Revista Apólice #226

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millennials

a não se preocupar muito com o seguro

fora dessas épocas. O desafio maior da

ferramenta é fazer com que os segurados

baixem o aplicativo. Para os corretores,

a ferramenta deve servir de diferencial

para conquistarem e manterem os clientes”,

afirma.

Outra opção disponibilizada para o

setor é uma plataforma de aprimoramento

em vendas. Nela, o profissional pode

centralizar sua carteira de clientes, agendar

lembretes e acompanhar melhor as

vendas, gratuitamente e de onde estiver.

Os aplicativos mobile funcionam mesmo

offline e sincronizam com a versão web

caso haja conexão disponível.

“A inspiração para a criação da

ferramenta partiu de uma necessidade

real, enfrentada diariamente pelo meu

pai: a empresa em que ele atuava como

gestor comercial estava em estágio de

crescimento e expansão e, devido ao

crescimento das demandas, eles acabaram

perdendo o controle dos processos

comerciais”, recorda Gustavo Paulillo,

co-fundador e CEO da Agendor.

O fato é que eles precisavam organizar

a casa para atingir os objetivos. Assim,

resolveram buscar ferramentas para

implantar na empresa, mas encontraram

somente sistemas complexos, caros, ou

ferramentas que não analisavam os resultados

dos negócios e o desempenho da

equipe. “Fora que a maioria dos sistemas

era rejeitada pelos vendedores, pois eles

não queriam burocracia”, acrescenta. A

ideia é que a ferramenta seja configurada

especificamente para a empresa, mas

dentro de certos limites que disponibiliza.

Paulillo concorda que, se usadas

adequadamente, as redes sociais ajudam

a aproximar as pessoas e facilitam o conhecimento

sobre os produtos oferecidos

pelas empresas, mas chama a atenção

para a criação de uma “marca” própria.

“Os aplicativos podem aumentar a produtividade,

otimizar o dia a dia e a rotina

comercial. Um aplicativo não substitui o

contato pessoal, mas pode ser uma ferramenta

que potencializa a capacidade e

o potencial do corretor.”

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Experiência

O especialista em gerenciamento

de riscos, Gustavo Cunha Mello, desen-

❙❙Marcus Vinicius, da iconeSeg

volveu um aplicativo de seguro viagem,

um site e um sistema de cálculo próprio,

todos os três conectados. Enfrentou concorrência

direta com as operadoras (não

corretores) mais capitalizadas e operou

sem o apoio das operadoras para as quais

comercializava a solução. “Uma delas,

inclusive, resolveu mudar todo o seu

sistema no meio do processo. Tivemos

que começar tudo de novo”, afirma. Outra

questão a ser superada foi a qualidade

dos clientes online. “Há muita fraude e

clientes que estão apenas pesquisando”,

lembra.

Segundo ele, mesmo com campanha

feita no Facebook, a venda não pagava

a despesa de TI. Mas trabalhar nesses

moldes foi um aprendizado importante,

mesmo levando dois anos e dezenas de

milhares de reais. A plataforma ainda

existe e a ideia é que volte a receber

investimentos no próximo ano.

Apesar de algumas empresas de

❙❙Gustavo Cunha Mello, da Correcta

tecnologia personalizarem o aplicativo

para o corretor, Mello lembra que criar

um aplicativo ou um site estático (que

apenas mostra seus endereços, telefones

e serviços), não adianta. “Há seguradoras

e operadoras de saúde com aplicativos

bem interessantes e que serve de verdade

como canal de comunicação. Fazer um

aplicativo tem que ser muito bem pensado”,

declara.

Futuro

Hoje, algumas corretoras se valem

do uso de leads (indicação de pessoas

interessadas em comprar algum seguro).

Esses leads são vendidos no mercado

por diversas fornecedoras – algumas são

boas indicações, outras não dão qualquer

resultado. No entanto, este é um modelo

de negócio muito diferente da maioria

dos modelos que os corretores estão

acostumados.

“O cliente que pesquisa e vem pela

internet raramente fideliza com a corretora.

Na renovação ele pesquisa de novo e

sai por qualquer diferença. É uma venda

por preço e não pela qualidade. Outra

questão delicada é que todo e qualquer

problema num eventual sinistro gera um

processo judicial contra o corretor, inclusive.

Enfim, não é uma operação para

amadores. Tem que ter estômago e cacife

para jogar esse poker”, pontua Mello.

Outra questão relacionada a TI e

sistemas para corretores é que, até o momento,

não existe um sistema realmente

completo e que atenda a todos os corretores

e ramos de seguros. Contudo, algumas

empresas de TI já estão com projetos “no

forno”, que envolvem sistemas completos

e gratuitos para o corretor. “Esses sistemas

já estão em alguns casos na nuvem,

ou seja, facilitando a mobilidade ao corretor

através da internet.”

Ainda assim, o fato é que não há

uma solução pronta. Tudo que se fala sobre

tecnologia agora mudará em questão

de meses ou semanas. Tem muita coisa

boa para ser melhor pensada e também

tem o que não se sustenta. “É óbvio que a

internet é um caminho a ser trabalhado,

mas como fazer é a resposta que vale

R$ 1 milhão. Na verdade, ninguém tem

bola de cristal para responder”, conclui

Mello.

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