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a historia de israel no antigo testamento

• CAPÍTULO 6: A

• CAPÍTULO 6: A OCUPAÇÃO DE CANAÃ O dia tão longamente esperado chegou ao fim. Com a morte de Moisés, Josué foi comissionado para conduzir a nação de Israel à conquista da Palestina. Tinham transcorrido séculos desde que os patriarcas receberam a promessas de que seus descendentes herdariam a terra de Canaã. Nesse ínterim, cada geração sucessiva do povo palestino tinha sido influenciada por vários outros povos procedentes do Crescente Fértil. Motivados por interesses econômicos e militares, atravessaram Canaã de vez em quando. Memórias do Canaã No apogeu dos êxitos militares, a poderosa XII Dinastia (2000-1780 a.C.) estendeu espasmodicamente o controle egípcio através da Palestina, inclusive até chegar tão o norte como até o Eufrates. Nas subseqüentes décadas, o Egito não só declinou em seu poderia, senão que foi ocupado pelos poderosos hicsos, que governaram desde Avaris, no Delta. Pouco antes do 1550 a.C., o governo dos hicsos, como invasores e intrusos, tinha acabado na terra do Nilo. O reino hitita teve seus princípios na Ásia Menor ao começar o século XIX a.C. referidos no Antigo Testamento como os "filhos de Hete" os hititas se mencionam freqüentemente como ocupantes do Canaã. Lá por volta do 1600 seu poder tinha-se incrementado tanto na Ásia Menor que chegaram a estender seus domínios até a Síria e inclusive destruíram Babilônia sobre o Eufrates por volta do 1550 a.C. Dentro da seguinte centúria, a expansão hitita foi detida pelos dois reinos que então surgiram. Na época em que os hicsos invadiram o Egito e a Babilônia, estava florescendo sob a I Dinastia, exemplarmente representada por Hamurabi, e o novo reino de Mitanni que emergiu nas altas terras da Média. Este povo indo-ário estava composto de dois grupos: a classe comum, conhecida como hurrianos, e a nobreza, ou classe governante, chamada arianos. Procedente do território ao leste de Harã, essas gentes de Mitanni continuamente estenderam seu reino para o oeste, de forma tal que em 1500 a.C. alcançaram o mar Mediterrâneo. O principal esporte do povo ário ou ariano, era o das carreiras de cavalos. Foram descobertos tratados escritos acerca da criadagem e treinamento dos cavalos, a princípios do presente século, em Boghazköy, onde foram preservados os hititas que conquistaram o povo mitanni. Por volta do 1500 a.C., o poder mitanni deteve o avanço dos heteus por quase um século. Os egípcios enviaram freqüentemente seus exércitos através de Canaã para desafiar o poder mitanni. Tutmose III executou dezessete u dezoito campanhas na região da Síria, e além dela. Durante as primeiras tentativas para a conquista asiática, uma confederação síria, apoiada pelo rei de Cades (localizado no rio Orontes), resistiu o avanço egípcio. Muito verossimilmente a terra da Síria —uma terra de prósperas qualidades, férteis planícies ricas em minerais e outros recursos naturais, e com vitais rotas de comércio, que uniam os florescentes vales do Nilo e do Eufrates— tinha permanecido sob a hegemonia mitanni. Após a derrota dos sírios em Megido, o poder do Egito se estendeu até a Síria. Durante um certo tempo os mitanni pareciam apoiar a Cades como um estado-tampão, mas eventualmente Tutmose marchou com seus exércitos através do Eufrates e temporariamente acabou com o domínio mitanni na Síria. À morte de Tutmose, virtualmente toda a Síria estava sob o governo do Egito. A fricção continuou entre o poder egípcio e o mitanni durante os reinos de Amenofis II (1450- 1425) e Tutmose IV (1425-1417), pelo que a Síria vacilou em sua fidelidade e acatamento. Embora Saussatar, rei de Mitanni, estendeu seu poder até o leste, chegando até Assur e além do rio Tigre, seu filho Artatama parece que foi refreado a causa do poder hitita. Esta ameaça parece ter sido a causa de que Artatama I realizasse um convênio de paz com Tutmose IV. Sob os termos desta política, as princesas mitânias casaram com os Faraós durante três reinados sucessivos. Naquele tempo, Damasco estava sob a administração egípcia. As cartas de 64

Amarna (por volta de 1400 a.C.) refletem as condições na Síria, indicando que as relações diplomáticas e fraternais existiam entre as famílias reais de Mitanni e o Egito. O poder hitita logo se incrementou e desafiou este controle mitanni-egípcio do Crescente Fértil. Sob o reinado do rei Suppiluliune (1380-1346) os hititas cruzaram o Eufrates até Wasshugani, reduzindo Mitanni à situação de um estado-tampão entre o reino hitita e o crescente império assírio no vale do Tigre. Este, naturalmente, eliminou Mitanni como fator político na Palestina. Embora o reino Mitanni estava completamente absorvido pelos assírios (1250 a.C.), os hurrianos —conhecidos como horeus no Antigo Testamento—, estavam no Canaã quando entraram os israelitas. Provavelmente os heveus fossem também de origem mitanni. Com a eliminação da ameaça mitanni, os hititas dirigiram suas intenções para o sul. Durante quase um século, os hititas desde sua capital em Boghazköy e os egípcios rivalizaram pelo controle da vacilante fronteira da Síria. Durante este período, Cades se converteu no centro de um reino amorreu revivido. Muito verossimilmente adotaram a política de acomodação, mantendo amizade com o mais poderoso. Quando Ramsés II (1304-1237) chegou ao trono, os egípcios renovaram seus esforços para eliminar os hititas da Palestina do norte, com o objeto de recobrar suas possessões asiáticas. Mutwatallis, o rei hitita, se entrincheirou firmemente na cidade de Cedes e, ajudados por exércitos procedentes de cidades da Síria, igual que de Carquemis, Ugarite e outras cidades da zona. Ramsés estendeu sua fronteira até Beirute a expensas dos fenícios e depois marchou pelo Orontes até Cedes, enfrentando-se com um inimigo que tinha comprometido os egípcios numa situação de guerra desde fazia já duas décadas. Esta batalha de Cedes no ano 1286 a.C. esteve longe de resultar decisiva para os egípcios. Após outras numerosas conquistas de cidades em Canaã e na Síria, Ramsés II e Hattusilis, o rei hitita, concluíram um tratado em 1280 a.C., um proeminente pacto de não-agressão na história. Cópias deste famoso acordo tem sido encontradas na Babilônia, Boghazköy e no Egito. Embora não se mencionam fronteiras no tratado, é muito possível que o estado amorreu formasse uma influência neutralizadora entre os egípcios e os hititas. Nos dias de Merneptah, uns invasores procedentes do norte, conhecidos como os ários, destruíram o império hitita e debilitaram o amorreu, destruindo Cedes e outras praças fortes. Embora o império hitita se desintegrou, este povo é freqüentemente mencionado no Antigo Testamento. Ramsés III repeliu estes invasores procedentes do note, numa grande batalha por terra e mar, e uma vez minguado seu poder, unificou a Palestina sob o controle egípcio. Após Ramsés III, declinou também o poder egípcio, permitindo a infiltração dos arameus na área da Síria, que chegou a ser uma poderosa nação, aproximadamente dois séculos mais tarde. O povo de Canaã não estava organizado em forte unidades políticas. Os fatores geográficos, igual que a pressão das nações vizinhas que a rodeavam do Crescente Fértil, e que utilizavam Canaã como um estado-tampão, fala muito a respeito do fato de que os cananeus nunca formassem um império fortemente unido. Numerosas cidades-estado controlavam tanto território local como lhes era possível, com a cidade bem fortificada para resistir um possível ataque do inimigo. Quando os exércitos marcharam sobre Canaã, estas cidades com freqüência impediam o ataque mediante o pagamento de um tributo. Não obstante, quando o povo chegou para ocupar a terra, como Israel fez mandada por Josué, tais cidades formaram ligas e se uniram opondo-se ao invasor. Isto está, certamente, bem ilustrado no livro de Josué. A localização da Palestina no Crescente Fértil e a configuração geográfica da terra em si mesma, com freqüência afetaram seu desenvolvimento político e cultural. Sobre as planícies pluviais do Tigre e do Eufrates, igual que no vale do Nilo, numerosas diminutas cidades-reino, e pequenos principados ou distritos, estiveram mais de uma vez unidos numa grande nação. Isto não se efetuou facilmente na Síria-Palestina, já que a topografia era oposta à fusão. Como resultado, Canaã estava numa posição debilitada, já que nenhuma de suas cidades-reino igualava em poder as forças invasoras que vinham procedentes dos reinos mais poderosos estabelecidos 65

Patriarcas E Profetas por Ellen G. White [Novo Edicao]