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8 months ago

a historia de israel no antigo testamento

O ritual variava

O ritual variava também. Para o sacerdote ou a congregação, o sangue se aspergia sete vezes ante a entrada do lugar santíssimo. Para o governante e o laico, o sangue era aplicado nas pontas do altar. Já que se tratava de uma oferta de expiação, a parte culpável carecia do direito de comer da carne do animal, em nenhuma de suas partes. Conseqüentemente, este sacrifício ou bem era consumido sobre o altar, ou queimado no exterior, no campo, com uma exceção: o sacerdote recebia uma porção quando oficiava em nome de um governante ou secular. A oferta pelo pecado era requerida também para pecados específicos, tais como se recusar a testemunhar, a profanação do cerimonial ou um juramento em falso (Lv 5.1-13). Inclusive, ainda que esta classe de pecados podiam ser considerados como intencionais, não representavam um desafio calculado a deus castigado pela morte (Nm 15.27-31). A expiação alcançava a qualquer pecado arrependido, sem levar em conta sua situação econômica. Em casos de extrema pobreza, incluso uma pequena porção de farinha de flor fina —o equivalente de uma ração diária de alimento— assegurava à parte culpada a aceitação por parte de Deus. (Para outras ocasiões que requeiram uma oferta pelo pecado, ver Lv 12.6-8; 14.19-31; 15.25-30, Nm 6.10-14). A oferta de expiação Os direitos legais de uma pessoa e de sua propriedade, em situação que implicasse a deus ao igual que a um amigo, estavam claramente estabelecidos nos requerimentos pelas ofertas da transgressão (Lv 5.14-6.7; 7.1-7). O falho no reconhecimento de Deus ao descuidar em levá-lhe os primeiros frutos, o dizimo, ou outras oferendas requeridas, necessitava não somente a restituição, senão também um sem sacrifício. Além disso, era preciso pagar seis quintos das dívidas requeridas, e o ofensor também sacrificava um carneiro com objeto de obter assim o perdão. Este custoso sacrifício lembrava-lhe o preço do pecado. Quando a má ação era cometida contra um amigo, o quinto era também preciso para fazer a pertinente emenda. Se a restituição não podia ser feita para o ofendido ou um parente próximo, estas reparações eram pagas a um sacerdote (Nm 5.5-10). O infringir dos direitos de outras pessoas, também representava uma ofensa contra Deus. portanto, era necessário um sacrifício. A oferta de cereal 83 Essa é a única oferta que não implicava a vida de um animal, senão que consistia primeiramente nos produtos da terra, que representavam os frutos do trabalho do homem (Lv 2.1-16; 6.14-23). Esta oferta podia ser apresentada de três diferentes formas, sempre misturadas com azeite, incenso e sal, mas sem fermento nem mel. Se uma oferta consistia nos primeiros frutos, as espigas do novo grão eram tostadas no fogo. Após moer o grão, podia apresentar-se ao sacerdote como farinha fina ou pão sem fermento, tortas, ou ainda em forma de folhas preparadas no forno. Parece que uma parte destas ofertas era acompanhada de uma quantidade proporcional de vinho para suas libações (Êx 29.40; Lv 23.13, Nm 15.5-10). Uma justificável inferência é que a oferta do cereal não era nunca levada sozinha. primeiramente existia o acompanhamento das ofertas de paz e de fogo. Para estas duas parecia ser o necessário adequado complemento (Nm 15.1-13). Tal era o caso da oferta diária do fogo (Lv 6.14-23; Nm 4.16). A totalidade da oferta era consumida quando estava oferecida pelo sacerdote para a congregação. No caso de uma oferta individual, o sacerdote oficiante apresentava somente um punhado ante o altar do holocausto e retinha o resto para o tabernáculo. Nem na oferta mesma nem no ritual há nenhuma sugestão de que provesse expiação pelo pecado. Por meio destas ofertas, os israelitas apresentavam os frutos de seu trabalho, significando assim a dedicação de seus presentes a Deus. As festas e estações 83 A oferta de grão está identificada como a "oferta da carne", na versão inglesa, a "oferta da comida" na versão americana, "a oferta dos grãos" na revista inglesa, e a "oferta do alimento" na versão de Berkley. Nas versões portuguesas aparece como "a oferta doa alimentos das primícias" (ACF), a "oferta de cereais de primícias" (PJFA), e a "oferta dos primeiros frutos" (NVI). 48

Por meio das festas e estações designadas, os israelitas lembravam constantemente que eles eram o povo de Deus. Na aliança com Israel, que este ratificou no Monte Sinai, a fiel observância dos períodos estabelecidos era uma parte do compromisso adquirido. O Sabbath O primeiro, e muito principalmente, era a observância do Sabbath. Ainda que o período de sete dias esteja mencionado no Gênesis, o sábado (dia de repouso) foi primeiramente mencionado em Êx 16.23-30. No Decálogo (Êx 20.8-11), os israelitas têm que "lembrar" do dia do descanso, indicando que este não era o princípio de sua observância. Para descansar ou cessar de seus trabalhos, os israelitas lembravam que Deus descansou de sua obra criativa no sétimo dia. A observância do sábado era uma lembrança de que Deus havia remido a Israel do cativeiro egípcio e santificado como seu povo santo (Êx 31.13, Dt 5.12-15). Tendo sido liberado do cativeiro e da servidão, Israel dispunha de um dia de cada semana para dedicá-lo a Deus, o que sem dúvida não havia sido possível enquanto seu povo tinha servido seus amos egípcios. Inclusive seus servos estavam incluídos na observação do dia de descanso. Se prescrevia um castigo extremo para qualquer que deliberadamente desprezasse o sábado (Êx 35.3; Nm 15.32-36). Enquanto que o sacrifício diário para Israel era um cordeiro, no sábado se ofereciam dois (Nm 28.9-19). Este era também o dia em que doze tortas de pão eram colocadas sobre a mesa no lugar santo (Lv 24.5-8). A lua nova e a festa das trombetas O som das trombetas proclamava oficialmente o começo de um novo mês (Nm 10.10). Se observava também a lua nova sacrificando ofertas ao pecado e ao fogo, com provisões apropriadas de carne e bebida (Nm 28:11-15). O mês sétimo, com o dia da expiação e a festa das semanas, marcava o clímax do ano religioso, ou o fim de ano (Êx 34.22). no primeiro dia deste mês da lua nova, era designado como o da festa das trombetas e se apresentavam ofertas adicionais (Lv 23.23-25; Nm 29.1-6). Este também era o começo do ano civil. O ano sabático Intimamente relacionado com o sábado estava o ano sabático, aplicável aos israelitas quando entraram em Canaã (Êx 23.10-11; Lv 25.1-7). Observando-0 como um ano festivo para a terra, deixavam os campos sem cultivar, o grão sem semear e os vinhedos sem cuidados cada sete anos. qualquer coisa que recolhessem nesse ano devia ser partilhada pelos proprietários, os servos e os estranhos, igual que as bestas. Os que tinham créditos a seu favor, tinham instruções de cancelar as dívidas nas que tivessem incorrido os pobres durante os seis anos precedentes (Dt 15.1-11). Já que os escravos eram liberados a cada seis anos, provavelmente tal ano era também o ano de sua emancipação (Êx 21.2-6; Dt 15.12-18). Desta forma, os israelitas lembravam sua liberação do cativeiro egípcio. As instruções mosaicas também previam para a leitura pública da lei (Dt 31.10-31). Desta forma, o ano sabático teve sua específica significação para jovens e velhos, para os amos e para os servos. Ano de jubileu Depois da observância do ano sabático, chegava o ano de jubileu. Se anunciava pelo clamor das trombetas no décimo diz de Tishri, o mês sétimo. De acordo com as instruções dadas em Lv 25.8- 55, este marcava um ano de liberdade no qual a herança da família era restaurada àqueles que tiveram a desgraça de perdê-la, os escravos hebraicos eram libertados e a terra era deixada sem cultivar. Na possessão da terra o israelita reconhecia a Deus como o verdadeiro proprietário dela. Conseqüentemente, devia ser guardada pela família e passava como se fosse uma herança. Em caso de necessidade, podiam vender-se só os direitos aos produtos da terra. 49

Patriarcas E Profetas por Ellen G. White [Novo Edicao]