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a historia de israel no antigo testamento

A glória

A glória de Deus, que primeiramente abandonou o templo a sua condenação, então retorna a seu sagrado santuário. Mais uma vez, Deus habita ali entre seu povo. Ezequiel é instruído para observar bem aquela viagem da restaurada Israel. Tudo o que vê e ouve, o partilha com seus companheiros do exílio (40.4). Desde o vantajoso ponto do topo de uma montanha, Ezequiel vê uma estrutura parecida a uma cidade, representando o templo e seu entorno 527 . O guia, com uma vara de medir na mão, inspeciona cuidadosamente as muralhas da área do templo e a de vários edifícios, ao tempo que conduz a Ezequiel naquela espetacular viagem. O mais extraordinário da viagem pelo templo é a reparação da glória de Deus, que Ezequiel identifica com a revelação que teve no canal de Quebar (ver 1 e 8-11). A Ezequiel é-lhe assegurado então que aquele é o novo templo que Deus estabelecerá para sua eterna morada com seu povo. nunca mais se desprezará o nome de Deus com a idolatria. Aos penitentes e contritos, que estão entre o auditório de Ezequiel, esta mensagem do templo restaurado oferece-lhes a esperança. E são alentados a conformarem suas vidas em obediência aos requerimentos de Deus (43.10-13). As novas normativas para um culto aceitável estão cuidadosamente prescritas (43.13- 46.24). Ezequiel vê o altar e toma nota das ofertas e sacrifícios que proporcionam ao povo uma base aceitável para sua aproximação a Deus. ao entrar no templo, se prostra em reconhecimento da glória de Deus que enche todo o santuário. Uma vez mais, recebe instruções para marcar bem as ordenanças e detalhes para aqueles aos que se permitirá oficiar no novo templo. Por romper a aliança e profanar o templo com a idolatria, o sacerdote está sujeito a grave castigo. Deus abençoará Israel com uma classe sacerdotal restaurada e um príncipe que ensinará ao povo, estabelecerá a justiça e observará as festas e as estações. A visão culmina nas viagens de Ezequiel pela terra de Israel (47.1-48.35). Começando nas portas do templo, o profeta vê um rio que sai para o sul de embaixo do umbral até a Arábia, fornecendo água fresca para a abundante vida do mar e para a irrigação da terra, na produção de frutos. A totalidade da zona ressurge com uma nova vida e a indústria da pesca floresce, abundando a vida nas aldeias em toda a terra. A terra de Canaã está cuidadosamente dividida em parcelas para cada tribo, desde a entrada de Hamate no norte até o rio do Egito no sul. O príncipe e os levitas receberão uma parcela próxima à cidade onde o templo está situado 528 . Esta cidade, na qual se manifesta a divina presença de Deus, é identificada como "O SENHOR ESTÁ ALI". Israel restaurado à terra prometida —esta é a esperança que Ezequiel tem para sua geração na terra do exílio. Deus reagrupará seu povo em triunfo e o abençoará mais uma vez. 527 Para um diagrama do templo e seus edifícios como estão descritos aqui, ver F. Davidson, The New Bible Commentaty, sob o artigo intitulado "Ezequiel", pp. 664-665. 528 O tema básico de Ezequiel 33-48, que Israel será restaurado a sua própria terra como fato supremo, sob o mandado de um príncipe, concorda com o tema de Isaias, que assegura que Israel gozará de um período absoluto de paz universal, quando Sião seja o ponto focal de todas as nações sob o controle de seu governante ideal, que deverá executar a perfeita justiça. Ver Is 2, 4, 11, 35 e 65-66. 258

• CAPÍTULO 21: DANIEL, HOMEM DE ESTADO Y PROFETA Eminente entre os judeus exilados na Babilônia, Daniel como homem ganhou a dual distinção de ser um político e um profeta. Elevando-se da servidão à situação de homem de estado, prosperou na liderança política sob os governantes medo-persas por mais de seis décadas. Entremeadas no livro que leva seu nome, estão as experiências pessoais de Daniel, assim como suas revelações proféticas concernentes a futuros acontecimentos 529 . Daniel nasceu no reino de Judá, durante o reinado de Josias e foi, provavelmente, em seus primeiros anos quando foi levado cativo, no 605 a.C. Nos começos do capítulo que abre o livro, reflete as convicções religiosas de Josias e Jeremias que, certamente, devem tê-lo influenciado a ele e a outro jovem judeu de seu tempo. Embora as esperanças de Judá para que continuasse sua independência puderam ter ressurgido com a queda de Nínive, elas foram bruscamente desfeitas quando Josias foi morto em Megido (609). Judá se converteu num súbdito do Egito pouco depois, e o Faraó Neco colocou a Jeoiaquim no t. as tentativas de Jeoiaquim de submissão a Nabucodonosor devem ter sido uma surpresa para Daniel e seus companheiros, que foram tomados como reféns e levadas à capital da Babilônia 530 . A familiaridade de Daniel com as línguas hebraica e aramaica fica aparente em seus escritos 531 . Peculiar deste livro é o ter a mais extensa passagem em língua aramaica de todo o cânon do Antigo Testamento. Uma popular característica de Daniel é a dupla visão mediante a qual se designam os primeiros seis capítulos como históricos e os seis finais como proféticos. É digno de notar que, nos primeiros, Daniel se refere a si mesmo em terceira pessoa, e atua como o agente da revelação. Nos últimos capítulos escreve em primeira pessoa, registrando mensagens proféticas reveladas a ele de forma sobrenatural. Dando ênfase aos aspectos proféticos, o livro de Daniel conduz por si mesmo à seguinte analise 532 : a. Introdução histórica Dn 1.1-21 b. Os reinos gentios Dn 2.1-7.28 c. A nação de Israel Dn 8.1-12.13 Este bosquejo leva em conta sua composição bilíngüe. A passagem aramaica (2.4b-7.28) tem uma mensagem de especial interesse para as nações pagãs, indicando sua ordem de sucessão, caráter e destino. Os capítulos escritos em hebraico focalizam a atenção sobre o papel particular de Israel nos acontecimentos internacionais. Para um estudo inicial do livro de Daniel, a perspectiva histórica é essencial. As variadas revelações que procedem de Daniel são consecutivas à luz dos acontecimentos contemporâneos. Para situar o livro em seu dispositivo histórico, pode ser útil o seguinte analise cronológico: I. O reino de Nabucodonosor 529 Dois pontos de vista prevalecem correntemente a respeito da unidade e ao autor deste livro: 1) Para o ponto de vista de que foi escrito por Daniel e de sua própria mão, no século VI a.C., ou foi compilado pouco depois, ver a extensa discussão por R. K. Hamson, Introduction to the Old Teslament (Grand Rapids, 1969.), pp. 1.105- 1.134. 2) Para a perspectiva de que este livro representa uma literatura apocalíptica, escrita ou compilada durante a era macabea no século II a.C., ver G. A. Larue, Old Testament Life and Literature (Boston: Allyn and Bacon, 1968), pp. 402-409. O primeiro ponto de vista é a base para a interpretação oferecida nesta analise. 530 Ver D. J. Wiseman, Chronicles of Chaldean Kings, p. 26. Ver, também, o capítulo 15 deste volume. 531 Daniel pôde ter aprendido aramaico em Jerusalém antes de ter sido feito cativo. Já a princípios do século VII a.C., o aramaico era utilizado como linhagem internacional no Egito, Fenícia e Síria. R. A. Bowman, "Arameans, Aramaic and the Bible", Journal of Near Eastern Studies, 7 (1948), 71-73. 532 Para uma discussão das passagens proféticas de decisão, ver R. D. Culver, Daniel und the laltcr Days (Westwood. N. J.: Revell Co., 1954). Para analise e bosquejo, ver pp. 98-104. 259

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