Views
11 months ago

REVISTA_DO_INSTITUTO_GEOGRAFICO_E_HISTOR

satisfeito com seu

satisfeito com seu retrato, em relação à minha aristocracia, divertem-me as coisas que você relembra” (EC a RL, 28/8/1947, CNFCP) 6 . Os colegas de Carneiro concordaram com respeito a seu comportamento, observando que ele só tinha amigos brancos e conscientemente apresentava-se de um jeito burguês. A participação de Carneiro no PCdoB o colocou e à sua parceira Landes como pesquisadores de candomblés numa posição precária. Embora Carneiro nunca trabalhasse como militante comunista antagônico à ditadura em público, ele percebia os perigos de sua pesquisa e trabalho. A suspeita e a repressão dos terreiros do Estado Novo nos quais eles estavam trabalhando eventualmente os deixou perseguidos e exilados pelo governo federal fora da Bahia. 7 Nas cartas trocadas entre si, fica claro que Carneiro e Landes tiveram um relacionamento amoroso enquanto estiveram juntos na Bahia. A literatura neste assunto em geral não valoriza muito este aspecto de seu relacionamento, mas este fato criou uma ligação fundamental entre eles, facilitando uma conexão e uma colaboração mais profunda e duradoura. Seu romance os guiou juntos no que Carneiro chamou “tantos dias lindos nos candomblés da Bahia” (EC a RL, 22/2/1946, CNFCP), para ajudar Landes a escrever um conto controverso sobre o candomblé, apresentado para o mundo inteiro. Como Carneiro refletiu mais tarde na vida, “Você estava no cruzamento de minha vida - você pegou minha mão e eu segui em sua direção e marchamos juntos. Que alegria você me deu!” (EC a RL, 22/10/1939). Juntos eles tornaramse autoridades internacionais nos estudos afro-brasileiros e publicaram trabalhos que são bem relevantes até hoje. Apesar das emoções fortes que Carneiro sentia por Landes 8 , ele sempre valorizava seu “nosso belo 6 Todas as cartas acessadas no CNFCP e usadas neste ensiao foram escritas em inglês, e eu as traduzi para este ensaio. Todas as cartas acessadas no NAA foram escritas em português, salvo os seguintes que eu traduzi: RB a RL, 12/1/1939, EC a RL, 28/5/1946, 7/7/1939, 14/7/1939, 22/12/1939. 7 Mais informação sobre a perseguição e esta questão de ser comunista está disponível na versão maior deste trabalho, disponível aqui http://escholarship. org/uc/ item/9q13z1w6. 8 Depois que Landes saiu da Bahia em 1939, Carneiro escreveu a ela com um tom mais desesperado, dizendo coisas como “Eu te preciso”, “Eu te amo, porque não está me escrevendo?”, “Eu preciso ter você de novo para ser feliz... meu amor sempre está te protegendo e te guardando” (EC a RL, 18/11/1939, 11/11/1939, 8/6/1939, NAA) 92 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 77/106, jan./dez. 2013

contato intelectual” em vez de seus sonhos irrealistas de casar-se e criar uma família (EC a RL, 18/11/1939, 14/7/1939, NAA). Landes voltou aos Estados Unidos do Brasil em 1940 e como ela explicou numa carta a Carneiro, “[...] não era muito estudiosa por causa da Guerra Mundial”. Ela publicou dois artigos bem influentes e controversos que utilizam a análise de sua pesquisa com Carneiro na Bahia, que se chamam “Matriarcado cultural e homossexualidade masculina” e “O culto fetichista no Brasil”. Landes escreveu sobre o papel dos homossexuais “passivos” no candomblé, como eles negavam seu gênero por seus desejos de ser mulheres, aproximando-se à mãe de santo matriarcal. Ela explica como alguns se vendiam na rua como prostitutos, enquanto outros “[...] restringem seu feminismo cada vez mais para as ocasiões do culto, enquanto na vida secular tentam imitar as ações dos homens” (Landes 1940: 394*). Seus artigos também elaboram a degradação da tradição do caboclo em contraste com o prestígio do nagô. Esses artigos apresentam informações e análises condensadas, que são mais alongadas e explicadas em A Cidade das Mulheres (1947). Landes também traduziu o artigo que Carneiro escreveu que se chama “The Structure of African Cults in Bahia” (“A estrutura dos cultos africanos na Bahia”), que apareceu no Journal of American Folklore (Jornal de Folclore Americano). Estes artigos escritos por Landes e Carneiro facilitaram a propagação de suas ideias na antropologia e nas comunidades acadêmicas nos Estados Unidos. Depois de voltar, Landes teve dificuldade de encontrar um bom emprego, em parte por causa das percepções que seus colegas americanos tinham sobre seu jeito de pesquisar no Brasil e seu comportamento nas comunidades negras. Isso afetou seu relacionamento com a antropóloga proeminente Margaret Meade, que disse em 1940 que “[...] toda essa besteira que está circulando sobre ligações e fidelidades e partidos e lados deveriam ser desencorajados... não deixe que ninguém a coloque na situação de ser a responsabilidade de qualquer um” (MM a RL, 5/3/1940, MPP), possivelmente aludindo a seu relacionamento íntimo com Carneiro. Em uma aparente carta de recomendação, Meade opina sobre Landes que “[...] suas deficiências mais conspícuas são no campo de organização.... ela cabe melhor como membro dum time de pesquisa ou num departamento como membro menor, em vez de ter toda a res- Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 77/106, jan./dez. 2013 | 93

  • Page 1 and 2:

    ISSN 1516-344x REVISTA DO INSTITUTO

  • Page 3 and 4:

    REVISTA DO INSTITUTO GEOGRÁFICO E

  • Page 6:

    © 2013 Instituto Geográfico e His

  • Page 10 and 11:

    Édison Carneiro and Ruth Landes Au

  • Page 12:

    GALERIA DE FOTOGRAFIAS 337 ESPAÇO

  • Page 16 and 17:

    levantamento dos elementos e caract

  • Page 18 and 19:

    Paulo Lachenmayer, OSB, abordando a

  • Page 23 and 24:

    Aproximações entre as crônicas m

  • Page 25 and 26:

    começo de uma nova configuração

  • Page 27 and 28:

    O modo de vida e a palavra de São

  • Page 29 and 30:

    A crônica no Mosteiro de São Bent

  • Page 31 and 32:

    Todos os fólios são rubricados no

  • Page 33 and 34:

    Os paes e sobretudo as mães aponta

  • Page 35 and 36:

    cronologia do livro é apresentada

  • Page 37 and 38:

    si, que não querem confessar que n

  • Page 39 and 40:

    O maestro Sílvio Barbato e o últi

  • Page 41 and 42: ça, magistralmente apresentadas pe
  • Page 43 and 44: poeta, também brasiliense, Renato
  • Page 45: em: http://www.cultura.gov.br/site/
  • Page 48 and 49: Há algum tempo venho fazendo uma r
  • Page 50 and 51: Isto é uma definição de polític
  • Page 52 and 53: Na nossa história tem o registro d
  • Page 55 and 56: O II Congresso Afro-Brasileiro e a
  • Page 57 and 58: Um aspecto pioneiro no Congresso, c
  • Page 59 and 60: mandei buscar, a tradução e a ort
  • Page 61 and 62: chave. Em 1935, viajou com Carneiro
  • Page 63 and 64: Quando se avalia a inclusão de tai
  • Page 65 and 66: epresentativos das melhores qualida
  • Page 67 and 68: Depois, em 1938, esteve na Bahia a
  • Page 69 and 70: Iniciada, muito cedo, Aninha, depoi
  • Page 71 and 72: trabalho sobre os quitutes trazidos
  • Page 73 and 74: da cita argumentos de Aninha no seu
  • Page 75 and 76: no Taboão e na Baixa dos Sapateiro
  • Page 77 and 78: Édison Carneiro and Ruth Landes Au
  • Page 79 and 80: O apoio de Carneiro ao longo da car
  • Page 81 and 82: zer rebeliões contra o governo rac
  • Page 83 and 84: ção democrática” ensaios e teo
  • Page 85 and 86: incorpora suas ideias do matriarcad
  • Page 87 and 88: mundo moderno” (Cole 2003: 91*).
  • Page 89 and 90: triarcado também; num artigo de 19
  • Page 91: como uma boa autoridade e colega, e
  • Page 95 and 96: a Landes de criar um produto final
  • Page 97 and 98: dioso e escritor... o fato era que
  • Page 99 and 100: na tradição Nagô e nos terreiros
  • Page 101 and 102: Carneiro, Édison. Religiões Negra
  • Page 103 and 104: Price, David H. Threatening Anthrop
  • Page 105 and 106: Acessado no National Anthropologica
  • Page 107 and 108: Maria Quitéria nas palavras de Mar
  • Page 109 and 110: era chamada Maria, e não Mary como
  • Page 111 and 112: A tela de 1920, de Domenico Failutt
  • Page 113 and 114: Foi o 95 th Rifles que continuou o
  • Page 115 and 116: foram capturados. Quem sabe, o Bake
  • Page 117 and 118: Detalhe do Baker com a Coroa Imperi
  • Page 119: SIQUEIRA, Vera Beatriz et alii. Cas
  • Page 122 and 123: impulsionados pela crescente e indi
  • Page 124 and 125: opeia [...]. Sem dúvida a mais ric
  • Page 126 and 127: cunvizinhança. Economicamente, o d
  • Page 128 and 129: essa sim definitiva, que, infelizme
  • Page 130 and 131: Notadamente, no caso da vila de Cac
  • Page 132 and 133: XIX, estes sofreram e ainda sofrem
  • Page 134 and 135: que a contaminao, foi ultimamente o
  • Page 136 and 137: suas agoas. O prejuízo público qu
  • Page 138 and 139: De igual modo, pode ser observado e
  • Page 140 and 141: GOMES, Fernando; MONTEIRO, Márcia.
  • Page 142 and 143:

    The attack of Nassau to the Recônc

  • Page 144 and 145:

    D. Pedro da Silva de Sampaio, 5 out

  • Page 146 and 147:

    conjunto, sendo necessário, portan

  • Page 148 and 149:

    seja, fugiram derrotados para Perna

  • Page 150 and 151:

    Clero Com / procissoes na See, e la

  • Page 152 and 153:

    DOCUMENTO 2 - Cod. CXVI/ 2-3 a fol.

  • Page 154 and 155:

    nouas cabeças ou Inda de passar a

  • Page 156 and 157:

    DOCUMENTO 3 - Cod. CXVI/ 2-3 a fol.

  • Page 158 and 159:

    agradeseo muito o tornarem em sy; n

  • Page 160 and 161:

    muita Comtta; ficamos Senhores do c

  • Page 162 and 163:

    por Certidão / De como não oue (s

  • Page 165 and 166:

    Irmão Paulo Lachenmayer, OSB: A ar

  • Page 167 and 168:

    UFBA, a capa da primeira edição d

  • Page 169 and 170:

    de São Bento. Passei a ter em mão

  • Page 171 and 172:

    movimento católico patrocinou uma

  • Page 173 and 174:

    Prevaleceu a hierarquia, e Irmão P

  • Page 175 and 176:

    O monge alemão também prestou ser

  • Page 177 and 178:

    O pioneirismo da TV Itapoan Sérgio

  • Page 179 and 180:

    Canal 6, e a TV Jornal do Commérci

  • Page 181 and 182:

    A Bahia passa a integrar hoje [19/1

  • Page 183 and 184:

    O canal baiano, além de alterar co

  • Page 185 and 186:

    forasteiro, um desses migrantes que

  • Page 187 and 188:

    De outra feita, uma garota-propagan

  • Page 189 and 190:

    Desenvolvendo um forte trabalho de

  • Page 191 and 192:

    audiência voltar a ser a segunda m

  • Page 193:

    chega a 250, dos 417 municípios ba

  • Page 197 and 198:

    Rumo ao bicentenário do Dois de Ju

  • Page 199 and 200:

    na autorização do IGHB para que a

  • Page 201 and 202:

    O Dois de Julho: A imprensa como pr

  • Page 203 and 204:

    ção de uma Junta Provisória de G

  • Page 205 and 206:

    cavo e nos subúrbios distantes. Os

  • Page 207 and 208:

    lhos de europeus. Baianos eram, nes

  • Page 209 and 210:

    O Independente Constitucional era t

  • Page 211 and 212:

    que era homem ocupadíssimo, reclam

  • Page 213 and 214:

    o Idade D’ Ouro do Brasil por con

  • Page 215 and 216:

    nominava de aristocrática e democr

  • Page 217:

    sem periodicidade que circulavam um

  • Page 220 and 221:

    Na primeira página do meu texto es

  • Page 222 and 223:

    and intellectual life in the Captai

  • Page 224 and 225:

    Sampaio, que também exerciam a ati

  • Page 226 and 227:

    castigo foi o degredo na região do

  • Page 228 and 229:

    ciudad de Bahia se instaló tambien

  • Page 230 and 231:

    do ainda permanecia subordinado aos

  • Page 232 and 233:

    e Silva, a quem conheceu na Bahia.

  • Page 234 and 235:

    Sua história literária se inicia

  • Page 236 and 237:

    primeira, uma carta destinada a D.

  • Page 238 and 239:

    jão felizes”. 48 O próprio Mace

  • Page 240 and 241:

    zitana e editor de textos clássico

  • Page 242 and 243:

    os erros na administração colonia

  • Page 244 and 245:

    nascer nobre para ter infatuações

  • Page 246 and 247:

    Ora, o Sr. Hypolito anda ha muitos

  • Page 248 and 249:

    io, e deixando facécias; que fez L

  • Page 250 and 251:

    juramento que haviamos dado de nos

  • Page 252 and 253:

    do Rio de Janeiro à Bahia por Jos

  • Page 254 and 255:

    cos, e aquelle vasto Continente nã

  • Page 256 and 257:

    As tesouras censorias de 1828 e a g

  • Page 258 and 259:

    Tive a sorte de encontrar o “Velh

  • Page 260 and 261:

    Quem me conhece sabe que eu fui par

  • Page 262 and 263:

    de Macedo, ou Colleção do Velho L

  • Page 264 and 265:

    The pedagogy of order in Bahia - tr

  • Page 266 and 267:

    AHU datados de 1802, encontram-se e

  • Page 268 and 269:

    Razão” o que na verdade cooperou

  • Page 270 and 271:

    Ao se queixar ao Imperador (a 14 de

  • Page 272 and 273:

    legitimados na mesma ocasião que V

  • Page 274 and 275:

    do o cargo de Corte Imperial na Tip

  • Page 276 and 277:

    ceto uma curiosa menção a um moti

  • Page 278 and 279:

    dem [maçônica?], mormente dos que

  • Page 280 and 281:

    Jamais deveremos consentir, que as

  • Page 282 and 283:

    Contudo, dias depois, 29 Vicente Mo

  • Page 284 and 285:

    Apesar de oriunda da pena de outra

  • Page 286 and 287:

    . N. 13, 26 de março de 1824. Disp

  • Page 289:

    Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 15-

  • Page 292 and 293:

    ção, bafejada por ares republican

  • Page 295 and 296:

    Bernardino José de Sousa Arno Wehl

  • Page 297 and 298:

    minação definitiva. As variaçõe

  • Page 299 and 300:

    fora posta em prática por Gilberto

  • Page 301:

    a “Casa da Memória Nacional” o

  • Page 304 and 305:

    O Instituto disseminou a Atualizaç

  • Page 306 and 307:

    Compôs o quadro reputacional de v

  • Page 308 and 309:

    de nos legar uma coleção de artig

  • Page 310 and 311:

    versidade Federal da Bahia, em 1946

  • Page 312 and 313:

    culdade de Direito, no verde campus

  • Page 315 and 316:

    Décimo primeiro presidente Mons. M

  • Page 317 and 318:

    Pároco de brotas Durante dois anos

  • Page 319 and 320:

    terceiro centenário da proclamaç

  • Page 321 and 322:

    Posteriormente, figurou, como repre

  • Page 323 and 324:

    Da sua vida acadêmica merecem regi

  • Page 325 and 326:

    Foram poucos os historiadores que,

  • Page 327 and 328:

    A ermida pequenina e branca, erguid

  • Page 329:

    Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 15-

  • Page 332 and 333:

    243-274, 1976-77 BARBOSA, Manoel de

  • Page 335:

    Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 15-

  • Page 338 and 339:

    Monsenhor Barbosa na solenidade de

  • Page 341:

    Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 15-

  • Page 344 and 345:

    por uma onda de corrupção incontr

  • Page 347 and 348:

    Relatório da Biblioteca Ruy Barbos

  • Page 349:

    Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 15-

  • Page 352 and 353:

    Junho 28 - Mesa Redonda “A Impren

  • Page 355:

    Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 15-

  • Page 358 and 359:

    Efetivos Adélia Maria Marelim Adem

  • Page 360 and 361:

    João Bosco Soares dos Santos João

  • Page 362 and 363:

    Vanessa Ribeiro Simon Cavalcanti Ve

  • Page 364 and 365:

    Fátima Alves Tostes Fernando Abott

  • Page 367:

    Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 15-

  • Page 370 and 371:

    sugeridas pelos Pareceristas, só s

  • Page 372 and 373:

    das fontes. Citações - Devem ser

  • Page 374 and 375:

    Disponível em: . Acesso em: 14 ago

  • Page 377:

    Aquisição de exemplares e endere

o-jornal-da-cidade-online-edicao-05-2014
o-jornal-da-cidade-online-edicao-03-2014
2016-05-30_a_tarde
Texas - GUIA DE TURISMO - Personal Brasil Turismo
O que é aço doce? Salvador - Bahia Vem aí o ... - Villares Metals
I Os donos da história - Fundação Biblioteca Nacional
2013 15 anos - Fundação Cultural do Estado da Bahia
Valentão espanca mulher indefesa e depois a leva à Delegacia.
palácios de évora - Câmara Municipal de Évora
Saber mais - Versão digital - Fundação Portuguesa das ...
Edição 2007 - Prefeitura de Cajamar
Aerovisão – Por quem decolamos - Força Aérea Brasileira
Jornal do Instituto - Instituto de Engenharia
Acesse o livro aqui - EBC - Empresa Brasil de Comunicação
Investir em metrô e trem significa melhorar a vida nas ... - CNM/CUT