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a historia de israel no antigo testamento

• CAPÍTULO 9: O REINO

• CAPÍTULO 9: O REINO DIVIDIDO Os dois reinos que surgiram após a morte de Salomão são comumente conhecidos e diferenciados pelos apelativos de "Norte" e "Sul". Este único designa o estado mais pequeno, governado pela dinastia de Davi desde sua capital em Jerusalém até 586 a.C. consistia nas tribos de Judá e Benjamim, as que apoiaram a Roboão com um exército quando o resto das tribos se levantaram em rebelião contra as opressivas medidas de Salomão e seu filho (1 Rs 12.21). O Reino do Norte designa as tribos dissidentes, que fizeram a Jeroboão seu rei. Este reino durou até 722 a.C., com sua capital sucessivamente em Siquem, Tirsá e Samaria. As designações bíblicas comuns para estes dois reinos são "Israel" e "Judá". A primeira está restringida usualmente em seu uso ao Reino do Norte, enquanto que a segunda se refere ao Reino do Sul. Originalmente o nome de "Israel" foi dado a Jacó (Gn 32.22-32). Durante toda sua vida já foi aplicado a seus filhos (Gn 44.7), e sempre, desde então, qualquer descendente de Jacó tem sido chamado "israelita". Desde os tempos patriarcais até a ocupação de Canaã, "Israel" tem especificado a totalidade da nação hebraica. Esta designação prevaleceu durante a monarquia de Davi e Salomão, inclusive quando estava dividida, a princípios do reinado de Davi. A tribo de Judá, que estava estrategicamente situada e excepcionalmente forte, chegou a sua proeminência durante o tempo de Saul (ver 1 Sm 11.8, etc.). Depois da divisão em 931 a.C., o nome de Judá identificava o Reino do Sul, que continuou sua aliança com a dinastia davídica. A menos que não se indique outra coisa, os nomes de "Israel" e "Judá" neste volume representam respectivamente os reinos do Norte e do Sul 182 . Outro apelativo para o Reino do Norte é "Efraim". Embora este nome é originalmente dado a um dos filhos de José (Gn 41.52), designa especificamente a tribo que conduziu a nação à secessão. Estando situada no norte de Benjamim e Judá, "Efraim" representava a oposição a Judá e com freqüência incluía a totalidade do Reino do Norte (ver Isaias e Oséias). Cronologia Este é o primeiro período na história do Antigo Testamento em que algumas datas podem ser fixadas com virtual certeza. A história secular, descoberta mediante a investigação arqueológica, proporciona uma lista epônima 183 que conta para cada ano na história da Assíria desde 891 a 648 a.C. 184 Ptolomeu, um brilhante erudito que viveu aproximadamente em 70-161 a.C., compôs um cânon, relacionando os governantes babilônicos e persas, desde o tempo de Nabonassar (747 a.C.), até Dario III (332 a.C.) 185. Além disso, também dá uma lista dos governantes gregos, Alexandre e Filipo da Macedônia, os governantes ptolemaicos do Egito e os governantes romanos que chegam até o ano 161de nossa era. Como astrônomo, geógrafo, historiador e cronologista, Ptolomeu proporciona uma vital informação. O mais valioso para os historiadores modernos é o material astronômico que fez possível comprovar a precisão de seus dados em numerosos pontos, de forma tal que "o cânon de Ptolomeu pode ser utilizado como guia histórica com a maior confiança" 186. Dois fatos significativos subministram o elo entre a história assíria e o relato bíblico dos reis hebraicos durante o período do reino dividido. As inscrições assírias indicam que Acabe, rei de Israel, participou da batalha de Karkar (853 a.C.) contra Salmaneser III, e que Jeú, outro rei de Israel, pagou tributo ao mesmo rei assírio em 841 a.C. Ao equiparar os dados bíblicos concernentes aos reis hebraicos Acazias e Jorão com este período de doze anos da história assíria, 182 "Israel" se usa também na Bíblia como um termo para identificar com ele o povo fiel a Deus. Conseqüentemente, seu uso na Escritura deve ser interpretado de acordo com o contexto, dessa forma. 183 Epônimo: que dá nome a um povo, a uma cidade, uma época, etc. Por exemplo: Alexandre Magno e Alexandria. 184 Para uma lista completa, ver E. R. Thiele, "The Mysterious Numbers of the Hebrew Kings" (University of Chicago Press, 1951), pp 287-292. Também ver D. D. Luckenbill. "Ancient Records of Assyria and Babylonia II" (University of Chicago Press, 1927), pp. 430, ss. 185 Ver Thiele, op. cít., p. 293. 186 Ibíd., p. 47. 112

Thiele tem sugerido uma pista para a adequada interpretação da cronologia 187. Com estas duas datas definitivamente estabelecidas no sincronismo entre a história hebraica e a assíria, propõe um esquema de absoluta cronologia para o período que vá desde a desagregação até a queda de Jerusalém. Isto serve como uma clave prática para as interpretações das numerosas referências cronológicas nos relatos de Reis e Crônicas. Permitindo um ano como fator variável, as datas terminais para Israel (a queda de Samaria) e para Judá (a queda de Jerusalém) estão fixadas respectivamente como 722 e 586 a.C. O mesmo pode dizer-se para a batalha de Karkar em 853 a.C. a data para o começo dos dois reinos está sujeita a maior variação. Uma simples adição de todos os anos admitidos para os reis hebraicos totalizam quase quatro séculos. Sobre a base desta tabulação, muitos eruditos , tais como Hales, Oppert, Graetz e Mahler, têm datado a desagregação do reino salomônico dentro do período de 990-953 a.C. A data mais popularizada é a dada por Ussher, adotada por Edercheim, e incorporada na margem de muitas Bíblias durante o século passado. Os recentes descobrimentos arqueológicos relacionados com a história contemporânea do Próximo Oriente têm iluminado muitas passagens bíblicas que necessitavam uma reinterpretação dos dados bíblicos. O período do reino dividido está adequado a um período aproximado de três séculos e meio. Sobre a base da cronologia assíria e a história contemporânea do Próximo Oriente, Olmstead, Kittel, Albright e outros datam o começo deste período dentro dos anos 937-922 a.C. 188 O mais amplo estudo da cronologia para o período do Reino Dividido está publicado no livro de E. R. Thiele, "The Mysterious Numbers of the Hebrew Kings". Mediante um detalhado analise de ambos dados estatísticos, no relato bíblico e na história contemporânea, conclui que o 931 a.C. é a mais razoável data para o começo deste período. Enquanto que muitas cronologias foram construídas sob a presunção de que existem numerosos erros no presente texto de Reis e Crônicas, Thiele começa com o suposto de que o texto presente é confiável. Com isso em mente, o número de referências cronológicas que permanecem problemáticas à luz de nosso entendimento de tal período, é muito menor que os problemas textuais que implicam o resultado a priori da presunção de que o texto hebraico está errado 189. Apesar de que permaneçam ainda sem resolver problemas na cronologia de Thiele, parece ser a mais razoável e completa interpretação das datas escriturísticas e dos fatos históricos contemporâneos que nos são conhecidos até o presente. De ser a data do ano 959 a.C. confirmada como correta para o começo do templo de Salomão, poderia apelar-se a uma reinterpretação de parte desta cronologia. Ao presente, esta data é aceita com um alto grau de probabilidade 190. Através de todo este analise do reino dividido, a cronologia do período do reino dividido de Thiele é adotada como padrão. Qualquer desvio da mesma é indicado oportunamente. Alguns dos fatores básicos que têm uma relação sobre a analise das datas cronológicas deste período merecem uma breve consideração 191. Em Judá, o sistema do ano de acesso e sua contagem foi utilizado desde o princípio dos tempos de Jorão (850 a.C.), quem adotou o sistema do não acesso que se tem utilizado em Israel desde os dias de Jeroboão I 192. Durante os reinados de Joás e Amasias (800 a.C.), ambos reinados mudaram ao sistema do ano de aceso 193. A questão da co-regência deve ser considerada estabelecendo uma cronologia para este período. Às 187 Ibíd., pp. 53-54. Admitindo para os reinos de Acazias e Jorão durante este período, parece necessário considerar 853 como o último ano de acabe e 841 como o do acesso de Jeú. 188 Ver W. F. Albright, "The Chronology of the Divided Monarchy of Israel", Bulletin °T the American Schools of Oriental Research, n° 100 (dezembro 1945), pp. 16-22. 189 Ver a discussão de Thiele acerca disto no capítulo XI de "Sistemas cronológicos modernos". Note-se particularmente seu analise da cronologia de Albright, pp. 244-252. 190 Ver Wright, "Biblical Archaelogy", p. 146. 191 Para um estudo mais profundo, ler o capítulo 2, "Fundamental Principles of Hebrew Chronology" de Thiele, op. cít., pp. 14-41. 192 No sistema do ano do não acesso, um ano inicial do rei —tanto se tem ou não doze meses— é contado como um ano. 193 O método do no acesso era comum ao Egito. Thiele atribui esta mudança à influência assíria, p. 41. 113

Patriarcas E Profetas por Ellen G. White [Novo Edicao]