causa de sua “[...] interpretação política, completamente nova no Brasil” (EC to RL, 7/28/47, CNFCP) 4 . Seu outro livro, A cidade do Salvador 1549, incorpora o papel do africano e do afro-brasileiro na criação e no sucesso da cidade, em vez de se centrar nos funcionários e proprietários de escravos como os líderes da história. Mais tarde, na sua vida, Carneiro escreveu sobre a revolta liberal, a Insurreição Praieira, no estado de Pernambuco que era uma luta entre o latifundiário, o governo e o povo sem-terra para controlar os recursos nacionais após a Independência do Brasil. Em geral, as concepções da carreira de Carneiro são simplificadas e não representam sua visão nem sua experiência inteira. O IV Curso Manuel Querino em homenagem ao centenário de Édison Carneiro em Agosto 2012, na Biblioteca Barris, em Salvador, reuniu os poucos acadêmicos que estudam Carneiro ou usam o seu trabalho em suas pesquisas. Seu velho amigo e professor de UFBA, aposentado, Waldir Freitas Oliveira, com seus biógrafos Biaggio Talento e Luiz Alberto Couceiro fala- 4 As citações das cartas entre Édison Carneiro e Ruth Landes vieram de duas fontes. A primeira, o Centro Nacional de Folclore e Cultural Popular (CNFCP) no Rio de Janeiro. A segunda, o National Anthropological Archives (NAA) (Arquivos Nacionais de Antropologia) do Instituto Smithsonian em Washington, DC. Usei abreviaturas EC (Édison Carneiro) e RL (Ruth Landes) com a data da carta e o lugar onde eu acessei a fonte. Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 77/106, jan./dez. 2013 | 85

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