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percebeu isso quando escreveu que, “[...] Boas apressou seus estudantes no campo para recolher os restos de culturas primitivas nas américas, porque ele achava que estavam chegando ao fim” (Landes. In: Comment on Field Research”*). Nessa época, a antropologia como disciplina acadêmica abriu-se para mulheres porque Boas “enfatizava habilidade, não gênero”. Boas entendia que para interpretar “[...] como mulheres numa cultura particular sentem ou porque atuam dum jeito” (Nord: 9); a pesquisadora tem que ser uma mulher também. Sua identidade como mulher influenciava seuas temas, sites, estilos de pesquisar, e a direção de suas carreiras porque era sua responsabilidade avaliar as mulheres de culturas diferentes (Cole 2003: 55*). A acadêmica proeminente Margaret Meade, uma estudante de Benedict (e depois sua namorada também), não apoiava os métodos e as conclusões dos artigos que Landes escreveu sobre o candomblé e a Bahia em 1940. Meade considerou “[...] Landes exasperante porque ela sempre confundia a homossexualidade passiva com ativa, e mais ainda não se comportava nem como senhora nem como uma acadêmica ordinária e própria” (Cole 2003: 282-3*). Segundo Mark Healey, a abordagem antropológica de Meade e Benedict tinha “gênero e sexualidade no centro de suas análises” (Healey 1998: 91, 88). Esta sensibilização feminina criou, às vezes, conclusões distorcidas que procuravam apoiar o feminismo dos Estados Unidos em vez da realidade de matriarcados ou relações de gênero progressivas nas culturas estudadas. Healey notou que suas “construções idealizadas naturalmente diminuíram a violência e a dominação” (Healey 1998: 93*). Isso é evidente em A Cidade das Mulheres quando Landes idealiza o poder femininista e a harmonia racial na Bahia como uma realidade absoluta. Para preparar-se para a viagem ao Brasil, Landes estudou na Universidade Fisk no estado de Tenessee, sob a direção do sociólogo Robert Park onde ela se preparou sobre o conceito “do negro no novo mundo”. Ela foi enviada ao Brasil pela Universidade de Columbia “[...] para o objetivo ostensivo de aprender por que nesta terra vasta de mulatos com uma mistura de sangue branco, indígena e africano, não havia mostra de problemas ou de prejuízo com o racismo” (Landes Lecture: 5*). Esta noção da harmonia racial formado por Freyre já enformava o que ela antecipava na sua vida na Bahia. Ela tinha ideias pré-concebidas do ma- 88 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 77/106, jan./dez. 2013

triarcado também; num artigo de 1970, ela refletiu, “[...] eu imaginava que, segundo os materiais que Park e Pierson me deram na Universidade Fisk, que as mulheres negras iriam deesempenhar um papel importante no Brasil, como nas regiões do Ibo e no oeste da África, de onde elas maiormente são derivadas”. Landes admitia sua ingenuidade da história brasileira e ´da lngua portuguesa, porque ela achava que “era quase impossível encontrá-las em Nova York” (Landes 1970: 122, 120*). Essas preparações e suposições enformaram o contexto que Landes pesquisava, mesmo antes de ela chegar ao Brasil. Claro que o Brasil tinha condições inesperadas que desafiaram Landes e forçaram-na a adaptar-se de maneiras imprevisível na Bahia. A metodologia de Landes e a sua prática de trabalho de campo causaram as maiores controvérsias em sua carreira. Landes trabalhava “concretamente na tradição que definiu observação e encontros cara-acara como o ponto inicial da investigação social” (Gacs et al 1988: 212*). Como estudante de Benedict “desviante” (Lapsley: 226*), Landes fez seu trabalho de campo com um foco nos indivíduos influenciados pela cultura, e não como culturas, completos e uniformes como Benedict definia (Gacs et al 1988: 212*). Numa resenha pessoal de livro A Cidade das Mulheres, Landes explica a sua metodologia como uma abordagem pessoal e emocional. Ela acreditava que a Antropologia era “[...] destinada a entender como pessoas vivem... para ver e compreender o que pessoas fazem, sentem, o que passa nas suas mentes e emoções”. 25 anos depois numa resenha, Landes apoiou este método ainda, explicando, Frequentemente escritores negligenciam as individualidades de seus informantes, as personalidades; a implicação metodológica, então, é a de que todos são iguais. Talvez porque escritores pensem em termos de ‘estratégias’ em vez de ‘criatividade’... Eu mesmo não posso falar sobre o mundo afro-brasileiro que eu conheci sem ouvir, ver, cheirar imediatamente os atuantes vividos dentro” (Landes 1971: “Book Review of Afro-American Anthropology*). Os críticos rejeitaram sua tese de candomblé como matriarcal porque ela não apresentou suas conclusões num jeito tradicionalmente Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 77/106, jan./dez. 2013 | 89

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