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3 months ago

a historia de israel no antigo testamento

Salmaneser

Salmaneser alardeou de uma grande vitória. Quão decisiva foi, é algo discutível, já que os assírios não avançaram para Hamate nem renovaram seu ataque durante os seguintes cinco ou seis anos. Com o imediato perigo de uma invasão assíria conjurada, a trégua de três anos entre Israel e a Síria acabou quando Acabe tentou recuperar Ramote-Gileade (1 Rs 22.1-40). Thiele sugere que a batalha de Qarqar teve lugar em julho ou a princípios de agosto, de forma tal que esta batalha sírio-israelita aconteceu mais tarde no mesmo ano, antes que Acabe tivesse licenciado suas tropas 213 . A afinidade entre as famílias reais de Israel e Judá implicava a Josafá nesta tentativa de desalojar os sírios de Ramote-Gileade. Por três anos o fracasso de Ben-Hadade de recuperar a cidade, de acordo com o pacto de Afeque, sem dúvida deve ter sido descuidado por Acabe enquanto se enfrentava com a comum ameaça síria. Josafá apoiou Acabe nesta aventura, mas seu interesse genuíno esteve no direcionamento divino. Os quatrocentos profetas de Acabe unanimemente asseguraram aos reis a vitória com Zedequias, inclusive usando um par de chifres de ferro para demonstrar como Acabe escorneava os sírios. Mas o rei Josafá teve uma incômoda intuição. Embora Micaías, sarcasticamente encorajasse os reis a aventurar-se contra a Síria, afirmou sinceramente que Acabe seria morto naquela batalha. Como resultado, Micaías foi colocado em prisão com ordens reais de deixá-lo em liberdade, se Acabe retornava em paz. Sabendo disto, Acabe se mascarou, enquanto Israel e Judá se lançavam com seu ataque sobre Ramote-Gileade. Reconhecendo a capacidade de Acabe como líder triunfador de Israel, o rei da Síria deu ordens de matá-lo. Quando os sírios perseguiam o carro real, e perceberam que seu ocupante era Josafá, se acalmaram. Sem que os sírios soubessem, uma seta perdida atravessou Acabe, ferindo-o mortalmente. Não somente ficou Israel sem um pastor, como Micaías tinha predito, senão que as palavras de Elias, o profeta, foram literalmente cumpridas após a morte de Acabe (1 Rs 21.19). Acabe foi sucedido por Acazias, que reinou aproximadamente durante um ano (853-852 a.C.). Duas coisas devemos lembrar de seus assuntos com o estrangeiro. Não somente não teve exterior Acazias ao reclamar Moabe para a dinastia onrida (2 Rs 3.5), senão que sua expedição naval conjunta com Josafá no golfo de Acaba também terminou no fracasso (2 Cr 20.35). quando Acazias propôs outra aventura, Josafá, tendo sido admoestado por esta aliança pelo profeta Eliézer, recusou cooperar (1 Rs 22.47-49). Com ocasião de uma grave queda, ignorou o profeta Elias e enviou mensageiros a Baal-Zebub em Ecrom 214 . Elias interceptou tais mensageiros com a solene advertência de que Acazias não se recuperaria. Após várias tentativas de capturas Elias, foi levado diretamente até o rei. Como com Acabe, seu pai, Elias advertiu pessoalmente a Acazias que o juízo de Deus o aguardava porque havia reconhecido deuses pagãos e ignorado o Deus de Israel. Esta pôde ter sido a última aparição de Elias ante um rei (852 a.C.) 215 , já que não se faz nenhuma menção de qualquer ação com Jorão, rei de Israel. Elias e Eliseu tinham cooperado, estabelecendo escolas para profetas. Quando Eliseu comprovou que seu ministério conjunto tocava seu fim, pediu uma porção dupla do espírito que tinha ficado sobre Elias. Uns cavalos de fogo e um carro separaram os companheiros, e Elias foi levado aos céus por um redemoinho. Quando Eliseu viu seu mestre desaparecer, recolheu o manto de Elias e tornou a cruzar o Jordão com a consciência de que sua solicitude tinha sido atendida. Em Jericó, o povo reconheceu em massa a Eliseu como o profeta de Deus. em resposta a sua petição, ele adoçou miraculosamente suas águas amargas. Indo a Betel, foi ridicularizado por um grupo de rapazes, que foram devorados por ursos, por juízo divino. Dali, Elias foi ao monte Carmelo e à Samaria, tendo sido publicamente estabelecido como o profeta do Senhor em Israel. 213 Ver Thiele, op. cit., pp. 62-63. 214 Sob este nome, o deus do sol Baal foi reconhecido com o deus que produzia e controlava as moscas. 215 A carta que Elias escreveu a Jorão, rei de Judá (2 Cr 21.12-15), pôde ter, possivelmente, uma data mais tardia. Esta é a única mensagem creditada a Elias. 128

Jorão, outro filho de Acabe e Jezabel, se converteu em rei de Israel, após a morte de Acazias em 852 a.C. Durante os doze anos deste último rei onrida em Israel, Eliseu esteve freqüentemente associado com Jorão. Conseqüentemente, o relato que se dedica a este período (2 Rs 3.1-9.26) está extensamente dedicado ao valioso ministério deste grande profeta. A rebelião de Moabe foi um dos primeiros problemas que teve de encarar Jorão quando chegou a ser rei de Israel. Indo em apoio de Josafá, Jorão conduziu as unidades armadas de Israel e Judá numa marcha de sete dias em volta da parte sul do Mar Morto, onde Edom se ajuntou à aliança formada. Embora Israel controlava a terra moabita do norte do rio Arnom, Jorão planejou seu ataque desde o sul. Enquanto estava acampado na zona do deserto ao longo da fronteira edomita-moabita, os exércitos aliados se enfrentaram com uma escassez de água. Quando Eliseu foi localizado, assegurou aos três reis a provisão miraculosa de água a causa da presença de Josafá. Na manhã seguinte, atacaram os moabitam, mas foram rejeitados. Retirando-se dos invasores que avançavam, o rei de Moabe tomou refúgio em Quir-Haresete (a moderna Kerak), que foi construída sobre uma elevação de 1134 m sobre o nível do Mediterrâneo. Em seu desespero, Mesa, o rei moabita, ofereceu seu filho mais velho em holocausto como uma oferenda de fogo ao deus moabita Quemós. Aterrorizados, os invasores aliados deixaram Moabe sem que Israel pudesse subjugar essa cidade. Eliseu tivera um muito efetivo ministério por toda Israel. Um dia, uma viúva, cujo marido tinha sido um dos profetas, apelou a Eliseu em ajuda de resgate para seus irmãos, de um credor que estava disposto a levá-los como escravos. Mediante uma miraculosa multiplicação de azeite, ela ficou em condições de ter o suficiente dinheiro para pagar sua dívida (2 Rs 4.1-7). Enquanto viajava com seu servo Geazi, Eliseu gozou da hospitalidade de uma rica anfitriã de Sunem, a poucos quilômetros ao norte de Jizreel. Por esta boa ação, Eliseu lhe assegurou que a seu devido tempo ela teria um filho. O filho prometido devia nascer na seguinte primavera. Quando seu filho morreu de uma insolação, a sunamita foi até a casa de Eliseu em monte Carmelo, em demanda de ajuda. E a seu filho lhe foi devolvida a vida (2 Rs 4.8-37). Algum tempo mais tarde, quando ameaçava a fome, Eliseu avisou a sunamita que se trasladasse a uma comunidade mais próspera. Após uma permanência de sete anos em terra dos filisteus, ela voltou e foi ajudada por Geazi a recuperar suas propriedades (2 Rs 8.16). Quando os profetas de Gilgal se enfrentaram com a fome, Eliseu proporcionou um antídoto para as plantas venenosas que estavam preparando para comer. Além disso, multiplicou vinte pães de cevada e umas quantas espigas de trigo de forma tal que foram alimentados cem homens e ainda sobrou alimentos (2 Rs 4.38-44). O relato de Naamã (2 Rs 5.1-17) implica a Eliseu com os líderes políticos tanto da Síria como de Israel. Mediante uma donzela israelita cativa que tinha em seu lar, Naamã, o capitão leproso do exército sírio, ouviu falar do sagrado ministério curativo do profeta Eliseu. Levando cartas escritas por Ben-Hadade, Naamã chegou à Samaria e suplicou a Jorão que o curasse da lepra que padecia. Jorão, aterrado, desgarrou suas roupas, porque temia que o rei sírio buscasse complicações. Eliseu salvou o problema, lembrando-lhe a Jorão que ele era profeta em Israel. Aparecendo no lar de Eliseu, Naamã recebeu uma simples instrução de lavar-se no Jordão sete vezes. Após ser persuadido por seus servos para que o capitão executasse o que lhe havia sido dito, Naamã foi curado. Voltou para outorgar uma recompensa a Eliseu, que o profeta declinou. Com uma ordem de render culto ao Senhor que o havia curado por meio de Eliseu, o capitão sírio saiu para Damasco. O triste colorido da cura de Naamã é o fato de que Geazi, o servo de Eliseu, foi tocado pela lepra como castigo por haver tentado apropriar-se da recompensa que o profeta Eliseu tinha recusado aceitar. Quando Eliseu visitou uma das escolas dos profetas, os estudantes do seminário propuseram edificar outro edifício, porque sua morada atual resultava demasiado pequena. 129