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a historia de israel no antigo testamento

A caminho para o Hebrom,

A caminho para o Hebrom, Jacó acampou em Siquem, Betel e Belém. Embora adquiriu algumas terras em Siquem, o escândalo e a perfídia de Levi e Simeão tornaram impossível continuar vivendo naquela região (34.1-31). Este incidente, o mesmo que o ofensivo de Rubem (35.22), teve a ver com a bênção de Jacó para seus filhos (49). Quando recebei instruções de Deus para trasladar-se a Betel, Jacó se preparou para sua volta àquele lugar sagrado suprimindo a idolatria de seu lar. Em Betel erigiu um altar. Ali, Deus renovou a aliança com a seguridade de que não só uma nação, senão um grupo de nações e reis surgiriam de Israel (35.9-15). Enquanto viajavam para o sul, Raquel morreu ao dar a luz a Benjamim. Foi enterrada na vizinhança de Belém, num lugar chamado Efrata. Seguindo sua viagem com seus filhos e possessões, Jacó chegou finalmente ao Hebrom, ao lar de seu pai Isaque. Quando morreu Isaque, Esaú voltou desde Seir para reunir-se com Jacó no sepultamento de seu pai. Os edomitas, aparentemente, contavam com uma ilustrativa história. Pouco se conhece a respeito deles, além do relato sucinto relatado em Gn 36.1-43, o que indica que tinham diversos reis inclusive antes que qualquer rei reinasse em Israel. Neste aspecto, a narrativa do Gênesis dispõe de linhas colaterais antes de resumir o relato patriarcal. José (Gn 37.1-50.26) I. José, o filho favorito 37.1-36 Odiado por seus irmãos 37.1-24 Vinda ao Egito 37.25-36 II. Judá e Tamar 38.1-30 III. José: escravo e governante 39.1-41.57 José em prisão 39.1-20 Interpretação dos sonhos 39.21-41.36 Governante perto do Faraó 41.37-57 IV. José e seus irmãos 42-.1-45.28 A primeira viagem – Simeão tomado como refém 42.1-38 Segunda viagem com Benjamim –José se identifica a si mesmo 43.1-45.28 V. A família de José se estabelece no Egito 46.1-50.26 Gósen distribuído aos israelitas 46.1-47.28 As bênçãos patriarcais 47.29-49.27 O sepultamento de Jacó em Canaã 49.28-50-14 A esperança de José para Israel 50.15-26 Numa das mais dramáticas narrações da literatura mundial, as experiências de José entretecem a vida patriarcal no Egito. Enquanto os contatos anteriores tinham sido primariamente com o ambiente da Mesopotâmia, a transição ao Egito resultou numa mistura de costumes, conseqüência daquelas duas formas tão adiantadas de civilização. Nesta narrativa, percebemos a continuidade da antiga influência, a adaptação ao ambiente egípcio e, acima de tudo, toda a guia protetora e o controle de Deus nas fascinantes fortunas de José e seu povo. José, o filho de Raquel, foi o orgulho e a alegria de Jacó. Para mostrar seu favoritismo, Jacó o engalanou com uma túnica, aparentemente a marca externa de um chefe de tribo 49 . Seus irmãos, que já estavam ressentidos contra José pelos maus informes que lhes concerniam, foram incitados por este fato a um ódio extremo. A questão chegou a um ponto álgido quando José lhes 49 "Manto de muitas cores", de acordo com a Septuaginta e Targum Jonathan, ou uma túnica que lhe chegava aos tornozelos. Das pinturas do túmulo de Bcne Ilassam, mostrando os líderes das tribos semitas que aparecem no Egito em 1500 a.C., com mantos de diversas cores, ver J. B. Pritchard, "Ancient New Eastern Texts in Pictures" (Princeton University Press, 1954), fig. 3. 28

elatou dois sonhos prognosticando sua exaltação 50 . Os irmãos mais velhos deram liberdade a seu rancor jurando tirar-se de cima a José na primeira ocasião. Enviado por seu pai a Siquem, José não pôde achar a seus irmãos até que entrou em Dotã, aproximadamente a 130 quilômetros ao norte do Hebrom 51 . Após submetê-lo ao ridículo e ao abuso, os irmãos o venderam aos mercadores midianitas e ismaelitas, em quem conseqüência, dispuseram dele como de um escravo para Potifar no Egito. Ao mostrar-lhe a capa que vestia José, suja de sangue, Jacó chorou e se enlutou pela perda de seu filho favorito na crença de que tinha sido morto pelas bestas selvagens. O leitor fica em suspense pelo bem-estar de José com o episódio de Judá e Tamar (38.1-30). Este relato tem significação histórica, já que subministra o passado genealógico da linha davídica (Gn 38.29; Rt 4.18-22; Mt 1.1). Além disso, a despeito da conduta pouco exemplar de Judá, a prática do levirato 52 é mantida no matrimônio. A demanda de Judá de que Tamar fosse queimada pelo delito de prostituição, pode refletir um costume levado a Canaã pelos indo-europeus, tais como os hititas e os filisteus. As fontes ugaríticas e mesopotâmicas testemunham o uso de três artigos para significar a identificação pessoal. Tamar estabeleceu a culpabilidade de Judá por sua impregnação ao utilizar seu selo, seu cordão e seu cajado como prova. Já que a lei hitita permitia a um pai fazer cumprir as obrigações do levirato ao casar uma nora viúva, Tamar não foi submetida ao castigo sob a lei local por seu estratagema em enrolar o plano de Judá ao ignorar seus direitos de matrimônio. Na legislação mosaica, a estipulação foi feita para o matrimônio do levirato (Dt 25) 53 . As experiências de José na terra do Nilo foram demonstradas como autênticas em muitos detalhes (39-50). Os nomes egípcios e títulos aconteceram, como podia esperar-se. Potifar é designado como "capitão da guarda" ou "chefe dos executores", que era usado como o título que se dava à guarda pessoal do rei. Azenate (nome egípcio), a filha de um sacerdote de Om (Heliópolis), se converteu na esposa de José. Oficiais importantes da corte egípcia estão apropriadamente identificados como "chefe de mordomos" e "chefe dos padeiros". Os costumes egípcios estão igualmente refletidos. Sendo José um semita, levava barba; porém para sua presença ante o Faraó, teve de ser raspado de conformidade com as formas egípcias. A fina roupa de linho, o colar de ouro e o anel com o selo enfeitaram a José na típica forma egípcia quando assumiu o mando administrativo sob a divina autoridade do Faraó. "Abrek", provavelmente uma palavra egípcia que significa "tomar nota", é a ordem para todos os egípcios ao produzir-se a designação de José (Gn 41.43) 54 . O embalsamamento de Jacó e a mumificação de José também seguiam as normas egípcias do cuidado próprio dos falecidos. São também de grande valor os paralelos na vida de José e na literatura egípcia. A transição de José desde ser um escravo a converter-se num governante, tem um grande parecido com o clássico egípcio, "O camponês eloqüente". Os sete anos de abundância, nos sonhos do Faraó, comportam igualmente uma grande similitude com uma velha tradição egípcia 55 . A todo o longo 50 Embora a duplicidade de sonhos era típica da literatura do Próximo Oriente, estes tiveram e agregaram uma importância divina na vida de José. 51 Inclusive hoje, os pastores levam seus rebanhos desde o sul da Palestina ao poço de Jotão, de acordo com J. P. Free, que esteve escavando Dotã desde 1953. sobre a ladeira superior do outeiro, os níveis 3 e 4 representam cidades da época do Bronze Médio (1000-1600 a.C.). Ver "Bulletin of the American Schools of Oriental Research", nº 135 e 139. Durante a temporada de 1959, o nível superior, somente 15 cm por debaixo da superfície, mostrava indícios de uma reconstrução, após a destruição executada pelos assírios em 722 (ver 2 Rs 17.5-6). Um segundo nivel pode ser a restauração feita após a invasão assíria do 733, enquanto que um terceiro nível sugere uma devastação anterior, provavelmente pelos assírios. Ver BASOR, dezembro, 1959. 52 Levirato (lat. levir, cunhado): preceito da lei mosaica, que obriga o irmão do que morreu sem filhos a casar com a viúva (N. da T.). 53 Para mais detalhes, ver Cirus H. Gordon, op. di., 136-137. Também seu artigo "Épica indoeuropea y hebraica". Erelzlsrael, V. (1958), 10-15. 54 Nas versões portuguesas, esta palavra é traduzida como "Ajoelhai-vos". Isto concordaria com o que J. Vergote sugere: éø.brk, ‘¡rendei homenagem!’, ‘¡ajoelhai-vos!’, imperativo egípcio de um termo emprestado semítico, ("Joseph in Egypte", 1959, pp. 135–141, 151). (N. da T. – Fonte: Nuevo Diccionario Bíblico Certeza – e-Sword). 55 Para tradução feita por John A. Wilson, ver. J. B. Pritchard, "Ancíent Near Eastern Texts", pp. 31-32. 29

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