Views
6 months ago

GAZETA DIARIO 505

14 ESTADUAL Foz do

14 ESTADUAL Foz do Iguaçu, quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018 ECONOMIA Cai desigualdade salarial entre homens e mulheres no Paraná A queda na diferença se deve a uma mudança estrutural registrada nos últimos anos, de acordo com o Ipardes ANPR Reportagem A desigualdade de salários entre homens e mulheres persiste, mas vem diminuindo nos últimos anos no Paraná, mostram dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e compilados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes). O salário médio dos homens no Estado foi de R$ 2.441, contra R$ 2.206 das mulheres em 2016, uma diferença de R$ 235. Naquele ano (dado mais recente disponível), as mulheres ganhavam 26,5% menos do que os homens. Em 2012, essa diferença era de 32,1%. O rendimento médio dos homens era de R$ 2.442 e das mulheres era de 1.658, de acordo com o IBGE. A queda na diferença se deve a uma mudança estrutural registrada nos últimos anos, de acordo com Daniel Nojima, diretor do centro de estatísticas do Ipardes. "Certamente a educação tem um peso nessa mudança. As mulheres, especialmente as jovens, têm mais anos de estudo do que os homens, o que tem se refletido em maiores remunerações". Entre 2012 e 2014, o salário das mulheres aumentou (sem considerar a inflação no período) 47% no Paraná. Já o dos homens ficou praticamente estável. Em média, as mulheres brasileiras com 25 anos ou mais têm 8,2 anos de estudo, contra 7,8 anos dos homens, de acordo com dados do IBGE. Melhora Entre 2012 e 2016, o Paraná melhorou duas posições entre os Estados com menor desigualdade salarial - passou de quarto para sexto lugar. Hoje, tem a menor disparidade de salários entre os sexos do Sul. No Rio Grande do Sul, as mulheres ganhavam, em média, 27,4% menos, e em Santa Catarina, a diferença era de 26,5% em 2016. Progresso De acordo com Daniel Nojima, essa desigualdade deve reduzir ainda mais nos próximos anos, mas ela avança ainda a passos lentos no País. "O que se espera é que, com Foto: Arnaldo Alves/ANPR A educação apresenta um peso nessa mudança. As mulheres, especialmente as jovens, têm mais anos de estudo, o que reflete em maiores remunerações o Brasil deixando a crise econômica para trás, as condições do mercado de trabalho melhorem e a renda acompanhe", diz Nojima. Contudo, alguns fatores, como a preponderância da mão de obra feminina no trabalho doméstico e a maior incidência de jornada de trabalho de seis horas entre as mulheres também pressionam para baixo o rendimento das mulheres. Um estudo do Fórum Econômico Mundial, divulgado no ano passado, colocou o Brasil na 129a posição entre os países com maior diferença salarial entre os gêneros. O relatório pesquisou condições de 144 países e aponta um cenário mais pessimista. De acordo com o documento, o País demoraria 100 anos para equiparar condições econômicas entre homens e mulheres. Diferenças Os Estados mais ricos são os que concentram a desigualdade salarial no Brasil, de acordo com o IBGE. São Paulo tem a maior diferença, onde as mulheres ganham, em média, 32,8% menos que os homens. Em compensação, no Amapá, o salário se equipara entre os gêneros, com uma ligeira vantagem para as mulheres, com renda 0,2% maior para os homens. Em Alagoas, os salários do sexo feminino são em média apenas 7,4% menores do que o sexo masculino. Essa disparidade menor, no entanto, é gerada principalmente pelos baixos salários. Com maior incidência de pessoas que ganham o salário mínimo - tanto de homens quanto de mulheres - a diferença diminui. De acordo com a pesquisa, em Alagoas, por exemplo, os homens ganhavam, em média, R$ 1.355, contra R$ 1.255 das mulheres. Em São Paulo, por outro lado, os salários são maiores de ambos os sexos: R$ 3.190 para homens e R$ 2.144 para mulheres.

Foz do Iguaçu, quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018 POLÍTICA Nacional 15 Candidatos poderão usar recursos próprios em suas campanhas Mas haverá limite de gastos, adverte o Tribunal Superior Eleitoral Luciano Nascimento Repórter da Agência Brasil O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou a resolução que disciplina os mecanismos de financiamento de campanha para as eleições de 2018. De acordo com o texto, publicado no dia 2 no Diário da Justiça Eletrônico, além dos recursos partidários e doações de pessoas físicas, os candidatos poderão usar recursos próprios em suas campanhas, o chamado autofinanciamento. "O candidato poderá usar recursos próprios em sua campanha até o limite de gastos estabelecido para o cargo ao qual concorre", diz o texto da Resolução 23.553, cujo relator foi o ministro Luiz Fux, que desde o dia 6 ocupa a presidência do TSE. Haverá limite de gastos com as campanhas. De acordo com a resolução, no caso da disputa pela Presidência da República, o valor máximo com gastos de campanha será de R$ 70 milhões. Nas eleições para o cargo de governador, os valores vão de R$ 2,8 milhões a R$ 21 milhões, conforme o número de eleitores do estado. Para a disputa a uma vaga no Senado, os limites variam de R$ 2,5 milhões a R$ 5,6 milhões, confor- me o número de eleitores do estado. Para deputado federal, o limite é de R$ 2,5 milhões e de R$ 1 milhão para as eleições de deputado estadual ou distrital. As doações, entretanto, ficam limitadas a 10% dos rendimentos brutos TSE define que candidatos poderão financiar toda a campanha com recursos próprios auferidos pelo doador no ano anterior à eleição. Os bens próprios do candidato também poderão ser objeto de doação. Mas somente podem ser utilizados na campanha eleitoral quando demonstrado "que já integravam seu patrimônio em período anterior ao pedido de registro da respectiva candidatura". A resolução diz ainda que, além da doação ou cessão temporária de bens e serviços, as doações poderão ocorrer inclusive por meio da internet. No caso das doações bancárias, deverá constar o CPF do doador. Já "as doações financeiras de valor igual ou superior a R$ 1.064,10 só poderão ser realizadas mediante transferência eletrônica entre as contas bancárias do doador e do beneficiário da doação." A resolução regulamenta também outra novidade, a possibilidade de financiamento coletivo da campanha por meio de plataformas na internet. Para tanto, a plataforma deverá ter cadastro prévio na Justiça Eleitoral. Serão exigidos, ainda, o recibo da transação, identificação obrigatória, com o nome completo e o CPF do doador; o valor das quantias doadas individualmente, forma de pagamento e as datas das respectivas doações. Essas informações deverão ser disponibilizadas na internet, devendo ser atualizada instantaneamente a cada nova doação. Os dados deverão ser enviados imediatamente à Justiça Eleitoral. A polêmica em torno do autofinanciamento começou em dezembro do ano passado, quando o Congresso Nacional derrubou o veto do presidente Michel Temer que liberava o autofinanciamento sem restrição nas campanhas. Na ocasião, os parlamentares entenderam que isto poderia favorecer os candidatos com maior poder aquisitivo. Contudo, a derrubada ocorreu a menos de um ano da eleição, o que poderia ensejar insegurança e disputa jurídica. Com isso, coube ao TSE editar norma com as regras. Pelo calendário eleitoral de 2018, o tribunal tem até 5 de março para confirmar todas as normas para o pleito deste ano.