Revista Apólice #224

revistaapolice

Ano 22

Número 224

Agosto 2017


editorial

Ano 22 - nº 224

Agosto 2017

Esta revista é uma

publicação independente

da Correcta Editora Ltda

e de público dirigido

Diretora de Redação:

Kelly Lubiato - MTB 25933

klubiato@revistaapolice.com.br

Diretor Executivo:

Francisco Pantoja

francisco@revistaapolice.com.br

Repórteres:

Amanda Cruz

amanda@revistaapolice.com.br

Lívia Sousa

livia@revistaapolice.com.br

Executiva de Negócios:

Graciane Pereira

graciane@revistaapolice.com.br

Diagramação e Arte:

arte@revistaapolice.com.br

Articulista:

J. B. Oliveira

Tiragem:

15.000 exemplares

Circulação:

Nacional

Periodicidade:

Mensal

CORRECTA EDITORA LTDA

Administração, Redação e

Publicidade:

CNPJ: 00689066/0001-30

Rua Loefgreen, 1291 - cj. 41

V. Clementino - Cep 04040-031

São Paulo/SP

Tel. (11) 5082-1472 / 5082-2158

Os artigos assinados são de responsabilidade

exclusiva de seus autores, não

representando, necessariamente, a

opinião desta revista.

Acesse nosso site

www.revistaapolice.com.br

Siga nosso

twitter.com/revistaapolice

Curta nosso

Revista Apólice

Um momento

de reflexão

2017 será pior que 2016? A recuperação econômica deve começar

agora ou somente em 2018? Será que voltaremos a crescer

a passos largos? Será que o desânimo definitivamente tomou

conta da nação?

Difícil responder a qualquer uma destas questões. Os brasileiros,

independente do lado em que se encontrem na disputa

política, parecem atravessar um período de incredulidade. Tanta

impunidade, tantos desmandos, acabam por baixar o espírito

combativo dos cidadãos. Enquanto trabalhadores e empresários

(sérios) se esforçam para manter sua vida com dignidade, em

Brasília, os políticos só pensam em seu benefício próprio, na continuidade

das benesses com dinheiro público e na sua perpetuação

como os “escolhidos” do povo brasileiro.

Parece que o cidadão comum simplesmente cansou.

Porém, a retomada da economia é uma necessidade, porque

afundar mais neste poço pode significar o fim de muitas empresas.

No mercado de seguros, apesar do crescimento anual na casa

dos 9%, a crise econômica fez minguar a quantidade de clientes e

negócios. A carteira de Grandes Riscos foi uma das mais afetadas

e levou o nicho a se consolidar, com aquisições e fusões no último

ano. A vasta oferta de capacidade e os negócios escassos obrigaram

as seguradoras a serem ainda mais eficientes.

Outras carteiras que sofreram este impacto foram os transportes

e o seguro de crédito. O seguro de transportes atravessa

um momento delicado, com o aumento da sinistralidade, principalmente

por conta de roubo de carga. O seguro de crédito, por

outro lado, tem esperança de crescimento baseado no aumento

das transações comerciais. Entretanto, a sua contratação é mais

complicada do que parece. Ambos necessitam de especialização.

Boa leitura!

Diretora de Redação

Mande suas dúvidas, críticas e sugestões para redacao@revistaapolice.com.br

3


sumário

6

14

16

|

|

|

painel

gente

capa

O mundo muda tão rapidamente que precisamos

nos preparar para segurar riscos

que sequer imaginamos. Para a XL Catlin,

é na antecipação do futuro que estão as

melhores oportunidades de criar valor para

o cliente

16

20

|

mercado

Mudanças não devem impactar negativamente

a carteira, mas deverão demandar

mais expertise e qualificação de quem se

mantiver na operação de grandes riscos

24

|

garantia judicial

Grande aposta do mercado em 2015,

modalidade volta a ganhar destaque com

perspectivas de crescimento em 2017

20

26

|

transportes

Transportadores, corretores de seguros e

seguradores procuram maneiras de continuar

a proteger a circulação em rodovias em

meio ao aumento da criminalidade

28

|

crédito

Com a inadimplência crescendo no mundo

corporativo, é importante que as empresas

que vendem produtos ou serviços a prazo

protejam seus recebíveis

28

32

|

césio 137

Tragédia radioativa completa 30 anos em

setembro, mas até hoje os riscos nucleares

são excluídos das apólices de seguro brasileiras.

O que pode ser feito a partir de agora?

35

|

Cesvi/Mapfre

A funcionalidade Smart utiliza banco de

dados com mais de 1 milhão de sinistros

para pré-definir orçamentos de reparo dos

veículos

32

36

38

|

|

ccs-sp

Clube dos Corretores de Seguros de São

Paulo completa 45 anos colaborando com

as mudanças do mercado e focando na

renovação da categoria

comunicação

4


5


painel

• ntecnologia

Realidade virtual simula tornado

A resseguradora Munich Re dos Estados Unidos lançou

uma ferramenta de realidade virtual que simula um tornado.

O objetivo é reforçar os riscos desse fenômeno e a importância

de aumentar a resiliência das construções, ajudando a mitigar

futuras perdas.

Os danos causados por tempestades às propriedades estadunidenses

cresceram continuamente nos últimos 40 anos,

ultrapassando mais de US$ 22 bilhões em perdas. Isso inclui

US$ 15,3 bilhões de perdas seguradas em 2016, de acordo com

a Princeton, resseguradora com matriz em New Jersey. Mesmo

assim, o perigo

é muitas vezes

ignorado, particularmente

se

comparado com

o potencial destrutivo

desses

furacões.

A ferramenta

pode ser encontrada

online via YouTube, mas exige um Google VR – óculos

de realidade aumentada – para que se tenha a experiência

completa.

• nproduto

Seguradora passa a operar com RC

Ônibus

A American Life começa a atuar no país inteiro com o

seguro Responsabilidade Civil Ônibus, oferecendo proteção

tanto às empresas dedicadas ao transporte municipal quanto

interestadual.

O seguro cobre danos corporais, materiais e morais a

passageiros e terceiros não transportados, além de acidente

pessoal de passageiros e tripulantes, morte acidental e invalidez

permanente total ou parcial. Também oferece cobertura para

despesas médicas, hospitalares e odontológicas por acidente,

danos causados à bagagem dos passageiros e defesa penal.

• nexpansão

Auto popular para todo o estado

A Azul Seguros expandiu a atuação do seu seguro Auto

Popular para todo o estado de São Paulo. Destinado aos veículos

com importância segurada de até R$ 60 mil, com data

de fabricação a partir de cinco anos, o produto é até 30% mais

barato que o seguro automóvel tradicional.

São oferecidas

as coberturas

básicas para colisão,

roubo, furto,

com indenização

de 80% ou 90%

da tabela Fipe, assistência

24 horas

e guincho para até

100 km. Há ainda

as coberturas de Responsabilidade Civil Facultativa, com indenização

de R$ 25 mil; e opcional de Danos Morais e Estéticos

Facultativo, com indenização de R$ 5 mil ou R$ 10 mil.

O serviço de reparo em caso de sinistro pode ser realizado

em oficinas referenciadas ou de livre escolha, com peças fornecidas

pela Renova Ecopeças, da Porto Seguro. Já em casos

de reparos de freios, suspensão, amortecedores e pneus, serão

utilizadas peças novas e originais.

• nproduto 2

Proteção para motoristas e

passageiros

A 99, startup nacional de mobilidade urbana, oferece

seguro de acidentes pessoais para usuários de carros particulares

do aplicativo. Gerenciado pela corretora Marsh, o

produto cobre até R$ 10 mil em despesas médicas, hospitalares

e odontológicas e não possui custo para condutores

e passageiros da modalidade 99POP. Em caso de acidentes

fatais ou invalidez, a cobertura é de R$ 50 mil.

É garantido o pagamento de uma indenização em

decorrência de acidentes ou violência no carro durante

a viagem a todas as pessoas que estiverem sendo transportadas

dentro do automóvel. Motoristas e passageiros

passam a ter garantia do seguro desde o aceite da chamada

realizada através do aplicativo até o momento da finalização

da corrida.

O seguro funciona com base em reembolsos. Em caso

de acidente pessoal ou violência no carro, o usuário deve

procurar os canais de atendimento da 99. A Marsh tem até

30 dias para dar um retorno para o motorista ou passageiro.

A cobertura em caso de acidente é limitada à capacidade

de lugares que constam no documento do veículo.

6


7


painel

• ntreinamento

SulAmérica

recebe novos

talentos

A SulAmérica realizou

a 9ª edição do Corretor

Nova Geração. O programa

é voltado para os filhos de corretores e visa incentivar o

desenvolvimento de novos talentos para o mercado de seguros.

A companhia recebeu 42 jovens profissionais em sua sede em

São Paulo para uma semana de treinamento ministrado por

profissionais do setor.

A agenda destacou a temática do empreendedorismo,

apresentando caminhos para uma boa gestão de negócios no

mercado. No fechamento da semana, os jovens participaram

de um almoço com vice-presidentes da seguradora, que realizaram

a entrega dos certificados aos participantes.

• nprojeções

Mercado deve crescer

entre 9 e 11% em 2017

O mercado segurador brasileiro deve

apresentar em 2017 um crescimento nominal

entre 9% e 11%. O número poderia

ser ainda melhor se não tivesse ocorrido

a redução dos prêmios do seguro DPVAT

por decisão do Conselho Nacional de Seguros

Privados (CNSP). É o que mostra a

publicação “Mercado Segurador Brasileiro:

Resultados e Perspectivas”, da CNseg.

Sobre o cenário de incerteza e o país

tendo vivido sua maior recessão em 25

anos, o setor deu mostras de resiliência

em 2016, a ponto de fechar o ano com

crescimento nominal de 9,2%, próximo

aos 10,3% de 2015. Foi um desempenho

acima da média dos demais segmentos,

com alta de 11,6% na arrecadação, apesar

do baixo desempenho dos ramos de seguro

auto e patrimonial. Contudo, os seguros

de pessoas continuaram a se expandir e a

puxar o crescimento do setor, com destaque

para o plano de risco individual

e o plano de acumulação VGBL.

Fonte: CNseg

• nalerta

Golpistas utilizam o nome da Susep

Praticada em todo o país por e-mail e por telefone, a tentativa de golpe,

que utiliza o nome da Susep, consiste em fazer com que os abordados pelos

golpistas acreditem que possuem valores a receber referentes a contratos de

seguros ou planos de previdência complementar aberta.

A autarquia esclarece que seus servidores e dirigentes não entram em

contato com cidadãos para tratar questões que envolvam montantes financeiros

e adverte que nomes de seguradoras, de empresas em liquidação ou falência

e do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) também são usados

para lesar vítimas.

Os cidadãos abordados ou lesados podem realizar queixa junto às autoridades

policiais competentes.

• nsuporte

Filial digital para atendimento a corretores

A Axa Brasil criou o conceito de filial digital, uma célula de atendimento comercial

online, em que os corretores parceiros poderão receber suporte às vendas,

sanar dúvidas sobre produtos e resolver pendências operacionais e administrativas.

O serviço já está disponível para corretores cadastrados na plataforma E-

-Solution para o portfólio de produtos do ramo

Empresarial, mas o planejamento prevê a inclusão

de mais sete produtos até o fim do ano, todos

voltados para empresas de pequeno e médio

portes: Condomínio, Equipamentos, Riscos de

Engenharia, Garantia, Riscos Industriais, Seguro

Aeronáutico (RETA), D&O e E&O.

“Apesar de virtual, O atendimento será humanizado

e, acima de tudo, especializado. Por

trás desse processo digital, temos consultores

especializados”, explica Michelle Brito, diretora

de Negócios Digitais.

8


9


painel

• ndestaque

Entre os melhores CEOs do Brasil

A Forbes Brasil elegeu, pela terceira

vez, os 25 melhores presidentes

de empresa do país. Os executivos

foram escolhidos pela capacidade

de reinventar suas companhias, passar

por crises e crescer em meio às

adversidades.

Entre os nomes citados está o de

Fabio Luchetti, que comanda a Porto

Seguro. Ele entrou na seguradora

como estagiário e galgou posições

até se tornar presidente, em 2012. A

gestão do CEO segurou a companhia durante a crise, que já voltou

a crescer em 2017.

Os nomes foram eleitos por um grupo de consultores e acadêmicos

especializados em gestão e negócios e não estão em

nenhuma ordem específica.

Fonte: Exame.com

• nparceria

Rastreador com seguro no Rio

Grande do Sul

A Ituran fechou uma parceria no Rio Grande do Sul.

Os corretores interessados em comercializar os produtos

Ituran com Seguro terão a assistência da Cordova Assessoria,

que presta atendimento a mais de 600 profissionais

cadastrados em sua base.

A expectativa é que o novo

negócio agregue ainda mais na

expansão do produto no local.

“Existe uma grande demanda

pelos nossos produtos no estado.

A parceria vai nos ajudar a

distribuir esses produtos e serviços,

ampliando a capilaridade

junto aos corretores de seguro”,

diz o gerente comercial do

Canal Assessorias da Ituran

Brasil, Aldo Dallago.

• ncomemoração

Conquistando um marco

A Previsul Seguradora reuniu, em Porto Alegre, os

colaboradores da matriz e da sucursal do Rio Grande do

Sul para comemorar os 111 anos de atuação no Brasil.

“Ultrapassar os 100 anos no Brasil é muito raro. Por

isso, chegar aos 111 anos representa um marco. Isso é

resultado de um trabalho alinhado e conjunto de todos

os nossos colaboradores que, com simplicidade, respeito

e gentileza, contribuem para uma vida mais leve no

ambiente corporativo e fora dele”, afirmou o presidente

Renato Pedroso.

• nevento

Novas oportunidades aos corretores

Osmar Bertacini foi o convidado

do almoço realizado pelo Clube dos

Corretores de Seguros de Osasco e

Região (CCSOR) no dia 28 de julho. Na

ocasião, o presidente da Associação

Paulista dos Técnicos de Seguro (APTS)

chamou a atenção dos profissionais

para o segmento de pessoas, que hoje

se apresenta como uma oportunidade

de alavancar as vendas. “Apenas 10% da

população economicamente ativa tem

seguro de vida”, lembrou, sugerindo

que os corretores aproveitem

os clientes de auto, carteira

ainda mais demandada no

mercado, para realizar a venda

cruzada.

Ainda que a abordagem

do seguro de vida seja delicada,

Bertacini insiste que os corretores

comecem a olhar com mais cautela

para o produto, visto que este é o único

seguro em que o sinistro é certo. Sobre

formar uma carteira sólida de clientes, ele

foi categórico: “tenho uma carteira de

vida que me dá estabilidade financeira

para seguir meu padrão de vida, sem

precisar trabalhar em renovação. É o

que eu quero passar para os corretores.”

10


• negócios

Aquisição entre corretoras

A corretora de seguros e gestora de benefícios It’s Seg, controlada

pelo fundo inglês de private equity Actis, comprou a brasileira MBS.

Com a operação, a It’sSeg, que é presidida por Thomaz Menezes, passa

a administrar um milhão de vidas no país (planos de saúde e seguros

de vida corporativos).

Desde que começou a operar no final de 2014, a corretora já fez

seis aquisições no mercado local. Os investimentos no país já somam

US$ 140 milhões. A companhia planeja dobrar de tamanho nos próximos

três anos e segue buscando oportunidades de compra de ativos

no mercado local.

• ¢ declaração

Corretores podem solicitar

crédito à Nobre Seguradora

Até o dia 1° de setembro, será possível apresentar

as declarações de crédito da Nobre Seguradora.

De acordo com o liquidante, todos os documentos

devem ser encaminhados com arquivos comprobatórios

(originais ou cópias autenticadas),

assinadas pela Nobre ou por seu representante

legal (comprovadamente constituído) com reconhecimento

de firma.

As declarações de crédito devem seguir um

modelo, que está disponível no site da companhia

(www.nobre.com.br). A entrega dos documentos

deve ser realizada pelos correios ou pessoalmente,

na sede da empresa (Rua Vergueiro, 6964, Vila

Firmiano Pinto, São Paulo).

Estão dispensados de apresentar as declarações

de crédito os credores por dívida de indenização

de sinistro ou de restituição de prêmios, por

prêmios de cosseguro e de resseguro.

11


painel

• nvendas

Campanha “Jubileu Premiado Ameplan” chega a sua reta final

Lançada pela Ameplan Saúde em

janeiro deste ano com o propósito de

estimular e reconhecer os representantes

comerciais da companhia, a campanha

“Jubileu Premiado Ameplan” será finalizada

no mês de agosto.

A iniciativa, focada na comercialização

dos produtos PME e Adesão,

contemplou todos os profissionais que

trabalham dentro da cadeia produtiva

da comercialização dos planos de saúde

da empresa. Serão entregues 20 viagens

para um resort em uma praia da

Paraíba e os vencedores poderão levar

um acompanhante, com hospedagem,

alimentação e passeios inclusos.

Nesta campanha, a duração foi menor

para proporcionar duas premiações dentro

do período em que a Ameplan completou

25 anos. Por isso, incluiu algumas categorias

de reconhecimento. As modificações

incentivam ainda mais a participação dos

parceiros - tanto aqueles que já conquistaram

a viagem ao Caribe quanto para abrir

uma nova oportunidade para quem ficou

no “quase” na campanha anterior.

Uma das novidades é a “Pendência

Zero”, uma premiação para o vendedor e

outra para um funcionário administrativo

da plataforma com o menor número de

devoluções e reclamações nas propostas

comerciais da operadora. Além disso,

serão sorteadas três viagens para os

corretores participantes que comercializarem

acima de 100 vidas no período,

somados PME, Adesão e Pessoa Física.

Como premiação extra, para cada vida

do contrato, o corretor recebe um valor

depositado em um cartão de crédito exclusivo

e personalizado.

O evento de premiação está programado

para setembro e a viagem

reservada de 18 a 22 de outubro.

“Nesta reta final de campanha, a

Ameplan ainda está oferecendo um ‘bônus’

aos seus parceiros comerciais, uma

tabela com descontos promocionais de

PME para que todos tenham chances de

desfrutar de mais uma viagem inesquecível

ao lado da equipe mais apaixonada

do mercado”, afirma o gerente comercial,

Marcelo Belber.

• ntendências

Digitalização une seguradoras e prestadores

Uma pesquisa sobre tendências do

setor segurador em 2017, elaborada pela

unidade de transformação digital da Indra,

mostra que os modelos de negócios do futuro

devem contemplar o desenvolvimento

de ecossistemas abertos que facilitem a

associação com players não tradicionais,

capazes de agregar e eficiência aos negócios.

A pressão de preços e da concorrência,

a adoção do smartphone como

detonador da mudança no comportamento

do consumidor, as mudanças tecnológicas

e a facilidade para financiar as aventuras

empresariais que atendam às novas necessidades

estão fazendo com que o ambiente

competitivo esteja evoluindo.

Para os especialistas, o cenário fixará

bases para o desenvolvimento de um novo

modelo de prestação de serviço ao cliente,

baseado na gestão integral de riscos por

meio de tecnologias de ruptura, capazes

de combinar as estratégias de otimização

de custos e de diferenciação do produto.

A criação de novos modelos de negócio

baseados em plataformas abertas que

permitam que as seguradoras ofereçam

também para seus clientes

produtos e serviços de terceiros,

junto com o desenvolvimento de

produtos contextuais e personalizados

a partir do conhecimento

gerado pela impressão digital que

o consumidor deixa por meio do

celular e das redes sociais, constituem

as bases da transformação

digital do setor para enfrentar

seus concorrentes e desafios.

• ¢ auto

Vistoria por meio

de fotos

A Liberty Seguros lança a

Auto Vistoria para clientes de

seguros de automóvel, em que

o segurado realiza vistoria prévia

sem a presença de um vistoriador

quando efetuar a contratação

do seguro. Após confirmada a

elegibilidade, o cliente recebe

um SMS com as instruções para

a realização do procedimento.

A vistoria pode ser realizada

no horário e no local de preferência

do cliente, que precisa

acessar o site indicado na mensagem

recebida e compartilhar

imagens de pontos solicitados

do automóvel.

A seguradora espera disponibilizar

a experiência para

segurados de outros produtos

como residência, PME’s, e também

para serviços como o aviso

de sinistros.

12


13


GENTE

Retorno à ouvidoria

Maria Helena Darcy é a nova

ombudsman da Icatu Seguros. Ela

deixa a diretoria de Pessoas, onde ficou

por seis anos, e volta a responder pela

ouvidoria externa e interna da seguradora,

área na qual esteve à frente por

13 anos.

A executiva implantou a primeira

Ouvidoria do mercado segurador, em 1998, e foi a primeira

ombudsman brasileira a ser certificada pela Internacional

Ombudsman Association (IOA), maior associação internacional

da profissão.

Corretora ganha reforço

A BullMark Corretora, do BullMark Financial Group,

expande a equipe com Thales do Amaral como novo head da

área. “A BullMark já esta consolidada

na área de investimentos e completar

nosso portfólio de produtos será importante

para nos firmarmos como um

player importante em todos os canais

de distribuição possíveis”, ressalta o

executivo. A corretora atende mais

de três mil clientes e pretende se posicionar

entre as principais corretoras

nacionais em três anos.

Diretor comercial

Ex vice-presidente da Lockton, Guilherme Perondi

Neto chega à Swiss Re Corporate Solutions,

joint venture da Swiss Re e da

Bradesco Seguros em grandes riscos,

para ocupar a diretoria comercial. O

executivo substitui Luciano Calheiros,

que agora é CEO da empresa.

Perondi tem mais de 20 anos de

experiência no setor e ocupou posições

de liderança nas indústrias de seguros,

resseguros e corretagem.

Estratégia e inovação

Rodrigo Barros assumiu a diretoria

de Estratégia e Inovação da Zurich.

Ele se reportará ao presidente da

seguradora no Brasil, Edson Franco,

e assume a diretoria do recém-criado

departamento que contempla as áreas

de estratégia, inovação, marketing &

comunicação, customer office, CEO

office e inteligência de negócios.

Gerente para a capital capixaba

A SulAmérica traz novidades para

a filial Vitória, no Espírito Santo. A

unidade comercial tem novo gerente:

Pietro Masello, que chega para assumir

o plano de expansão de negócios da

seguradora na região.

Na companhia desde 2000, Masello

construiu carreira na área comercial, tendo

acumulado experiência em gestão de

negócios de varejo, planejamento estratégico

e tendências de mercado. O executivo responderá à diretora

da regional Rio de Janeiro e Espírito Santo, Solange Zaquem.

Novidade em sinistros

A Sompo Seguros contratou Andreia Paterniani como

nova diretora para a área de sinistros.

A executiva, que atua há mais de 20

anos no segmento, contribuirá para a

implementação de novas estratégias de

atuação que darão suporte aos planos

de crescimento da companhia até 2020.

Além da área de sinistros, Andreia

será responsável pelo desenvolvimento

de estratégias para incrementar o atendimento

e a liquidação.

Troca de presidentes

Carlos Ivo Gonçalves é o novo presidente do CVG-RJ.

Ele assume o lugar de Marcello Hollanda e ficará à frente da

entidade até 2019. “É uma responsabilidade, que recebo com

orgulho, humildade e com determinação

de fazer da trajetória desta diretoria

mais uma etapa de sucesso em prol da

capacitação dos profissionais do nosso

segmento e em integração e parceria

com as demais entidades do mercado”,

afirma.

A eleição da chapa única para o

biênio 2017/2019 foi realizada no dia 13

de julho, na sede da entidade.

Abramge PR/SC

O médico ortopedista e diretor da

Clinipam, Cadri Massuda, foi reeleito

para a presidência da Abramge PR/SC

para o biênio 2017/2018. Esse é o terceiro

mandato consecutivo e o quarto

presidido por Massuda, que também

esteve à frente da Associação entre os

anos 1995 e 1996.

14


Mais uma função

O Conselho Administrativo da

The Travelers Companies elegeu por

unanimidade Alan D. Schnitzer,

CEO da empresa, para assumir a

presidência do Conselho. Ele sucede

a John H. Dasburg, que assumirá o

cargo de diretor geral independente,

um papel que ele ocupou antes de se

tornar presidente do Conselho.

“Agradeço a liderança de John

e estou satisfeito pelo fato de que

o Conselho continuará a se beneficiar

da sua visão e orientação”, diz

Schnitzer.

Representante

na Câmara dos

Deputados

O 1º delegado Fenacor do Sincor-SP

e responsável pela ID Seguro, Manuel

Matos, foi nomeado pela Casa Civil da

Presidência da República para compor o

Comitê Executivo do Conselho Nacional

para a Desburocratização – Brasil

Eficiente. Ele será o representante da sociedade

civil na Câmara dos Deputados.

Formado por 22 membros, o Comitê

visa ajudar o governo

federal a

simplificar questões

administrativas.

O Brasil

Eficiente terá

como presidente

o ministro-chefe

da Casa Civil,

Eliseu Padilha.

Country manager no

Brasil

Clodoaldo

Azevedo assume

o cargo de country

manager da Mclarens

do Brasil. Ele

terá a missão de

criar um novo escritório

da empresa

em São Paulo.

“A cidade de São Paulo é responsável

por mais de 12% do PIB do Brasil e detém

o décimo maior PIB do mundo. Em menos

de dez anos, a capital paulista será a sexta

cidade mais rica do planeta. Com a inauguração

da nova unidade de negócios, a

Mclarens dá um passo fundamental para

o crescimento de sua participação no

mercado”, afirma o executivo.

Antes de se juntar à reguladora,

Azevedo atuou por 13 anos na Crawford

e seis pela Addvalora.

15


capa | XL Catlin

Novos riscos exigem uma nova

atitude no mercado de seguros

Paulo Alves, Silvia Gadelha, Thisiani Martins, Renato Rodrigues, Daniela Murias e Walkiria Melo

O mundo muda tão

rapidamente que

precisamos nos

preparar para segurar

riscos que sequer

imaginamos. Para

a XL Catlin, é na

antecipação do futuro

que estão as melhores

oportunidades de criar

valor para o cliente

16

Kelly Lubiato

Vivemos tempos vertiginosos.

No espaço de poucas gerações

o mundo se globalizou

e se informatizou. Propriedades

e bens materiais, que eram os

principais ativos de um negócio, estão

cedendo o lugar para coisas intangíveis

como marca e reputação. Mudanças

no cenário político estão tirando os

riscos políticos das telas de cinema e

colocando-os nas planilhas dos gerentes

de risco das multinacionais. Investidores

estão cada vez mais preocupados com

os riscos provocados pelo aquecimento

global e querem mais informações sobre

os riscos decorrentes. Acostumado a

trabalhar em cima de séries históricas, o

mercado de seguros precisa agora olhar

para frente e antecipar os riscos gerados

por tantas transformações – e os que

ainda estão por vir. É, sem dúvida, um

grande desafio. Mas para a XL Catlin é

também uma oportunidade única de criar

valor para os clientes.

A XL Catlin nasceu em um momento

de disrupção para enfrentar a falta

de capacidade do mercado mundial de

liability. Desde então, transformou a

busca pela antecipação do futuro e pela

inovação em seu próprio DNA. “Queremos

saber para onde o risco está indo

e de que forma podemos nos antecipar

para nos mantermos relevantes para

clientes e corretores”, resume o CEO da

companhia no Brasil, Renato Rodrigues.

“Isso exige investimentos em pesquisa,

arrojo no lançamento de produtos, mas

também um olhar crítico sobre o nosso

dia a dia para sermos cada vez mais ágeis

e descomplicados”, completa.

Investimentos em pesquisa

Se não é mais possível olhar para

o passado para entender e precificar


iscos, a solução é investir em projetos

que gerem tais informações. Este foi o

caminho escolhido pela XL Catlin, que

atualmente é parceira de pesquisas de

ponta em áreas que podem parecer distantes

da atual realidade – mas que, em

breve, serão corriqueiras. Veículos sem

motorista, por exemplo: quais os riscos

patrimoniais? E de responsabilidade

civil? Quão suscetíveis eles são aos riscos

cibernéticos? E de quem são esses riscos?

Apesar de a XL Catlin não operar

diretamente na carteira de automóveis,

ela utiliza o conhecimento de inteligência

artificial para aplicar em outros campos,

sempre com a certeza de que é preciso

olhar para o futuro, porque o risco não

possui mais trajetórias. “Não existe, por

exemplo, estatísticas robustas para ciberataques.

Verificamos apenas este tipo

de risco crescendo. O desafio é olhar e

descobrir como proteger”, avalia Renato.

Para responder a estas e outras perguntas,

a XL Catlin é uma das apoiadoras

da Oxbótica, um centro de estudos de inteligência

artificial que vem desenvolvendo

veículos autônomos e auto -dirigíveis

(driveless vehicles), em parceria com a

Universidade de Oxford (Inglaterra), com

o qual a seguradora pretende entender

o funcionamento de veículos sem motorista

e o seu impacto para os seguros

de transportes de cargas e pessoas. Na

Europa, estes veículos já circulam com

motoristas, mas sem interferências deles.

Mas um olhar mais atento ao mercado

de veículos mostra outras transformações

em curso. Hoje, as pessoas possuem

veículos que são utilizados apenas 4% do

tempo. Ou seja, eles passam 96% do dia

parados. As pessoas querem ter cobertura

de forma personalizada. Renato conta

uma experiência que existe no Canadá:

um seguro on demand para passageiros

do aplicativo Uber. O motorista pode usar

o carro para fins comerciais e pessoais,

mas o seguro é precificado de acordo com

cada uso. Assim, o seguro de responsabilidade

civil é diferente para as viagens

que ele faz sozinho ou para aquelas em

que leva passageiros.

Os novos riscos estão em lugares

que as pessoas não imaginam. Ou melhor,

as suas raízes vêm de problemas

conhecidos, mas de forma indireta. A

XL Catlin é guiada pela consciência de

que as coisas vão mudar. Por esse motivo

a companhia investe muito em inovação

e criou um fundo chamado XL Innovate,

que investe em várias soluções de seguro

ou segurança relacionadas à tecnologia,

que é parte de um crescente movimento

Veícullo autônomo feito pela Oxbótica

conhecido como “Insurtech”. Todas as

atividades envolvendo risco, que recebem

este venture capital andam lado a lado

com a estratégia global da XL Catlin. A

companhia está numa geração em que a

disrupção tecnológica é fato e no mundo

de seguros vê-se isso acontecer. “Mesmo

com atraso, a indústria de seguros

percebeu que novos aplicativos podem

substituir antigas funções. Cabe a nós,

como indústria, entender e desenvolver

condições para que este novo mercado

tenha proteção”, admite Renato.

O que vem pela frente

Antes, o maior impacto para as

grandes corporações estava ligado quase

que exclusivamente ao seu patrimônio.

Agora, as questões regionais das grandes

corporações são reverberadas pelas mídias

sociais, o que aumenta a velocidade

da troca de informações e agrava o risco

reputacional. Isso sem falar em mudanças

geopolíticas, guerras civis, ataques

terroristas, populismo, terrorismo digital,

enfim, são inúmeros os movimentos

que afetam diretamente a atuação das

empresas.

“Temos que descobrir de que forma,

como indústria de seguros, podemos

ser relevantes para estes riscos. É um

grande desafio também para o gerente de

risco”, preocupa-se Renato. A função do

gerente de risco é cada vez mais difícil,

porque precisa mostrar para a diretoria

da empresa que há novas necessidades de

coberturas, diferentes daquelas com as

quais está acostumada. É uma mudança

de cultura.

Neste cenário de mundo em transformação,

os riscos políticos estão mais

pulverizados, com interesses que se

misturam. “Lançamos o produto de risco

político para empresas brasileiras que investem

em projetos fora do país. Os riscos

cobertos compreendem proteção contra

atos governamentais que atinjam investimentos

da empresa no país-anfitrião”, diz

Walkiria Melo, subscritora de Crédito e

Riscos Políticos da XL Catlin.

Em outra frente, Silvia Gadelha,

Head de Linhas Financeiras no Brasil,

explica como é crescente o interesse das

empresas pelo seguro de riscos cibernéticos:

“no Brasil, culturalmente, as empre-

17


XL Catlin

Foto: XL Catlin Seaview Survey

Projeto Oceans Education

Onde a XL Catlin investe

Oxbótica: o principal estudo agora está ligado à robótica e inteligência

artificial, não apenas para carros de passeio, mas para qualquer tipo de veículos

e máquinas. A XL Catlin investe nas pesquisas que envolvem, por exemplo,

máquinas pesadas que possam trabalhar em ambientes inóspitos, como empilhadeiras

em galpões refrigerados.

O principal motivo é descobrir os riscos que envolvem a responsabilidade

desta operação ou caminhões sem motoristas que podem ter a sua circulação

otimizada pela inteligência artificial e pela análise de dados dos clientes e cargas.

XL Innovate: XL Innovate é um fundo de capital de risco focado na criação

de novos empreendimentos, que podem oferecer inovação e impacto positivo

e significativo no setor de seguros global. A seguradora investe capital, energia,

expertise e recursos substanciais em equipes empresariais globais, que

estão lidando com grandes mercados e têm o potencial de se tornarem novas

empresas significativas, com ideias para abordagens inovadoras, aplicativos e

melhorias tecnológicas de seguros e gerenciamento de riscos. Alguns de seus

investimentos: Stonestep, Lemonade, Slice, Notion, Cape Analytics, Embroker,

New Energy Risk, Oxbótica e Blockchain.

Instituto Semear: apoio a estudantes de universidades de ponta para

que continuem os estudos. O Instituto seleciona estudantes, cuja renda familiar

seja baixa, para participarem de um projeto de mentoria para suas carreiras.

Por meio de bolsas, os estudantes são estimulados a participar de processos

seletivos e finalizam os estudos já com vistas para um novo emprego, dentro

de sua área de conhecimento.

Oceans Education: a XL Catlin patrocina pesquisas e programas educacionais,

que exploram como os oceanos de nosso planeta estão mudando e quais

riscos serão enfrentados no futuro. Em 2016, patrocinou a pesquisa XL Catlin

Deep Ocean (Oceano Profundo), uma expedição piloto para medição da saúde

e resiliência do oceano profundo. Isso segue as pesquisas Catlin Arctic, (2009-

2011), que investigaram os impactos das mudanças sobre o Oceano Ártico e a

pesquisa XL Catlin Seaview (Visão do Oceano) (2012-2016), que criou o primeiro

parâmetro digital do mundo da saúde dos recifes de corais.

A XL Catlin faz um mapeamento dos corais nos oceanos do mundo inteiro.

O objetivo do projeto é mostrar como estas mudanças podem influenciar a

humanidade de diversas formas. O aquecimento global afeta a vida marinha

e afasta os peixes de alguns locais onde antes eles existiam em abundância.

Assim, pescadores são afetados em seus rendimentos diretamente.

sas não enxergavam este risco, mas com o

crescente número de ataques e as práticas

das grandes corporações multinacionais,

isso está mudando”, avisa.

Silvia conta que a legislação existente

no Brasil é muito limitada, mas que já

existem projetos de lei que ainda não

foram aprovados. “Na XL Catlin, além da

apólice de Cyber Liability que se aplica a

qualquer tipo de empresa, temos também

um produto exclusivo para empresas de

tecnologia da informação, o Cyber Pro,

que oferece proteção para ela e seus

clientes no caso de danos aos bancos de

dados. O Cyber Pro reúne em uma única

apólice as coberturas de Cyber, E&O e

RC Produtos, desenvolvida para evitar

lacunas no momento do sinistro. Além

do risco cibernético, cobre a falha profissional

da empresa e a falha do produto

que a empresa comercializa e distribui”,

explica Silvia.

A diretora Técnica da XL Catlin,

Thisiani Martins, avalia que, apesar de

haver um ambiente muito regulado no

País, a Superintendência de Seguros Privados

(Susep) mostra-se bastante aberta

a conversas para entender a necessidade

do mercado e estruturar produtos novos,

como o Cyber Pro. “Cabe a nós entendermos

a regulamentação determinada pela

Susep para alinhar e desenvolver produtos

bem definidos. Assim, obtemos sucesso na

aprovação de produtos”, aponta.

Renato acredita que as companhias

do mercado devem manter este estreito

relacionamento com o regulador, para que

consigam trazer as inovações de forma

adequada. “A regulação não pode ser

uma desculpa para a falta de inovação”,

enfatiza.

18


Um bom exemplo de como o mercado

e os reguladores podem caminhar

em paralelo é o seguro de drones. Estes

equipamentos já eram utilizados em

larga escala no País, mas apenas no

mês de maio foram efetivamente regulamentados.

A Head de Aviação da

XL Catlin, Daniela Murias, conta que

a ANAC (Agência Nacional de Aviação

Civil) categorizou os aparelhos de acordo

com sua utilização - drones são os equipamentos

de uso comercial, corporativo

ou experimental, enquanto equipamentos

utilizados para fins recreativos foram

enquadrados como aeromodelos. Dentro

da categoria “drones”, os equipamentos

foram classificados conforme seu peso e

limitações de operação, sendo que o maior

volume destes equipamentos fica na Classe

3 – peso menor ou igual a 25 kg e operados

em até 120m do nível do solo e dentro da

linha visual do operador remoto.

A seguradora lançou um produto

para drones antes mesmo da regulamentação

destes aparelhos, porque havia

demanda por parte dos clientes que já

possuíam autorização especial da ANAC.

Daniela conta que a procura pelo produto

aumentou bastante após a publicação da

regulamentação, pois os drones foram definidos

como aeronaves e, portanto, com

obrigatoriedade de seguro de responsabilidade

civil. “Agora eles contam com

os mesmos produtos que já disponibilizávamos

para a aviação geral, mas para

a seguradora é um risco completamente

diferente: não há a presença de piloto a

bordo, além das restrições de acordo com

a distância guardada para pessoas não

anuentes, e os voos devem ser distantes

de aeroportos e outras aeronaves. É uma

subscrição mais delicada”, destaca, acrescentando

que os equipamentos acoplados

ao drone também podem ser declarados

e somados ao valor da cobertura do aparelho,

já que muitas vezes estes são mais

valiosos do que o próprio drone.

Ainda neste tema, Paulo Alves, Head

de Marine no Brasil, lembra que a utilização

destes aparelhos pode ser muito

diversificada. Os drones estão sendo testados

em empresas de courier e entregas

rápidas de pequenas encomendas, assim

como em locais que normalmente outros

meios de transportes não alcançam. “No

futuro, o drone poderá ser utilizado como

meio de proteção, fazendo a escolta para

cargas em caminhões e até patrulhamento

de grandes armazéns logísticos”.

O perfil dos negócios

O fato é que a indústria do seguro

mudou e vai mudar mais ainda. Estudar e

colocar os subscritores na linha de frente

são duas formas de encarar este cenário

desafiador. Por isso, o subscritor de hoje

não é o mesmo do tempo de mercado

tarifado ou de monopólio de resseguro.

Ele é uma pessoa de relacionamento, que

entende o momento do cliente, entende o

risco e provê a solução, que taxa o risco

de acordo com as informações que recebe

do corretor de seguros e do cliente.

“Quem entende de produtos consegue

elaborar um bom clausulado. Por

isso, nós migramos do subscritor de

riscos para o subscritor de negócios”,

enfatiza Renato Rodrigues. A XL Catlin

não possui uma área comercial centralizada.

Hoje, este setor cuida prioritariamente

de estratégia de distribuição,

do relacionamento com o mercado e do

posicionamento de marketing. Quem

visita os corretores e fecha os negócios

são responsáveis por cada área.

Estas pessoas têm o poder para fechar

negócios. Por ser uma companhia

descentralizada, quem está na operação

local consegue definir as condições dos

contratos, o que proporciona grande

agilidade aos processos. “Para nós,

inovação não é só antecipar o futuro: é

também olhar para o presente e descobrir

formas de atender melhor corretores

e empresas. De forma justa e cada vez

mais ágil, rápida, eficiente e relevante”,

sintetiza Renato.

É por isso que a XL Catlin conta com

uma premiada plataforma tecnológica,

que permite aos clientes acompanhar

seus processos online e em tempo real

de qualquer parte do planeta.

19


grandes riscos | mercado

Movimentos no tabuleiro

Mudanças no mercado não devem impactar

negativamente a carteira, mas deverão

demandar mais expertise e qualificação de

quem se mantiver nas grandes apostas

Amanda Cruz e Kelly Lubiato

Grandes obras, infraestrutura,

aportes em energia e um

mercado de seguros pujante

para assegurar todos esses

investimentos. Essa era a visão da área de

Grandes Riscos há alguns anos, mas isso

não se sustentou em meio à crise política

e econômica. A recessão chegou e o que

era aposta certeira virou vontade de virar

o jogo. Cenário de desilusão para uns,

para outros a certeza de que o problema

é passageiro. “A expectativa que havia foi

frustrada por esse cenário. Todavia, isso

é uma postergação e não uma abdicação

dos projetos de grandes obras”, afirma

Robert Bittar, presidente da Funenseg.

O Brasil tendeu a se acostumar com

a ciclicidade de suas crises, mas agora

a já difundida crise política parece ancorar

essas dificuldades. Para Vanderlei

Moreira, vice-presidente da Associação

Brasileira de Gerência de Riscos –ABGR

– é na instabilidade política que mora o

problema. O País já passou por outros

20

empecilhos como crises energéticas que

frearam o setor, diminuindo a sede de

ampliação de investimentos e, para Moreira,

isso afetou apenas parcialmente a

área de Grandes Riscos, mas as renovações

de apólices – como as de parques

fabris, usinas hidrelétricas etc. dão o

tom para que haja ritmo de continuidade

nos negócios. “O que não temos é o

crescimento da área de grandes riscos.

Muito possível, se a crise perdurar, em

breve haverá o encolhimento da área,

porque os parques fabris irão diminuir,

fazendo com que muitas indústrias multinacionais

reavaliem suas operações no

Brasil”, opina.

O cenário é preocupante, mas o

otimismo ainda é hábito costumeiro no

mercado, tanto que mesmo com dificuldades

nos últimos dois anos, houve

apetite para aquisições. A SulAmérica

decidiu sair da área, em 2015, mas a Axa

foi ao seu encontro e, em 2016, garantiu a

compra da carteira. Já em 2017, uma das

principais novidades foi a joint venture

da Bradesco Seguros com a Swiss Re

Corporate Solutions. A brasileira agora

aporta sua carteira de Grandes Riscos

na resseguradora suíça, tomando, com

esse acordo, o terceiro lugar entre as

❙❙Robert Bittar, da Funenseg


maiores do ramo no País. “Esta transação

cria uma das líderes no mercado de

seguros comerciais de grandes riscos no

Brasil, com potencial para crescimento

acelerado, tendo em vista a utilização

dos canais de distribuição da Bradesco

Seguros”, afirma Luciano Calheiros,

CEO da Swiss Re Corporate Solutions

Brasil. Com a mudança, a resseguradora

terá acesso aos canais de seguradora em

todo Brasil, ampliando sua capilaridade

e tornando-se um bom exemplo de como

há players investindo pesado no setor

e, consequentemente, na expectativa

de melhora. “O mercado está bastante

desafiador e isso reflete nossa estratégia

para o ano. Continuamos focados em

segmentos que, tradicionalmente, já

eram relevantes na carteira da Swiss Re

Corporate Solutions, como seguro rural

e seguro garantia, e queremos avançar

em segmentos importantes com os quais

ganhamos relevância a partir da incorporação

da carteira da Bradesco Seguros”,

explica Calheiros.

Além disso, o processo de abertura de

IPO (oferecimento de ações para o mercado)

do IRB Brasil Re também chama

atenção dos investidores. O ressegurador,

que até 2007 era um monopólio estatal,

está aberto para receber acionistas. Embora

a crise tenha feito a companhia adiar

um pouco esses planos, a precificação dos

papeis foi fechada pelo piso de R$ 27,24 e

teve muito apoio de um de seus principais

controladores, o governo, que pretende

arrecadar recursos com esse passo.

❙❙Vanderlei Moreira, da ABGR

Sobre essas mudanças, Moreira

acha que duas vertentes se desenham: as

seguradoras que mudaram sua estratégia

de mercado e decidiram que não focariam

mais nesse tipo de risco, e as que

tiveram que tomar a decisão com base na

margem de lucro. Para atuar em grandes

riscos, a Zurich, por exemplo, se dispôs

a conhecer muito bem as peculiaridades

de seus clientes. “Ela investiu na busca

de soluções de seguros customizadas e

na área de subscrição com profissionais

extremamente qualificados, capazes

de propor soluções únicas”, esclarece

Celso Soares Junior, superintendente de

Subscrição de Seguros Empresariais da

Zurich no Brasil.

Para Julio Costa, sócio do Tauil &

Chequer Advogados, a crise econômica

brasileira não é algo que deva ser menosprezado

diante da conjuntura atual

dos Grandes Riscos, mas ele destaca que

outras carteiras devem ser igualmente

afetadas nessa baixa. Ainda assim, o

executivo enxerga em seu prognóstico

alguma margem para o crescimento em

2017. “Ainda que o Brasil não tenha uma

definição uníssona do que são compostas

as carteiras de Grandes Riscos, fato é que

alguns produtos habitualmente classificados

dentro delas - como, por exemplo, o

Seguro Garantia (Setor Público e Privado)

e Riscos de Petróleo - tiveram suas performances

severamente atingidas pelas

crises dos últimos anos”, ressalta o advogado.

Em contraponto, Costa lembra que

alguns riscos como Aeronáuticos e Cascos

Marítimos, que também tiveram dificuldades

em seus desempenhos, não foram

atingidos de forma tão significativa pelo

momento ruim, mas por fatores externos.

Competitividade

Robert Bittar lembra que há algo de

bom a ser observado no cenário atual: a

operação de grandes riscos está dividida

entre algumas poucas seguradoras, acentuando

a competitividade da carteira nas

resseguradoras e garantindo preços mais

acessíveis em todas as modalidades de

contratação. “Contribui ainda para isso o

fato de que, nos últimos anos, não houve

qualquer ocorrência catastrófica capaz

de impactar globalmente o resultado das

operações de resseguros”, ressalta.

❙❙Celso Soares Junior, da Zurich

Moreira levanta o fato da diminuição

de companhias aceitando esses

riscos, mas destaca que a concentração

proporciona melhoria nas carteiras das

companhias. “A consequência disso é a

redução de taxas, uma vez que as seguradoras

poderão ter mais dados históricos

para negociar essa redução junto aos

resseguradores.”, explica.

Para o analista da Taiul & Chequers,

não se pode deixar de lado os pontos

negativos que ainda chamam a atenção

e preocupam, como a ausência de uma

política governamental que reconheça a

importância do setor para a sociedade.

“É fundamental que se compreenda que

a atividade securitária desonera o Estado

e aumenta as poupanças institucionais,

além de representar uma salvaguarda aos

direitos da população”, comenta. Costa

critica ainda o que chama de “excessiva

intervenção do órgão supervisor na

regulação dos Grandes Riscos”, citando

os clausulados padronizados para a cobertura

de riscos complexos. Isso, para

ele, dificulta o desenvolvimento.

Mas os grandes riscos são feitos também

de pensamentos estruturados e de

longo prazo e, balanceando a visão, Costa

destaca que “os pacotes de concessões e

privatizações em áreas aeroportuárias,

óleo e gás e transporte, aliados aos primeiros

sinais de crescimento econômico,

são pontos positivos para a retomada

desse mercado”.

Com a retomada da economia o

mercado de seguros de grandes riscos

deve voltar para o rumo do crescimento,

21


mercado

Austral começa a operar em Riscos

Operacionais de Grandes Riscos

❙❙Luciano Calheiros, da Swiss Re

principalmente nas carteiras ligadas à

construção, como RC Obras, RC Profissional,

Engenharia e Garantia. “Para 2018

existe grande expectativa de crescimento

a partir do momento que investimentos

neste setor sejam retomados, aposta Soares

Junior, da Zurich.

Sem surpresas

Todas as movimentações que ocorrem

agora, portanto, não são surpresas ou

sinais de que algo não vai bem. O momento

pode ser difícil, mas por isso mesmo

as seguradoras pretendem focar em sua

expertise. Os especialistas acreditam que

esses reposicionamentos são naturais

de mercado, tanto aqui quanto mundo

afora. “É exatamente o que se busca em

uma incorporação ou joint venture, por

exemplo. Via de regra, aquele que detém

expertise prevalece sobre aquele que

❙❙Julio Costa, do Tauil& Chequer

22

A Austral Seguradora está lançando

uma nova cobertura em Riscos

Operacionais de Grandes Riscos em

liderança. A operação terá início em

setembro. O foco do novo produto são

os setores industrial, fabril, rodoviário e

energia. “Mas todos os segmentos serão

analisados de forma personalizada”,

enfatiza Alessandra Miranda, head de

Property e Casualty da empresa.

A escolha pela abertura desta

carteira, na qual a Austral já atua em

cosseguro aceito, vai ao encontro da

necessidade dos clientes em ter um

atendimento mais completo. Em um

futuro próximo, a Austral abrirá as

carteiras de Responsabilidade Civil e

Riscos Diversos. “Queremos atender o

cliente no conjunto de suas demandas,

desde os riscos de Garantia e Engenharia

até o Property. Não queremos ser

os maiores, mas os melhores. Nossa

meta é ser vista como a seguradora

que entende, de fato, o negócio do

cliente”, ressalta.

O grande diferencial desta operação

é a personalização do atendimento,

com ênfase na qualidade e

na eliminação de burocracia, criando

soluções exclusivas para atender às

detém o capital. Isso interessa a ambas

as partes”, esclarece Bittar. Regras de

solvência, aprimoramento de práticas de

controle e gestão de riscos e demanda por

especialização todos esses são fatores que

determinam as escolhas das empresas em

continuar ou não em um segmento. “Apesar

de movimentar elevados prêmios,

a carteira também demanda fôlego das

seguradoras; enquanto os grandes players

mundiais da indústria securitária sentem-

-se mais confortáveis para lidar com as

elevadas reservas de capital decorrentes

da subscrição de Grandes Riscos, os

operadores nacionais preferem manter

suas posições no varejo, onde dominam

as redes de distribuição e atendimento”,

elucida Julio Costa.

Para voltar ao jogo não é preciso

fazer conjecturas mirabolantes, mas

necessidades do cliente, sempre com

transparência para fortalecer os laços e

proporcionando agilidade às negociações.

Alessandra explica que o foco é o

serviço e que cada risco será analisado

em conjunto com o cliente, de forma a

entender as suas preocupações.

O Property foi estruturado a

pedido dos próprios clientes, que não

encontram no mercado a eficiência no

atendimento. “A capacidade inicial é

de R$ 100 milhões. Mas a expectativa

é ampliá-la até o final do ano”, conclui

a executiva.

melhorar internamente para que isso se

reflita no mercado. Especialização, qualificação

e gerenciamento de risco serão

ferramentas cruciais; intercâmbio com o

mercado internacional e compreensão do

mercado local também. “É preciso que

sejam promovidas inserções de princípios

e costumes securitários, amplamente

utilizados em outros mercados desenvolvidos”,

aconselha o advogado. Mas a

melhora não depende só da boa vontade

do setor de seguros. “O mercado busca

crescer em segmentos não “tradicionais”,

como seguro Garantia Judicial e apostando

em novos produtos como Cyber. No

entanto, as obras de infraestrutura são

importantes para movimentar a demanda

por diferentes tipos de produtos disponibilizados

pelas seguradoras”, avalia

Soares Junior, da Zurich.


23


iscos financeiros | garantia judicial

Liquidez e

reestruturação

Grande aposta do mercado em 2015,

modalidade volta a ganhar destaque com

perspectivas de crescimento em 2017

Em 2015, o Seguro Garantia Judicial

passou por importantes

mudanças. Com a aprovação

do Projeto de Lei de conversão

da MP 651/14, ele continuou equiparado

à caução em dinheiro nos processos de

execução fiscal e incluiu a necessidade

de dois anos de vigência das apólices e o

fim da obrigatoriedade de ter comprovada

a presença de resseguro para valores

acima de R$ 10 milhões segurados. Isso

fez com que essa modalidade fosse uma

das grandes apostas daquele ano, quando

os ganhos foram 30% maiores do que

em 2014.

De fato, a modalidade mostrou sua

força e concretizou as expectativas e

a crise, que muitas vezes é a algoz do

crescimento, acabou por destacá-la, já

que os outros tipo de garantia, como a

de performance, ficaram de lado. Em

Amanda Cruz

2016, o crescimento foi de 20% e, só no

primeiro trimestre de 2017, a carteira já

aumentou 19%, acompanhando a boa

onda. “A minha projeção, para o ano

[2017], é um crescimento de 20,25% o

que deve resultar em aproximadamente

R$ 2 bilhões de prêmios emitidos; no último

ano esse número foi de R$ 1,6 bilhão.

As mudanças foram positivas porque, em

dois anos de crise, conseguimos manter

o crescimento da carteira”, comemora

Rodrigo Loureiro, head de Surety Brazil

da Willis Towers Watson.

O cenário foi até além do esperado.

Até meados de 2008, nem mesmo os

magistrados conheciam bem a modalidade

e as próprias seguradoras não

dominavam o produto. Com o passar

dos anos, o conhecimento sobre essa

alternativa se espalhou, trazendo não

somente uma opção, mas expandindo

o conhecimento sobre o mercado e a

viabilidade do produto. “Hoje, 90%

das grandes empresas não usam mais

fiança bancária. Sendo assim, elas operam,

conhecem ou estão começando a

demandar o Garantia Judicial. É muito

difícil alguma empresa que nunca tenha

sequer ouvido falar do produto”, afirma

Stephanie Zalcman, diretora de Seguro

Garantia da JLT. Taxas mais baixas,

preços menores e a garantia de não

onerar o balanço da empresa tomando

limite de crédito - como acontece nos

bancos – são algumas das vantagens

que levam a Garantia Judicial a ter cada

vez mais clientes.

Enquanto os investimentos em

infraestrutura ficaram estagnados no

País, o mercado se concentrou muito

na Garantia Judicial. “Apesar de não

termos mais a separação na Susep para

avaliar efetivamente, podemos afirmar,

até com certo conservadorismo, que

essa modalidade representou 65%

do mercado de Garantias”, constata

Daniela Dúran, gerente de Produtos

Financeiros da Aon Brasil.

Investigações e

consequências

Como passar ao largo da crise?

Daniela explica que a crise, em si,

não foi um catalisador para o produto,

mas alguns fatores que vêm com ela

contribuem para o aumento. “O fisco

precisa compensar a desaceleração da

arrecadação de impostos e ele vê as

autuações fiscais como uma possibilidade”,

exemplifica. Por outro lado, a

capacidade econômica financeira das

empresas acaba piorando, o que faz

com que as seguradoras sejam mais

cautelosas na aceitação de riscos. Mesmo

assim, o mercado de seguros leva

vantagem, já que ao mesmo tempo os

bancos têm restrição de crédito.

O produto é, em última análise,

uma garantia financeira dada em nome

de uma empresa, se ela for condenada

em processo judicial e não efetuar o

pagamento da indenização, a seguradora

cobre. Portanto, a modalidade é

afetada porque com menos capacidade

dessas empresas, os sinistros podem

aumentar e a subscrição precisa ser

24


❙❙Stephanie Zalcman, da JLT

mais cuidadosa. Assim, as empresas com

boa saúde financeira são recompensadas.

Segundo o executivo da Willis, uma

bolha no mercado poderá estourar. “Há

muitas empresas sendo investigadas em

outras operações além da Lava-Jato,

sejam operações fiscais ou policiais. Se

forem efetuadas todas as garantias para

os processos da CAF – Comitê de Fusões

e Aquisições que supervisiona e regula as

aquisições de empresas – o mercado deve

dar uma guinada e, se for esse ano, chegar

a 25% de crescimento”, explica. Como

as garantias judiciais são baseadas nas

fiscais, o rumo sempre estará atrelado à

fiscalização do governo. Se ela está mais

rígida, as empresas enfrentam processos

judiciais. “Agora que o governo precisa

de caixa, acredito que isso deverá crescer.

Com o tempo, as empresas começam a

ficar mais exigentes. Se o governo está

apertando muito a fiscalização, elas começam

a andar mais na linha. De certa

forma, com o tempo o crescimento pode

decair”, completa Loureiro.

Com mais critério nas análises, o

contato entre seguradoras e seus clientes

de Garantia Judicial está mais próximo

do que nunca. É claro que as condições de

uma empresa podem vir a mudar caso ela

sofra um impacto financeiro. Atualmente,

empresas investigadas têm pouca ou

nenhuma chance de conseguir uma nova

apólice para garantir seus pleitos judiciais,

o que acabou sendo benéfico para o

mercado. “Aliado a tudo isso, tem a crise

política. As grandes empreiteiras sempre

foram tomadoras de seguro garantia e

estão enfrentando problemas políticos.

O mercado ressegurador e as empresas

internacionais ficam mais conservadoras

e talvez não tão receptivas para alguns

riscos que aceitavam antes. Os grandes

projetos eram movimentados por essas

empreiteiras, por isso os investimentos

foram concentrados na modalidade

judicial nos últimos dois anos”, ressalta

Daniela.

O apetite muda, mas as companhias

encontram maneiras de navegar, ainda

que em mares agitados. “Os próprios resseguradores

internacionais vêm ao Brasil

para conhecer a operação e entender porque

há tantos processos judiciais aqui. Lá

fora não existem tantos litígios e quando

há são resolvidos rapidamente. No País,

um processo pode durar 10 anos. Muitos

resseguradores estrangeiros tiveram aumento

considerável em suas carteiras por

aqui”, comenta Stephanie, da JLT.

Ampla aceitação

Com a crescente aceitação do seguro

Garantia Judicial, as modalidades

bancárias se tornaram, de certa forma,

obsoletas. Mas isso não faz com que o

seguro esteja totalmente finalizado. As

mudanças de 2015 foram importantes e

trouxeram mais corretores com desejo de

especialização, mas alguns ajustes legais

podem ser necessários. “Pensando desde

2007, quando houve o primeiro registro na

lei, até os dias de hoje o produto evoluiu

bastante. Na esfera cível, ele já tinha previsão

legal, na esfera fiscal, com a reforma na

lei de isenções, em 2014, ele passou a ser

previsto como uma modalidade apta para

❙❙Rodrigo Loureiro, da Willis

❙❙Daniela Dúran, da Aon

garantir essas isenções. Quando olhamos

para a esfera trabalhista, acreditamos que

a recente reforma da CLT também passará

a aceitar a garantia em seus processos”,

elucida Daniela.

Loureiro observa que, embora a

legislação possa ser repensada e, quem

sabe, melhorada, isso dependerá muito de

fatores externos. “As seguradoras estão

tentando aprovar uma nova legislação,

aumentando o percentual de importância

segurada em contratos públicos, porque

hoje eles entendem que é baixo [5%] - as

companhias querem 30%. Mas isso só

vai passar no congresso depois de todas

as reformas que o governo pretende. Essa

matéria é secundária agora”, sinaliza.

Já Stephanie vê mais mudanças possíveis

e necessárias. “Muita coisa ainda

pode mudar para melhorar a aceitação

dos juízes e fazê-los entender melhor

como funciona o produto. Quando acompanhamos

o cliente, vemos que as dúvidas

são menos em relação ao seguro do que às

seguradoras. Pois elas não são as mesmas

que atuam no ramo de automóveis, por

exemplo. São desconhecidas aos olhos

do magistrado. Por isso, eles precisam

saber bem o quanto aquela companhia

pode assegurar, de fato”, explica.

O otimismo é claro em quem atua

com o produto, porque ele começa a

aparecer em um momento que os créditos

bancários são baixos e que nunca se

precisou tanto de uma alternativa para

arcar com as obrigações e fazer ao máximo

para que as empresas não quebrem

enquanto passam por mais esse momento

de turbulência.

25


gerenciamento de riscos | transportes

O destino das cargas

Transportadores, corretores de seguros e

seguradores procuram maneiras de continuar a

proteger a circulação em rodovias em meio ao

aumento da criminalidade

Amanda Cruz

Para um País que depende majoritariamente

de transporte

rodoviário para fazer as cargas

circularem, a condição desse

modal não vai muito bem. Além das

estradas com condições inadequadas,

o roubo de cargas acendeu o alerta

vermelho para os transportadores e faz

especialistas do mercado pensarem na

possibilidade das seguradoras deixarem

de atender o risco nas localidades mais

preocupantes. Os prejuízos com esses

sinistros registraram, nos últimos seis

anos, custo de mais de R$ 6 bilhões. O

País foi considerado o 8° lugar mais perigoso

para essa modalidade pelo comitê

do setor de cargas do Reino Unido. O

Rio de Janeiro é o expoente dos riscos,

com mais de 9 mil roubos de cargas

registrados em 2016. “Historicamente,

o setor de logística sempre sofreu com

a falta de investimentos no Brasil. Os

investimentos sempre estiveram aquém

das necessidades de um país de proporção

continental”, atesta Adailton Dias, diretor

de Transportes, Sinistros e Planejamento

Estratégico da Sompo Seguros. Ele afirma

que as organizações criminosas têm

sido bem sucedidas em atingir um nível

de sofisticação que supera os investimentos

do Estado.

“Há uma soma de fatores que levam

a esse cenário: crises institucionais, o

foco em roubo de cargas - por conta da

facilidade de distribuição dessas mercadorias

- e a redução da fiscalização da

Polícia Rodoviária Federal. É um mo-

26

mento de tensão e as seguradoras estão

muito mais críticas na aceitação do risco,

mais criteriosas. Mesmo assim, há espaço

para expansão”, explica Iramil Bueno

de Araújo, gerente geral Comercial de

Transportes e Gerenciamento de Riscos

da Rodobens Corretora de Seguros.

Seguro e segurança

O mercado de seguros faz sua parte,

oferecendo diversas coberturas e até

participando de obrigatoriedades de

proteção. Por isso, apesar dos cuidados

redobrados, a carteira apresenta aumento

de procura. Esse movimento era

esperado, já que em época de ameaças

as pessoas tendem mais a procurar mais

proteção. O seguro de Responsabilidade

Civil do Transportador é de contratação

obrigatória e há também o RC Facultativo,

que, de acordo com Araújo, é bastante

contratado. “Quanto às coberturas

adicionais, depende muito do tipo da

carga que é transportada. Quem entrega

muito na região do Pantanal, contrata a

cobertura de trajeto fluvial, por exemplo”,

explica. Há ainda o risco de avarias para

quem transporta bebidas, móveis e coisas

frágeis em geral; transporte de máquinas

que necessitam de outro maquinário para

fazer a carga e a descarga e içamento,

entre tantas outras opções.

Ainda que existam essas modalidades

obrigatórias, mesmo com tanta

utilização, a contratação está aquém do

que deveria. Um espaço para o mercado

crescer, sem dúvidas, mas também

a preocupação sobre a efetividade do

avanço da cultura de seguro às pessoas

responsáveis pela movimentação de boa

parte da produção nacional.

Imprescindível, mas com muita necessidade

de especialização, o produto

precisa ter, não somente no segurador

mas também no corretor, a figura de

quem entende o que está fazendo. O

transportador sabe na prática quais são

as dificuldades, mas apenas o especialista

pode dizer a ele, como, quando e

onde contratar, esclarecendo os riscos e

as leis que permeiam cada contratação.

Para o corretor de seguros que quiser

especializar-se, esse sem dúvida, pode

ser um bom caminho, porque há muito

mais a ser avaliado e aprendido sobre

a carteira. “Mesmo que o roubo seja

um problema muito sério, também há

ocorrências igualmente críticas como

acidentes no trajeto, derramamento de

carga, acidentes durante o embarque,

atrasos na entrega, entrega de mercadorias

com avarias e outros fatores externos

que podem impactar economicamente a

operação”, lembra Dias.

O maior engajamento dos transportadores

que estão próximos aos corretores

na hora de fechar a apólice é muito

positivo. Eles entendem o que contratam

e pensam mais em como mitigar seus riscos.

“As circunstâncias levam o transportador

para isso. Ele sabe que, se houver

muitos sinistros, pode ter dificuldade de

renovar a apólice ou ter seu custo muito

mais elevado. Ele precisa participar, pois


não é um trabalho possível de ser feito

isoladamente”, enfatiza Dias.

Só que na visão de Jamil Badreddini,

diretor da Monte Líbano Corretora de

Seguros, localizada em Goiânia, o processo

de trazer o transportador para perto

é um trabalho árduo para os corretores.

“O empresariado goiano ainda não tem

a cultura de buscar por essa proteção nos

processos dos embarcadores, pois grande

parte de suas cargas são terceirizadas para

as transportadoras. Cresce através dos

corretores a divulgação do ramo de Transporte

Nacional a esse público”, pondera.

❙❙Adailton Dias, da Sompo

Escoamento agropecuário

A região Sudeste é, certamente,

muito afetada, mas outros locais também

têm visto esse assustador crescimento.

O Estado de Goiás, nacionalmente

conhecido pelo transporte por conta

da movimentação agropecuária, é um

exemplo desse aumento. De acordo

com dados da Secretaria de Segurança

Pública e Administração Penitenciária,

em 2016 o índice de roubos nas estradas

cresceu 30% - em comparação com

2015. “Estamos falando do estado que é

o quarto produtor de grãos, com ampla

área voltada às culturas de soja, sorgo,

milho, cana-de-açúcar, leguminosas,

entre outras. Goiás também é detentor do

terceiro maior rebanho bovino do Brasil,

além da sexta posição tanto na suinocultura

quanto na avicultura. Números como

esses não podem ser ignorados”, destaca

o executivo da Sompo.

Qualquer tipo de carga é alvo. Eletroeletrônicos,

pneus, produtos alimentícios,

bebidas etc. “Dentro do ramo alimentício,

o que chama atenção é que houve aumento

na parte de laticínios, que antes

não tinha uma incidência tão grande”,

exemplifica Iramil Araújo. Adaílton Dias

completa a informação, afirmando que na

região de Goiás, produtos do agronegócio

também são um risco. “De grãos até

cargas vivas (bovinos, suínos etc), que há

um tempo era um tipo de carga menos

visada”, explica.

No início de 2017, a Polícia Federal

e a Polícia Rodoviária Federal, além da

Polícia Militar de Goiás cumpriram 82

mandatos judiciais na ação intitulada

Hicsos, elaborada para parar uma quadrilha

de saqueadores responsável por, em

média, 25 roubos por mês, causando um

prejuízo estimado em R$ 30 milhões. A

investigação leva a crer que empresários

financiavam essas ações. Os produtos

roubados eram, posteriormente, vendidos

como se fossem mercadoria legal.

Badreddini atesta no cotidiano esse

momento. “Tínhamos clientes que não

haviam passado por sinistros e, de repente,

chegaram até a ter quatro sinistros em uma

mesma vigência. A recessão e os problemas

de ordem política da nossa nação

levaram ao caos, especialmente em 2016,

afetando os resultados técnicos”, afirma.

O medo de roubos é tão alto que,

em algumas estradas, muitos motoristas

só trafegam em comboio, por ser uma

iniciativa que coíbe a ação dessas quadrilhas.

“Outro problema é a condição das

estradas. Há rodovias na região [ Goiás]

com falta de manutenção, esburacadas,

com sinalização precária ou até mesmo

sem pavimentação, intransitáveis. Isso

aumenta substancialmente o risco de

quebra de veículos e de acidentes como

colisões e derramamento de cargas”,

aponta Dias.

Gerenciamento de riscos. Esta é a

palavra de ordem, nesse e em qualquer

outro setor que esteja passando por momentos

críticos. Ao contrário de áreas

como a de Garantias de Obras, que ficou

parada, os transportes não só crescem

como têm despertado mais cuidados.

“Estamos acreditando bastante no ramo.

Com a procura maior, o que buscamos

fazer como corretores é uma pré-seleção

❙❙Iramil Bueno de Araújo, da Rodobens

de alguns riscos, orientando o cliente,

aliando as coisas para um resultado bom e

de contínua perspectiva de crescimento”,

diz Araújo

A única desconfiança que fica está

além do que qualquer player do mercado

pode alcançar. O seguro existe para

proteger a sociedade de eventualidades,

mas quando isso se torna recorrente, fica

insustentável para as companhias oferecer

a proteção. “O roubo de carga é um

mal que tem elevado substancialmente

o ‘custo Brasil’. O resultado, em última

instância, é que a conta não fica apenas

para a seguradora, para a transportadora

ou para o dono da carga. Ele está gerando

uma conta alta que é paga por toda a sociedade.

É importante uma mobilização

por parte dos agentes do setor”, afirma o

executivo da Sompo.

O corretor da Monte Líbano acredita

que uma medida que deve ser tomada é

“dar mais liberdade para a Delegacia de

Roubo de Cargas e sua política de atuação

na região, para que possam agir e fechar

o cerco das fronteiras do Estado”.

O engajamento parece existir também

entre os corretores. “Não precisamos

apenas de equipamentos de monitoramento,

mas de toda a logística associada

ao tema, vinda de todos os players. Aliado

a isso, precisamos pressionar os órgãos

públicos para melhorar a situação. Por

mais que você tenha um aparato de seguro,

de gerenciamento de riscos, logística,

se o poder público não puder ser mais

efetivo, as coisas ficarão cada vez mais

difíceis”, finaliza Araújo.

27


mercado | seguro de crédito

Saúde financeira

Com a inadimplência

crescendo no mundo

corporativo, é importante

que as empresas que

vendem produtos ou

serviços a prazo protejam

seus recebíveis

Lívia Sousa

28


em dia

Palavra bem conhecida e presente

no dia a dia dos consumidores,

o endividamento cresceu

ainda mais nos últimos meses.

Enquanto em dezembro passado o número

de brasileiros com as contas no

vermelho chegava a 58,3 milhões, no

primeiro trimestre deste ano saltou para

59,2 milhões, de acordo com o indicador

do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC

Brasil) e da Confederação Nacional de

Dirigentes Lojistas (CNDL).

A inadimplência, entretanto, preocupa

não só as pessoas físicas, mas também

as empresas. Outros dados divulgados

pelas duas instituições indicam que o

volume de companhias com contas em

atraso cresceu 4,05% em junho, frente

igual mês de 2016. Na comparação com

o mês de maio, a variação foi positiva em

0,42%, após queda de 0,16% observada

no levantamento passado.

Toda empresa que vende produtos

ou serviços a prazo corre o risco de

ter algum prejuízo com o possível não

pagamento por parte dos clientes, o que

se agrava ainda mais em tempos de crise

econômica. Para evitar esse tipo de situação,

o ideal é que as companhias contem

com um seguro de crédito, que indeniza

o segurado (empresa que vendeu) em caso

de não pagamento pelo cliente (empresa

que comprou). “A cobertura pode ser

bastante ampla, cobrindo todas as vendas,

ou restrita a um ou poucos compradores

que representem um risco de crédito

maior para o vendedor. Pode incluir até

o efeito da mora prolongada por parte

do devedor”, explica Marcos Galantier

D’Agostini, diretor geral da TSB Global

Consultoria de Riscos e Seguros.

Indústrias em geral, especialmente

multinacionais, são as principais contratantes

do produto, que também se mostra

interessante a prestadores de serviços,

investidores e instituições financeiras.

Segundo D’Agostini, securitizações

recentes no mercado de capitais têm

contado com o seguro de crédito para

os investidores naquilo que se relaciona

aos recebíveis cedidos para a carteira

securitizada – isso reduz a taxa de juros

exigida e oferece proteção ampla contra

a perda por inadimplência dos recebíveis,

por exemplo –, assim como as empresas

29


seguro de crédito

❙❙Marcos D’Agostini, da TSB Global

do comércio exterior – tanto os exportadores,

abrindo e mantendo mercados

não-tradicionais, como os importadores,

que podem economizar recursos substanciais

ao substituir as cartas de crédito.

Também estão na lista os exportadores e

importadores de máquinas e equipamentos,

que exigem prazos mais longos de

pagamento, tomando limites de crédito

muitas vezes escassos das suas instituições

financiadoras.

Apesar deste tipo de seguro cobrir

as vendas apenas para pessoas jurídicas,

existe cobertura para o empreendedor

individual, desde que possua um CNPJ

válido. Em geral, não há diferenças nas

coberturas para as empresas individuais.

“Quando se fala de cobertura para

todas as vendas, é possível incluir as

vendas para compradores pessoas físicas.

Exemplo disso é encontrado no agronegócio,

onde muitos produtores rurais são

pessoas físicas e tomadores de crédito

em volumes bastante acentuados”, afirma

D’Agostini. Segundo ele, com poucas

exceções, é difícil encontrar algum fornecedor

de insumos para o agronegócio

que venda integralmente à vista, sendo

o prazo safra o melhor para o produtor.

“Afora o aspecto mercantil das vendas,

financiadores da safra que adiantaram

recursos aos produtores, tradings que estão

interessadas na entrega física dos produtos,

instituições financeiras de maneira geral

e investidores nos diversos instrumentos

de financiamento ao setor do agronegócio

são todos, sem exceção, interessados e

compradores de seguro de crédito.”

30

Pontos fortes

São vários os critérios avaliados para

aprovar ou renovar uma apólice de seguro

de crédito e todos eles dependem da

aceitação de riscos de cada seguradora.

Mas, de maneira geral, são analisados

individualmente todos os clientes para

os quais o segurado venda a prazo. É

verificado também o setor de atividade

do segurado, o prazo de vendas praticado

para cada cliente e os atrasos e perdas

registradas nos últimos anos. Todas levam

em consideração, principalmente,

o histórico de inadimplência e perdas

contabilizadas, além das faixas de limite

de crédito concedidos e de prazos para

pagamento praticados.

“Essas informações servem de base

para o cálculo do prêmio do seguro. Outras

variáveis podem ser consideradas dependendo

do critério de cada seguradora”,

lembra Cristina Salazar, vice-presidente

da Comissão de Riscos de Crédito e Garantia

da Federação Nacional de Seguros

Gerais (FenSeg), acrescentando que a

solução pode evitar uma inadimplência

em cadeia e manter o fluxo de caixa das

empresas, principalmente em épocas de

grave crise econômica.

A facilidade na busca de novos negócios

é uma das vantagens adicionais, visto

que não depende da empresa decidir se

o potencial cliente pagará em dia. Caso

aprove o valor solicitado, a seguradora

concederá cobertura para as vendas a

prazo, mesmo que o segurado não tenha

histórico de relacionamento com o

❙❙Gustavo Tozo, da Galcorr

❙❙Cristina Salazar, da FenSeg

cliente. No caso do seguro de crédito à

exportação, essa vantagem é ainda mais

perceptível, pois é mais difícil conhecer

e decidir sobre valores de vendas a prazo

para clientes em outros países. “Com

o seguro fica bem mais fácil exportar

com garantia de recebimento”, garante

a executiva.

Outro benefício é o custo de cobrança,

principalmente no exterior. A empresa

que contrata o seguro não terá que se

preocupar em cobrar as dívidas vencidas

e incorrer em custos com recuperações

e advogados: será função da seguradora

realizar as gestões de cobrança dos créditos

em atraso.

Com ou sem crise

O aumento da inadimplência, agravada

pelo crescimento do número de

recuperações judiciais e falências, contribuem

para o maior interesse no seguro

de crédito. “O cenário atual pede aos

gestores planejamento, assertividade e

impõem um painel de extrema eficiência

para os negócios. A mudança nesta

postura é confirmada pelo aumento do

consumo do seguro de crédito interno,

que cresceu aproximadamente 55% em

três anos”, declara o CEO da Galcorr,

Gustavo Tozo, que vê uma atuação mais

criativa por parte do mercado segurador

em geral e se mostra otimista com relação

às mudanças deste setor no Brasil. “Com

faturamento da ordem de R$ 10 milhões

ao ano, o segmento tem crescido e se tornado

mais sólido e conhecido, impulsionado

pelo efeito da crise. As seguradoras


desenvolvem produtos e serviços cada

vez mais próximos às necessidades das

empresas e clientes.”

Quem também encara o futuro do

mercado com bons olhos é Edmur de

Almeida, coordenador da Comissão de

Crédito, Garantia & Fiança do Sindicato

dos Corretores de Seguros no Estado de

São Paulo (Sincor-SP). Ele não só destaca

o potencial para o crescimento da

venda desse seguro no país – atualmente

o produto não soma 500 apólices emitidas

– como afirma que o corretor exerce

um papel importante nesse processo,

trazendo maior proteção às empresas, fidelizando

clientes, diversificando carteira

e aumentando sua renda.

“É um ciclo virtuoso”, diz ele, que

apesar da demanda aumentar naturalmente

nos momentos de instabilidade econômica

lembra que o seguro é importante

em qualquer época, com ou sem crise. “O

‘contas a receber’ é um ativo tão importante

quanto os demais para a empresa.

Caso esse ativo não se converta em receita,

dependendo do volume, a companhia pode

quebrar”, declara Almeida, que espera um

aumento gradativo do número de apólices

compradas a partir da divulgação maior do

produto e da conscientização dos empresários

de que o seguro é importante em

qualquer época.

Frequentemente difundido no mundo,

principalmente na Europa e nos

Estados Unidos, o seguro de crédito

ainda é pouco contratado no Brasil,

embora esteja crescendo por aqui. Há

❙❙Edmur de Almeida, do Sincor SP

Seguro de crédito x carta de crédito

Embora os nomes sejam parecidos,

o seguro de crédito e a carta de

crédito são instrumentos diferentes

dentro de uma ação comercial e, em

princípio, produtos concorrentes.

A carta de crédito é solicitada

pelo exportador ao importador no

exterior como garantia de um possível

inadimplemento e o custo é pago pelo

importador. Já o seguro de crédito é

contratado pelo exportador (segurado

da apólice), que paga o prêmio e solicita

cobertura aos seus importadores.

Caso a seguradora conceda a cobertura,

ele não necessita mais solicitar carta

a falta de informação de que ele existe,

e, ao mesmo tempo, falta de cultura

das empresas brasileiras. Muitas delas,

inclusive, ainda concedem créditos

elevados. Com análises, cadastram ou

solicitam uma carta de fiança pessoal

dos sócios das companhias e algumas

❙❙Luiz Mauricio Janela, da Global Opsi

de crédito para seus clientes (importadores).

Apesar de no caso do seguro o

custo ser pago pelo segurado, ele fica

com maior flexibilidade para vender,

pois não necessita esperar que o importador

consiga a carta de crédito.

No caso do seguro de crédito o

exportador pode vender o valor que

desejar, desde que a seguradora aprove

o valor, e não dependerá do valor de

uma carta de crédito que lhe concede

um terceiro. Dependendo do caso, o

segurado consegue repassar o custo

do seguro no preço da mercadoria

vendida ao importador.

solicitam garantias hipotecárias, que

correm o risco de nunca serem executadas.

Poucas exigem fiança bancária,

com taxas proibitivas.

“É comum as empresas contratarem

apólices patrimoniais para prédios e

instalações e seguro de vida para os funcionários,

e se esquecem dos recebíveis”,

declara Luiz Mauricio Janela, diretor da

Global Opsi Corretora de Seguros. “Com

o tempo e os solavancos da economia,

isso vai mudar e os produtos vão crescer

quando descobrirem o seguro de crédito.

Ainda há um vasto mercado para ser

explorado. Isso significa muitas oportunidades

para os corretores de seguros que

queiram se especializar e para empresas

que queiram gerir melhor os seus riscos”,

acredita.

Uma apólice deste tipo pode representar

um diferencial competitivo para a

empresa, pois ao conceder prazo a seus

clientes a exposição ao risco de não recebimento

é alta. “É uma importante proteção

da saúde financeira”, finaliza.

31


grandes riscos | césio 137

Uma lacuna a ser preenchida

Tragédia radioativa

completa 30 anos em

setembro, mas não

repercutiu de maneira

acentuada no setor. Até

hoje, os riscos nucleares

são excluídos das apólices

de seguro brasileiras. O

que pode ser feito a partir

de agora?

Lívia Sousa

Quando dois catadores de lixo

encontraram um aparelho de

radioterapia abandonado irregularmente

no antigo Instituto

Goiano de Radioterapia e o venderam a

um ferro-velho acreditando ser apenas

uma sucata, não imaginavam que ali davam

início ao maior acidente radiológico

mundial fora das usinas nucleares. O caso

Césio 137, ocorrido em Goiânia, completa

30 anos em setembro e até hoje deixa

traumas que dificilmente serão apagados.

“O clima era de pânico geral não só

em Goiás, mas também em aeroportos,

hotéis e cidades por onde passassem os

goianos”, lembra o corretor de seguros

Marcos Mariath Rangel, que na época

ocupava a diretoria regional de uma seguradora.

Instalada no Setor Aeroporto,

bairro onde ocorreu o acidente, a sucursal

da companhia ficava em frente ao Ginásio

de Esportes, local onde foram examinadas

as pessoas que de alguma maneira tiveram

contato com o Césio, seja por meio de

outras pessoas ou locais irradiados.

32

A cápsula de césio 137 foi aberta

pelos funcionários de um ferro-velho.

Atraído pela coloração azulada brilhante,

o dono do estabelecimento levou o

elemento para dentro de casa e mostrou

o “pó mágico”, como foi batizado, a familiares

e amigos. Em questão de horas

surgiram as primeiras contaminações e,

dias depois, os primeiros óbitos. Oficialmente

foram registradas quatro mortes,

número contestado pela Associação de

“Na medida em que os

órgãos reguladores se

preocuparem mais com

a solvência econômica

das empresas e menos

com a formulação

de produtos, o maior

beneficiário será o

consumidor”

Sergio Barroso de Mello, advogado

Vítimas do Césio 137 (AVCésio), que

afirma ser difícil mensurar o número de

vítimas – muitas desenvolveram problemas

de saúde anos depois –, mas estima

mais de 100 vítimas fatais e cerca de

1.600 pessoas afetadas pela exposição

ao material.

Passadas quase três décadas, os

personagens dessa história ainda lutam

contra o preconceito e se queixam da

omissão do estado quanto à prevenção

e ao atendimento adequado, apesar da

justiça ter determinado que o governo

estadual prestasse auxílio aos pacientes

e familiares em até terceiro grau. Mas

como o seguro poderia ajudar neste caso?

Efeitos estagnados

O acidente ocorreu quando o seguro

ainda era incipiente no País. Sendo assim,

naquela época não repercutiu de maneira

acentuada no setor, até porque não existia

nenhum tipo de cobertura securitária

para a situação.

É fato que a legislação nacional e


as medidas preventivas avançaram de

lá para cá, mas os efeitos da tragédia

continuaram estagnados quando são

analisados sob a ótica do mercado segurador.

O que era uma oportunidade para

se iniciar discussões importantes, não

evoluiu. Até hoje, praticamente todas as

apólices de seguros do Brasil excluem

os riscos nucleares de qualquer natureza,

fazendo com que eles fiquem fora do

radar dos subscritores das seguradoras e

dos corretores.

“A larga utilização de material radioativo

é encontrada em vários segmentos,

nos processos industriais. De qualquer forma,

o risco continua excluído nas apólices

dos seguros de property, RC, vida etc.”,

afirma o advogado e consultor Walter Polido.

Ele lamenta que o mercado segurador

nacional atue desta maneira em relação a

outras ocorrências catastróficas, em que

não se pontua ou se cria mecanismos que

possam modificar o padrão existente, e cita

como exemplo as mudanças climáticas e

a poluição ambiental.

No primeiro caso, enquanto seguradoras

e resseguradores mundiais se juntam

aos centros acadêmicos financiando

projetos de novas tecnologias e buscam

medidas preventivas de riscos, por aqui

o tema está praticamente estagnado. Já

no segundo, Polido coloca os Estados

Unidos no centro da discussão. Na década

de 1980, mesmo diante de problemas

jurídicos e judiciais, o país deixou de

operar com o risco de forma primária e

representada por cláusula adicional aos

seguros de RC Gerais e criou apólices

específicas de Seguros Ambientais (stand

alone), com coberturas amplas e nomenclatura

técnico-jurídica adequada. O

Brasil, por sua vez, ainda adota o mesmo

padrão praticado pelos norte-americanos

há mais de três décadas, apesar de todos

os problemas que também surgem diante

de sinistros catastróficos, como o da mineradora

Samarco, em Mariana (MG),

ocorrido em novembro de 2015.

“As empresas que compõem o mercado

segurador privado ficam reféns

do Estado e operam dentro dos limites

diminutos de coberturas, adotando

clausulados padronizados. Mesmo as seguradoras

estrangeiras que aqui operam

não modificam os padrões de subscrição

“O seguro é dinâmico. A

técnica e o pensamento

não podem se perpetuar

no tempo e deixar os

riscos emoldurados por

clausulados obsoletos”

Walter Polido, advogado e consultor

existentes”, critica. “O seguro é dinâmico.

A técnica e o pensamento não podem se

perpetuar no tempo e deixar os riscos

emoldurados por clausulados obsoletos.”

Tema delicado

Nem todos abordam ou gostam de

falar sobre o cenário estagnante, mas ele

é real e deve ser enfrentado abertamente.

“Precisamos, sem alarde, conscientizar

❙❙Katia Papaioannou, da Marsh

pessoas, empresas e governos sobre os

riscos e suas consequências, bem como

criar produtos securitários para cobrir

danos e responsabilidades civis”, defende

o corretor Marcos Mariath Rangel.

Como discutir um assunto tão delicado

é a grande questão. Não se trata mais

do que deveria ter sido feito em setembro

de 1987, mas sim do que poderá ser feito

daqui para frente. Advogado da área de

seguros e coordenador acadêmico de

cursos e palestrante da Escola Nacional

de Seguros, Sergio Barroso de Mello

defende que a melhor maneira de se fazer

evoluir o setor de seguros de um país é

dar-lhe liberdade de formulação negocial.

Assim, privilegia-se aquilo que o segurador

tem de melhor: a criatividade.

“Na medida em que os órgãos reguladores

se preocuparem mais com a solvência

econômica das empresas e menos com

a formulação de seus produtos, certamente

o maior beneficiário será o consumidor,

que terá acesso garantido a produtos capazes

de atender as suas demandas de forma

específica e em condições econômicas

justas, em razão da competitividade dos

mercados abertos e pouco regulados no

campo contratual”, explica.

Produtos da natureza do césio 137

são extremamente gravosos e aumentam

o risco exponencialmente, razão pela qual

são costumeiramente excluídos também

nos seguros ambientais. De acordo com

o especialista, a única forma de possibilitar

cobertura para esse risco seria a

Superintendência de Seguros Privados

(Susep), órgão que fiscaliza o setor, liberar

tais coberturas e deixar ao critério

do mercado a sua aceitação e a respectiva

taxação do risco. “Para isso será preciso

alterar a Circular nº 437/2012, dada a sua

velada vedação”, diz Mello.

Já a gerente Placement da Marsh

Brasil, Katia Papaioannou, lembra que a

questão relacionada a danos ambientais

ainda é muito focada e difundida no

âmbito corporativo, embora existam leis,

decretos, normas e tópicos constitucionais

sobre a responsabilidade ambiental

particular. “A responsabilidade civil por

danos ambientais, seja por lesão ao meio

ambiente propriamente dito (dano ambiental

público) ou por ofensa a direitos

individuais (dano ambiental privado),

33


césio 137

Foto: Carlos Costa /Jornal OPopular

Oficialmente foram registradas quatro mortes, número contestado pela AVCésio,

que estima mais de 100 vítimas fatais e cerca de 1.600 pessoas afetadas

❙❙pela fonte radioativa

é objetiva, fundada na teoria do risco

integral. Mesmo com esses dispositivos

a fiscalização ainda é ineficiente, o que

expõe as pessoas e o meio ambiente a

possibilidade de desastres ambientais

como este e outros recém ocorridos”, diz.

Contudo, é possível conceder cobertura

para danos a terceiros decorrentes

de resíduos radioativos de baixa atividade

– em que não há a necessidade de

medidas protecionais contra radiações

impostas pelos órgãos da saúde pública

e do meio ambiente, mas depende de

aprovação da seguradora.

“No Brasil temos um número limita-

Foto: Yoshikazu Maeda, Jornal O Popular

do de seguradoras operando nesta modalidade.

O mercado restrito dispõe de clausulados

amplos (padrão internacional),

capacidade para contratação de limites

elevados e condições competitivas, mas

ainda assim a adesão para contratação de

apólice é baixa, apesar deste seguro já ser

considerado uma ferramenta importante

para gestão ambiental e gerenciamento de

áreas contaminadas e de efetivamente minimizar

a exposição a riscos, prevenindo

perdas e a descontinuidade dos negócios.”

Com a palavra, a Susep

Procurada pela Revista Apólice, a

❙ Centro de estudos da Cnen, em Abadia de Goiás, abriga 6 mil toneladas de

❙ ❙180 anos. Este é o único depósito de lixo radioativo definitivo do Brasil

❙ rejeitos do césio 137, que devem continuar segregados por aproximadamente

Condenação dos

responsáveis

Nove anos depois da tragédia,

três sócios do antigo Instituto Goiano

de Radioterapia e um funcionário da

clínica foram condenados a três anos e

meio de prisão em regime semiaberto

por homicídio culposo (quando não

há intenção de matar). No entanto,

as penas foram trocadas por serviços

comunitários.

Também condenadas, a Comissão

Nacional de Energia Nuclear (Cnen),

que deveria fiscalizar o césio na clínica,

e o governo do estado de Goiás, foram

obrigados a pagar as indenizações às

vítimas e a seus parentes.

“A autarquia não

determina a exclusão

sumária dos riscos

nucleares nas apólices de

seguros. Essa exclusão é

determinada por iniciativa

do mercado, de forma

espontânea e livre”

Nota oficial da Susep

autarquia afirma que a atividade securitária

é regida, primordialmente, pelo

Código Civil; logo, impera na atividade

a liberdade contratual naquilo que não

contrariar a legislação vigente. “Por

outro lado, a autarquia não determina a

exclusão sumária dos riscos nucleares

nas apólices de seguros. Essa exclusão é

determinada por iniciativa do mercado, de

forma espontânea e livre, sem ingerência

da Susep. Há inclusive rubrica especial

para os riscos nucleares (1872), prevista

na Circular Susep nº 535/2016, que trata

da classificação dos grupos e ramos de seguros,

tendo as seguradoras, dessa forma,

a liberdade para criar e registrar produtos

próprios de riscos nucleares, junto à Susep”,

declara, em nota, assegurando ainda

que não verifica demandas provenientes de

entidades representativas de consumidores

de seguros, bem como das entidades que

representam o setor regulado, para debate

da questão junto à autarquia.

34


ig data | Cesvi/Mapfre

Ferramenta do Cesvi/Mapfre reduz

tempo de orçamento em 47%

A funcionalidade Smart utiliza banco de dados

com mais de 1 milhão de sinistros para prédefinir

orçamentos de reparo dos veículos

O

Centro de Experimentação e

Segurança Viária da Mapfre

- Cesvi/Mapfre - pesquisa,

acompanha e se antecipa às

novidades de mercado desde sua fundação,

há 23 anos. Agora, apresenta a Smart,

uma funcionalidade do sistema Órion

Orçamentos, destinado ao mercado segurador

e reparador. A ferramenta utiliza

o expressivo banco de dados de vistorias

que o Centro possui para otimizar os

orçamentos de reparo de veículos.

Da prancheta à moderna plataforma, a

regulação de sinistros passou por diversos

aprimoramentos, e o Cesvi/Mapfre esteve

presente em cada um deles. Esse é mais

um momento de implementar processos

de inovação amplamente estudados. “Estamos

sempre antenados e observando

outros setores. Vimos que o Big Data é

um caminho para sair na frente, e o que

temos de mais valioso aqui são informações

sobre veículos compiladas de forma

consistente”, observa Almir Fernandes,

diretor executivo do Cesvi/Mapfre.

A ferramenta, inédita no Brasil, pode

ser usada tanto por oficinas quanto por

reguladores de sinistros do mercado de seguros

e tem como diferencial a utilização

de um banco de dados técnico e especializado

com mais de 1 milhão de sinistros.

Desde 2003, o Cesvi/Mapfre armazena

em sua plataforma Órion Orçamen-

tos uma média de 88 mil novos sinistros

por mês. Mas foi no final de 2014 que as

informações começaram a ser enxergadas

com potencial para criar a Smart.

A funcionalidade agrega detalhes sobre

quase 14 mil versões de carros, 10 mil

peças e mil variações de colisões. Mesmo

com uma base mais antiga, a escolha foi

por compilar os dados a partir de 2008,

alinhando-a aos veículos em circulação

no Brasil atualmente.

“Essa funcionalidade traz uma

inovação sem precedentes ao segmento,

contribuindo para o aumento da produtividade

ao reduzir etapas. A otimização

do processo de orçamento traz ganhos

operacionais para seguradoras e reguladoras,

assim como para as reparadoras de

veículos”, afirma Fernandes.

Ao selecionar o modelo, o ano

do veículo e a região do impacto (se

dianteira, traseira ou lateral), o sistema

informa, por meio de um algoritmo que

analisa informações históricas do banco

de dados do Órion, um pré-orçamento,

sugerindo as peças a serem trocadas e

seus preços, tempo de reparo e o valor da

mão de obra. A partir disso, o usuário tem

a possibilidade de refinar a avaliação de

custo do reparo, conforme sua expertise

e particularidades do sinistro. Na comparação

com a forma tradicional de fazer

um orçamento, a Smart reduz o tempo de

orçamentação em 47% e o número

de cliques em 42%.

Lançada no início de agosto,

a expectativa é que os usuários

ganhem eficiência com a nova

ferramenta. Fernandes afirma que

seus parceiros estão ansiosos pela

atualização, que já foi testada internamente

e agora só precisa dos

processos das companhias para que

possa ser utilizada. “Haverá um

Almir Fernandes,

❙❙diretor executivo do Cesvi/Mapfre

período de integração, e as empresas que

já estiverem preparadas podem começar

a utilizar, as que ainda não estão podem

continuar a usar o modelo tradicional até

que esteja tudo pronto”, orienta.

A chancela para a ferramenta é, certamente,

o conhecido know-how técnico

do Cesvi. A confiabilidade, tão importante

quando o assunto é tecnologia, já está

certificada por quem usa o Órion, que

passa a ser mais assertivo nos processos.

“A solução possui um algoritmo eficiente

e com um elevado nível de assertividade,

que foi construído sobre a base estruturada

do nosso banco de dados, aliado à

capacidade e ao conhecimento técnico

da equipe do Cesvi/Mapfre no processo

de reparação e estrutura automotiva”,

completa o executivo.

O Cesvi/Mapfre está confiante no

rumo do mercado. As empresas parceiras,

especialmente as seguradoras, há

muito deixaram de lado os receios com o

avanço e passaram a trilhar o caminho da

tecnologia. A atualização é uma evolução

e deverá impactar positivamente os players

de mercado que buscam não apenas mais

uma ferramenta, mas acompanhar as mudanças

de comportamento e consequentes

demandas de seus clientes finais.

35


ccs-sp | 45 anos

A partir da esquerda, os diretores do Clube: Jorge Teixeira Barboza, Paulo Schroeder,

Luciana Ferreira, Adevaldo Calegari, Evaldir Barboza de Paula e Flávio Bosisio

A voz ativa do setor

Clube dos Corretores

de Seguros de São

Paulo completa 45

anos colaborando

com as mudanças do

mercado e focando na

renovação da categoria

Durante o regime militar, os

sindicatos encontravam dificuldade

para dialogar com os

municípios, com os Estados e,

sobretudo, com a União. Pensando nisso,

25 corretores de seguros de São Paulo se

reuniram para melhorar essa interlocução.

A ideia dos profissionais era criar uma entidade

para dar voz ao mercado segurador

paulista, que assim como outros segmentos

estava impedido de manifestar seus

anseios. Fundaram, no dia 5 de outubro de

1972, o Clube dos Corretores de Seguros

de São Paulo, (CCS-SP), que trabalhando

estreitamente com o Sindicato dos Corretores

de Seguros de São Paulo (Sincor-SP)

deixou claras as ideias e reivindicações da

categoria.

36

Lívia Sousa

“Se havia dificuldade em falar como

sindicato, a partir daquele momento não

havia mais de colocar as nossas situações,

angústias e propostas como Clube dos

Corretores. O Clube tirava a conotação de

embate junto ao governo, de movimentos,

tudo o que os militares não gostavam”,

lembra o atual mentor da entidade, Adevaldo

Calegari.

A criação do CCS-SP abriu as portas

para que uma série de outros clubes

surgisse no estado e até mesmo fora dele

– todos com a finalidade de colaborar

com os sindicatos, de reunir corretores

e de estreitar o relacionamento com os

seguradores. Prestadores de serviços

também se engajaram na causa e passaram

a desenvolver soluções junto com a

entidade. Até hoje, muitos deles lançam

novidades em primeira mão durante os

almoços realizados mensalmente pelo

Clube.

Evoluindo junto com o

mercado

Calegari define o Clube dos Corretores

como um fórum de grandes mentes

profissionais na área de seguros que

trabalham em prol do setor. Mas para

acompanhar o ritmo do mercado segurador,

hoje bem mais dinâmico do que há

quatro décadas, é necessário contar com

cabeças capazes de entender, assimilar e

colaborar com as mudanças. “O corretor

não é mais simplesmente um vendedor de

seguros. Ele é muito mais que isso. É um

consultor do seu cliente, um solucionador

dos problemas, e isso exige a competência

que é preciso ter para participar do CCS-

-SP”, alega.

O ingresso de novos associados segue

um ritual que busca exatamente essa

qualificação. É preciso ter dois padrinhos,

Primeira edição do Jornal dos

Corretores de Seguros, publicada

em 5 de junho de 1979


Gestões

➥➥Antonio D’Amélio

1972/1974

1978/1980

➥➥José Francisco de Miranda

1974/1976

➥➥Renato Rubens Rocchi Guedes

de Oliveira

1976/1978

➥➥Mariano Luiz Gregnanin

1980/1982

Fatos marcantes

〉〉

Desde 1972, todos os presidentes de sindicatos saíram das bases do Clube.

Mesmo depois da mudança do governo, a entidade não perdeu o viés de

colaboração, seja através de ações, ideias, fóruns, movimentações, e de colaboração

do ponto de vista das execuções das tarefas;

〉〉

A Fenacor nasceu dentro do Clube dos Corretores, em 1975. Os integrantes do

grupo que comandavam o CCS-SP foram os primeiros presidentes da Federação;

〉〉

O Clube também foi responsável pelo surgimento do Jornal dos Corretores

de Seguros (JCS), na década de 1970. Posteriormente, o Sincor-SP assumiu a

publicação como seu veículo principal de comunicação. O jornal, que até então

contava com 3 mil exemplares distribuídos no estado de São Paulo, passou

para 15 mil unidades que circulam em todo o Brasil.

➥➥Enrico Lindenhem

1982/1984

➥➥Petr Purn

1984/1986

➥➥Paulo Rubens de Almeida

1986/1988

➥➥João Leopoldo Bracco de Lima

1988/1990

➥➥Milton D’Amélio

1990/1992

➥➥Luiz López Vazquez

1992/1994

➥➥Henrique Elias

1994/1996

➥➥Nelson Fontana

1996/1998

➥➥Antonio Carlos Scatolini

1998/2000

➥➥Pedro Barbato Filho

2000/2002

➥➥Ornaldo César Bertacini

2002/2004

➥➥Boris Ber

2004/2006

2006/2008

➥➥Nilson Arello Barbosa

2008/2010

2010/2012

➥➥Alexandre Camillo

2012/2013

➥➥Adevaldo Calegari

2014/2016

2016/2018

estar ligado ao Sincor há mais de dois

anos, passar pela junta de conciliação

da entidade e participar de projetos, sejam

referentes à cidade ou ao estado de

São Paulo ou em âmbito nacional. “Isso

mostra bem a evolução do profissional e

a necessidade de atualização, da busca

interativa de participação em todos esses

sistemas”, diz o mentor.

A busca pela renovação, inclusive,

está entre as principais pautas do Clube,

que tem trabalhado bastante a questão do

empreendedorismo, tema que se aplica

à responsabilidade do corretor como

distribuidor do seguro. “O corretor precisa

fazer isso com muita inteligência,

conhecimento e tecnologia. Essa tecnologia

passa exatamente pela atualização

das informações. Por isso insisto de que

devemos olhar para a sucessão”, declara

Calegari, lembrando que os próximos

anos serão de grandes desafios, seja

pela comunicação ou pela exigência e

conhecimento cada vez maiores dos

consumidores.

Próximos passos

As comemorações aos 45 anos do

Clube dos Corretores se estenderão até

o mês de dezembro. Um dos marcos

mais importantes será no dia 5 de outubro,

quando a entidade receberá a Salva

de Prata da Câmara Municipal de São

Paulo. Além disso, já estão programados

almoços mensais e a tradicional desta de

fim de ano.

“Um dos planos desta gestão para

os próximos meses está na transição nos

processos de comunicação com os sócios

e com mercado, sem perder a tradição

❙❙Adevaldo Calegari, atual mentor

dos 45 anos da história do CCS-SP”,

adianta Evaldir Barboza de Paula, diretor

secretario do Clube. “Vamos propiciar

novos eventos, além dos convencionais,

junto ao mercado de seguro para os

nossos sócios e estreitar ainda mais o

relacionamento com os patrocinadores,

a fim de acompanharmos a evolução dos

seus negócios depois da apresentação nos

almoços tradicionais.”

Há também uma agenda pré-definida

para o primeiro semestre de 2018 e a

continuidade dos planos da atual gestão,

que permanecerá à frente da entidade até

outubro do mesmo ano. “Já estamos conversando

sobre esse trabalho. Temos no

Clube pessoas capacitadas para assumir a

mentoria e continuar e melhorar o trabalho

de levar aos associados e ao mercado uma

visão moderna, positiva e atualizada dos

fatos. Nosso objetivo final é oferecer ao

cliente, que é a razão de todas as coisas,

o melhor produto e o melhor serviço, da

melhor condição”, finaliza Calegari.

37


comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

Grama: no jardim ou na balança?

As pessoas atentas às regras gramaticais já sacaram a

que essa pergunta se refere. É ao GÊNERO de algumas palavras

de nossa “última flor do Lácio, inculta e bela”: a rica,

versátil e bela língua portuguesa. A palavra GRAMA, em

relação ao jardim – e com o sentido de relva, erva, capim – é

FEMININA. Vem do substantivo latino Gramen, graminis

e classifica uma planta poácea rizomatosa de folhas glaucas

(caprichei!). A ela se aplica o ditado popular “A grama do

vizinho é mais verde”!

Já em relação à balança, e significando uma unidade

de medida de massa equivalente à milésima parte do quilograma,

a palavra é MASCULINA! Sua origem é o termo

grego Grámma, grammatos. Então se nos referimos a peso,

a forma correta é o masculino. Por isso, não devo pedir

“Duzentas gramas de mortandela”, mas “DUZENTOS

gramas de mortadela” (Claro que o sabor não é o mesmo:

mortaNdela é, sem sombra de dúvida, muito mais gostosa

que a insossa mortadela. Ainda mais sendo DUZENTOS

gramas...). Sei que muitas pessoas – principalmente os

balconistas da padaria ou da mercearia – vão nos olhar

com ar de piedosa superioridade e corrigir: “O senhor

quer DUZENTAS gramas de mortaNdela?!). Esta é uma

daquelas palavras em que a versão certa parece errada e

vice-versa. É que a forma popular, incorreta, flui muito mais

do que a correta, que fica com ares de rebuscada, pedante.

pernóstica...

Mas a questão do gênero das palavras referentes a

objetos não fica só em grama. Há outros vocábulos que

apresentam o mesmo fenômeno.

É o caso de CAL (óxido de cálcio, fórmula CaO), que

muita gente pensa ser – e usa como sendo – palavra masculina.

Talvez em razão de seu emprego se dar principalmente

na composição da argamassa, nas construções, portanto na

área de atuação dos pedreiros...). Entretanto ela é do gênero

feminino. Você deve pedir então “Quinhentos gramas DA

cal hidratada...”.

Mais uma? ALFACE. É comum falarem, erroneamente,

O alface, quando essa palavra, aplicada para dar nome à

hortense originária do leste do Mediterrâneo e utilizada na

alimentação humana desde cerca do ano 500 antes de Cristo,

é do gênero FEMININO. Oriunda do árabe AL-KHASS, a

palavra chegou a nós com sonoridade semelhante: al-khass,

alkas, alfaz, alface.

Nessa mesma linha, muitos dos termos portugueses

com início em AL, vieram do vocabulário árabe, como

alfaiate (alkhayyât); alfazema (al-khuzâma ou alhuzaima);

Alcântara (al qantara) e alcachofra (al harxufa ou al

harxofã) entre tantos outros. O curioso é que outras línguas

– até mesmo as da mesma família do português, como o

espanhol, o italiano e o francês – adotaram forma vocabular

diversa, partindo do latim LACTUCA, que deu origem à

palavra LACTUGA, alusiva à substância branca, leitosa,

advinda do caule seccionado da planta. Provieram daí o

vocábulo italiano lattuga; o espanhol lechuga; o francês

laitue e o inglês lettuce. O alemão vale-se de mais de um

modo: salat; grüner salat; kopfsalat e lattich. Os eslovenos

usam o termo solata e os croatas, zelena salata.

A lista se estende por muitos outros termos que sofrem

a troca de gêneros (são verdadeiros casos de transgêneros

vocabulares), como champanhe, que é masculino, embora

muitos insistam em falar “A” champanhe e o crepe, também

masculino. Por outro lado, musse (há quem prefira a forma

francesa mousse) é palavra feminina.

A seguir, vem A omelete – outra vítima dessa troca –

também vinda do francês omelete. Seu berço mais remoto é

a antiga Pérsia, onde era um prato nobre e muito apreciado.

É indispensável citar outra iguaria, que nos chegou pela

mesma França: A quiche! Seu nome deriva de küche(n),

que significa pastel em alsaciano, dialeto alemão falado na

Alsácia, no noroeste da França, cuja capital é Estrasburgo.

Devido à renitente e persistente confusão de gêneros

entre essas duas últimas palavras, o Dicionário da Academia

Brasileira de Letras e o Dicionário Houaiss resolveram

classificá-las entre os substantivos comuns de dois gêneros.

Pronto: pode se falar A omelete ou O omelete; A quiche

ou O quiche... (mas é bom advertir que essa condição não

é aceita por todos os dicionaristas e gramáticos...).

A coisa toda seria bem mais simples se – lá atrás – os

homens não tivessem tido a brilhante ideia de construir uma

torre bem alta, que os levasse até o céu. Não aceitando bem

a iniciativa, Deus “interditou a obra”, de uma maneira bem

sutil: desfez a comunhão da língua, então existente, e cada

grupo passou a falar um idioma diferente.

E nunca mais se entenderam!

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

38

38


39


Prêmio Melhores do Seguro 2017

Corretoras

26 de outubro - Casa Itaim - São Paulo

More magazines by this user
Similar magazines